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Diário

Um poema divertido sobre a diferença entre hinos e worship

Diego Gonçalvesatualizado 3 min de leitura574 palavras

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Um fazendeiro foi à cidade, e na grande igreja entrou.

De volta para casa, sua esposa perguntou:

Pastora conduzindo vacas a um pasto, aquarela de Winslow Homer
Winslow Homer, Conduzindo as vacas ao pasto, 1879. Museum of Fine Arts, Boston. Domínio público, via Wikimedia Commons.

“Como foi a visita, meu bem? Foi legal?”

“Foi bom”, disse ele, “mas tinha algo especial.

Em vez dos hinos de sempre, que conhecemos,

cantaram canções diferentes, uma espécie de prece

que sempre repete, que sempre repete.”

“Canções diferentes? Como assim?”, a mulher perguntou.

“Hmm, são canções parecidas…”, disse ele, “mas com outro valor.”

“E qual é a diferença?”, a esposa quis saber.

E o fazendeiro, pensando, logo se pôs a dizer:

“É como se eu dissesse:

‘Marta, as vacas no milharal!’

Isso seria um hino. Uma afirmação pontual.

Mas e se eu falasse:

‘Marta, Marta, oh Marta bendita,
Marta, Marta, Marta querida,
as vacas, as vacas, as vacas perdidas,
as VA-CAS perdidas, as VA-CAS perdidas
em nosso celeiro, comendo e comendo estão sem parar
o milho tão lindo, tão lindo o milho, o milho tão lindo do nosso fubá!
O milho tão lindo, tão lindo o milho, o milho tão lindo do nosso fubá!’

Cantamos: ‘As VA-CAS perdidas comendo o fubá!’

– – – – – – – –

E então, se eu repetir tudo isso umas doze ou dezoito vezes mais,

vira a canção diferente, o worship moderno com um toque audaz.”

– – – – – – – –

Por acaso engraçado, no domingo cedinho,

um cristão da cidade foi à igreja do interiorzinho.

De volta à sua casa, a esposa lhe perguntou:

“Fale, amor, como foi o culto? O que lá rolou?”

“Top”, disse o jovem, “incrível e singular.

Não eram worships modernos, mas hinos a entoar.”

“Hinos?”, indagou a esposa. “Seja mais específico?”

“São como os nossos louvores, mas num tom mais prolixo.”

“Como assim?”, a esposa questionou. O jovem então, devagar, explicou:

“É como se eu dissesse:

‘Marta, as vacas no milharal!’

Isso seria um worship. Uma afirmação pontual.

Mas e se eu falasse:

I

‘Marta, preciosa Marta, de grande fulgor e coração,
as vacas no campo carecem de atenção.
Elas vagueiam sem rumo, pródigas, sob o sol a brilhar,
ignoram o perigo, da vida procelosa, no milho a se fartar.

II

As vacas desatentas e mui rebeldes se afastaram,
andavam com sua alma doentia e atormentada,
e no conflito fraco todo o milho devastaram.
Estas eram vacas que andavam longe da seara.

III

Sonho com o dia em que o mal seja expulso,
e nenhum bicho teimoso ao meu coração cause repulso.
Onde as vacas não mais destruam a plantação,
e o milho cresça em abundância, sem interrupção.

IV

Marta, Marta, ouça a minha situação,
sobre vacas e milho, te conto a lição:
as vacas ilustram os problemas que enfrentamos,
o milho representa a paz que almejamos.

REFRÃO

Mas saiba, minha Marta, que assim como o milharal,
nossos problemas um dia encontrarão seu final.
Pois assim como as vacas podem ser conduzidas,
nossa vida, minha amada, ainda será muito bem vivida.’”

– – – – – – – –

E assim, se eu cantasse os versos um, dois, três e quatro,

e repetisse o refrão final com um tenor bem sonoro,

isso seria um hino, solene e profundo,

uma prece sincera da igrejinha do rancho fundo.”

Publicado em 1 de abril de 2024 · Atualizado em 23 de outubro de 2026

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