AssineApoie
MembrosOs fascículos de cada episódio do canal Crer Para Compreender

HistóriaConversões: histórias de fé14 de 81

Fanny Crosby: a noite em que entregou tudo a Cristo

A Conversão de Fanny Crosby: A Noite em Que Entregou o Que Faltava

Diego Gonçalves3 min de leitura649 palavras

Leitura automática pelo seu navegador; pode haver erros de pronúncia.

Áudio em preparo — assine para ser avisado

Neste texto

Fanny Crosby ficou cega com seis semanas de vida e acabou se tornando a hinista mais produtiva dos Estados Unidos no século XIX. Aos trinta anos, já professora numa escola pra cegos em Nova York, ela era uma mulher religiosa, frequentava as reuniões metodistas e tocava nelas. Mas, pelo que contou depois, estava com a fé morna. Ainda faltava o passo de entregar tudo.

Uma criança que não se deixou parar

Nascida em 1820, no interior do estado de Nova York, Fanny perdeu a vista quando um médico que não era o da família mandou aplicar compressas quentes numa inflamação nos olhos dela. Na autobiografia, ela diz que nunca guardou ressentimento daquele homem. Cresceu brincando como as outras crianças e, quando entendeu que não ia aprender como elas, orou pedindo a Deus um caminho pra estudar. Em 1835 entrou no Instituto de Nova York pra Cegos, onde ficou como aluna e depois como professora.

O sonho e a pergunta

Theodore Camp, professor das escolas da cidade, foi colocado em 1845 à frente das oficinas de trabalho do Instituto, e os dois passaram a ir juntos às reuniões de classe metodistas. Camp nunca a pressionou em assunto de religião. Mesmo assim, Fanny escreveu que, se devia a conversão a algum ser humano, devia a ele.

Foi por causa de um sonho. Nele, Camp aparecia doente e perguntava se ela se encontraria com ele no céu. Ela acordou com aquela pergunta na cabeça. Camp estava perfeitamente bem. Mas a pergunta ficou, e Fanny começou a pensar se ela mesma poderia mesmo encontrar ele, ou qualquer outra pessoa, na Pátria Melhor, como ela chamava o céu.

O altar sozinha

No outono de 1850, a Igreja Metodista da Rua 30 fez uma série de reuniões de avivamento, e ela ia quase toda noite. Em duas delas foi à frente buscar paz e não achou a alegria que queria. Na noite de 20 de novembro, sentiu que a luz vinha naquela noite ou não vinha mais. Levantou e foi sozinha ao altar.

Depois da oração, o grupo começou a cantar o hino de Isaac Watts “Alas, and did my Saviour bleed” (“Ai, e meu Salvador sangrou?”). Quando chegaram ao verso “Aqui, Senhor, eu me entrego” (em tradução livre), aconteceu o que ela contou assim:

“Minha alma inteira foi inundada por uma luz celestial.”

Ela pulou de pé gritando “aleluia”. E só então percebeu que vinha tentando segurar o mundo com uma mão e o Senhor com a outra.

A promessa de falar

O crescimento, segundo ela mesma, foi lento. Na quinta-feira seguinte deu seu primeiro testemunho em público, e a voz do orgulho logo veio perguntar se não tinha falado bem. Passou dias abatida. Um amigo disse pra ela voltar “às primeiras obras”, e ela entendeu que ainda não tinha entregado a vontade por inteiro. Algumas semanas depois, quando pediram pra ela uma oração curta ao fim de uma reunião, o primeiro pensamento foi “não consigo”. Lembrou da promessa e orou. Dali em diante, segundo ela, nunca mais recusou orar ou falar em culto.

Em 1864, procurou o editor William Bradbury e escreveu o primeiro hino publicado dela. Por mais de cinquenta anos, não parou. Os arquivos do Wheaton College guardam quase 2.400 manuscritos dela. Fanny morreu em 12 de fevereiro de 1915, aos 94 anos.

Quanta gente carrega uma mão em cada lado, sem perceber? Pra Fanny, bastou um verso de um hino antigo.


Fontes consultadas: Fanny J. Crosby, Memories of Eighty Years (1906), capítulos sobre a infância, o sonho e a conversão [https://archive.org/details/eightyyrs00cros]; Wheaton College Archives, “This is My Story, This is My Song: Celebrating Two Centuries of Fanny Crosby” [https://fromthevault.wheaton.edu/2020/03/01/this-is-my-story-this-is-my-song-celebrating-a-century-of-fanny-crosby/].

140pal/min