1 João 4: O Amor Que Prova Que Nascemos de Deus
Introdução
Por que uma palavra tão usada—"amor"—parece tão impossível de se viver? O mundo canta sobre o amor, faz filmes sobre ele, mas parece que nunca o alcança de verdade. A cultura o define como um sentimento, uma atração, ou até mesmo uma auto-realização. Mas o apóstolo João, já idoso, olha para essa confusão e nos oferece não um sentimento, mas um diagnóstico. Ele nos dá um teste espiritual que corta até o osso, e o resultado pode ser assustador.
O Teste Decisivo: Você Conhece a Deus?
Em sua primeira carta, João não está sendo poético; ele está sendo letalmente sério. Ele afirma: "Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus" (1 João 4:7).
Pare e pense no peso disso. Ele não diz que amar é uma boa ideia ou um objetivo a ser alcançado. Ele diz que o amor é a prova de que você conhece a Deus. E então, ele vira a moeda: "Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor" (1 João 4:8).
A Incapacidade do Amor Natural
Isso é um problema. Porque se formos honestos, nosso amor natural é falho, egoísta e condicional. Se esse é o teste, quem pode ser salvo? Se o padrão para provar que "conhecemos a Deus" é um amor perfeito, estamos todos perdidos. Nosso coração não produz esse tipo de amor por conta própria.
A verdade é que João está expondo nossa total incapacidade. Ele nos encurrala, mostrando que o amor que o mundo celebra não tem nada a ver com o amor de Deus. O amor do mundo busca receber. O amor de Deus se define por dar. E ele imediatamente nos mostra como é esse amor, para que não haja confusão.
O Amor de Deus é uma Pessoa: Jesus Cristo
Onde encontramos essa definição? Não é uma ideia abstrata. João aponta para um evento histórico singular: "Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele" (1 João 4:9).
Veja bem, o amor de Deus não é um sentimento vago que Ele tem por nós. O amor de Deus é uma pessoa. É Jesus Cristo. O envio do Filho não foi um gesto de boa vontade; foi uma missão de resgate. A frase "para vivermos por meio dele" tem uma implicação terrível: antes, estávamos mortos.
Amor: A Evidência do Novo Nascimento
Cristo não veio ao mundo para nos inspirar a amar mais. Ele veio para nos ressuscitar da morte espiritual, para que pudéssemos amar pela primeira vez. O amor de Deus não é um exemplo que imitamos; é uma vida que recebemos. É por isso que João diz que quem ama "é nascido de Deus" (v. 7). O amor não é o que fazemos para sermos nascidos de Deus; é o que fazemos porque fomos nascidos de Deus. É a nova natureza operando.
Tornando o Deus Invisível, Visível
É por isso que o próximo verso não é um fardo pesado, mas uma consequência gloriosa: "Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros" (1 João 4:11). Esse "devemos" não é o "dever" de um escravo tentando pagar uma dívida. É o "dever" de uma fonte que, estando cheia, precisa transbordar.
E aqui está o ponto mais profundo de todos: "Ninguém jamais viu a Deus" (1 João 4:12). Então, como um mundo cético e quebrado saberá que esse Deus invisível é real? João responde: "se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado".
Quando escolhemos perdoar quem não merece, quando servimos quem não pode nos retribuir, quando somos pacientes com o colega difícil... não estamos apenas sendo "boas pessoas". Estamos fazendo o Deus invisível visível. Estamos mostrando ao mundo um retrato vivo da Cruz.
Conclusão
Esse tipo de amor é impossível para nós. Mas a boa notícia do evangelho é que Cristo não nos chamou para fazê-lo em nossa própria força. Ele nos deu Seu Espírito. O amor que prova que conhecemos a Deus não se origina em nós; ele apenas flui através de nós, vindo Daquele que é o próprio Amor.
Fontes para Aprofundamento
- A Mensagem de 1, 2 e 3 João - John Stott (Editora ABU, 2018)
- Vida em Cristo: Estudos em 1 João - D. Martyn Lloyd-Jones (Editora PES, 2012)
- Comentários de 1, 2 e 3 João - D.A. Carson (Editora Fiel, 2021)