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HistóriaConversões: histórias de fé41 de 83

Conversão de Robert Moffat: o jardineiro que foi à África

A conversão de Robert Moffat: um veterano missionário africano

Diego Gonçalvesatualizado 3 min de leitura680 palavras

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Neste texto

Décadas antes de David Livingstone abrir caminho pelo interior da África, o sogro dele já tinha fincado raízes no continente. Robert Moffat passou mais de cinquenta anos no sul da África, traduziu a Bíblia inteira para a língua tswana e montou postos missionários que duraram. A faísca que levou esse jovem jardineiro escocês aos confins do mundo, porém, começou com uma crise de consciência numa cidadezinha inglesa e um cartaz colado numa ponte.

Retrato colorido do missionário Robert Moffat, de casaca azul e chapéu de palha na mão, com uma cena de pregação na África ao fundo
George Baxter, O reverendo Robert Moffat, 1843. Gravura colorida. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Infância escocesa e o despertar entre os metodistas

Moffat nasceu em 1795 em East Lothian, na Escócia. Cresceu ouvindo os ensinos bíblicos da igreja local e as histórias de fé que a mãe contava ao redor da lareira. Quando jovem, foi para a Inglaterra trabalhar como jardineiro numa propriedade em High Leigh, no condado de Cheshire.

Longe de casa, começou a conviver com um casal metodista que o convidou para as reuniões de oração. Naquela época, as classes tradicionais inglesas olhavam os metodistas com desprezo e chamavam-nos de fanáticos e exagerados. Mesmo assim, Moffat aceitou o convite.

Nas reuniões, a pregação direta do Evangelho alcançou a consciência de Moffat. Ele se viu diante de Deus como era de fato: não bastava ser um jovem trabalhador e bem-educado, pois era um pecador que precisava de redenção. Seguiu-se um período de grande angústia, até que entendeu a mensagem da justificação pela fé em Jesus Cristo, e não por mérito próprio (Romanos 5:1). A paz tomou conta do seu coração, e ele entregou a vida inteira ao Senhor.

A conversão custou caro desde o início. Os patrões de High Leigh não gostaram de ver um empregado promissor se juntar aos metodistas, desprezados por quase todos, e retiraram o apoio que lhe davam. Mas Moffat já não dependia da aprovação deles para seguir adiante.

O cartaz na ponte de Warrington

Pouco tempo depois, numa tarde tranquila de verão, Moffat precisou ir a pé até Warrington, uma cidade vizinha. Pelo caminho, na zona rural, olhava a natureza, pensava na bondade de Deus e sentia a alma renovada.

Ao cruzar uma ponte na entrada da cidade, um aviso colado chamou-lhe a atenção. Era o cartaz de uma conferência missionária que seria presidida pelo pastor William Roby, de Manchester.

Moffat parou diante da ponte e leu o cartaz uma, duas, três vezes. As lembranças da infância na Escócia voltaram com força: as noites em que a mãe lia em voz alta os relatos dos missionários morávios no gelo da Groenlândia e no Labrador. O que parecia adormecido despertou de repente.

As ambições profissionais e qualquer plano de uma vida tranquila na Inglaterra caíram por terra ali mesmo. Um só pensamento ocupou a mente dele: “Como posso me tornar um missionário?”.

Meio século nos confins da África

Moffat não perdeu tempo. Procurou o pastor William Roby, foi orientado nos estudos bíblicos e, em 1816, aos vinte anos, a Sociedade Missionária de Londres o enviou ao sul da África.

Ali enfrentou conflitos entre tribos, secas severas e o isolamento cultural na estação de Kuruman. Aprendeu a língua do povo, ajudou a fixá-la por escrito e imprimiu com as próprias mãos a primeira Bíblia em língua banta na África meridional.

Depois de mais de cinquenta anos a serviço de Deus na África, Robert Moffat voltou para a Inglaterra e morreu em 1883, aos 87 anos. Toda aquela trajetória, que abriu caminho para a expansão do cristianismo no continente africano, começou no momento em que um jovem jardineiro largou as próprias conveniências para atender ao chamado de Deus.

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