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HistóriaConversões: histórias de fé25 de 65

Conversão de Robert Moffat: o jardineiro que foi à África

A Conversão de Robert Moffat: Um Veterano Missionário Africano

Diego Gonçalvesatualizado 3 min de leitura600 palavras

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Neste texto

Décadas antes de David Livingstone abrir caminho pelo interior da África, o sogro dele já tinha fincado raízes no continente. Robert Moffat passou mais de cinquenta anos no sul da África, traduziu a Bíblia inteira pra língua tswana e montou postos missionários que duraram. Mas a faísca que levou esse jovem jardineiro escocês aos confins do mundo começou numa crise de consciência numa cidadezinha inglesa e num cartaz colado numa ponte.

Infância escocesa e o despertar entre os metodistas

Moffat nasceu em 1795 em East Lothian, na Escócia. Cresceu ouvindo os ensinos bíblicos da igreja local e as histórias de fé que a mãe contava ao redor da lareira. Quando jovem, foi pra Inglaterra trabalhar como jardineiro numa propriedade em High Leigh, no condado de Cheshire.

Longe de casa, começou a conviver com um casal metodista que o convidou pras reuniões de oração. Naquela época, as classes tradicionais inglesas olhavam os metodistas com desprezo e chamavam eles de fanáticos e exagerados. Mesmo assim, Moffat aceitou o convite.

Nas reuniões, a pregação direta do Evangelho tocou fundo na consciência dele. Ele se viu diante de Deus como era de verdade: não bastava ser um jovem trabalhador e bem-educado, ele era um pecador que precisava de redenção. Veio um período de muita angústia por dentro, até que Moffat entendeu a mensagem da justificação pela fé em Jesus Cristo. A paz tomou conta do coração dele, e ele decidiu entregar a vida inteira ao Senhor.

A conversão custou caro logo de cara. Os patrões de High Leigh não gostaram de ver um empregado promissor se juntar aos metodistas, que todo mundo desprezava, e tiraram o apoio que davam a ele. Mas Moffat já não dependia da aprovação deles pra seguir em frente.

O cartaz na ponte de Warrington

Pouco tempo depois, numa tarde tranquila de verão, Moffat precisou ir a pé até Warrington, uma cidade vizinha. No caminho, pela zona rural, olhando a natureza e pensando na bondade de Deus, ele sentia a alma renovada.

Ao cruzar uma ponte na entrada da cidade, um aviso colado chamou a atenção dele. Era o cartaz de uma conferência missionária que seria presidida pelo pastor William Roby, de Manchester.

Moffat parou diante da ponte e leu o cartaz uma, duas, três vezes. As lembranças da infância na Escócia voltaram com muita força: as noites em que a mãe lia em voz alta os relatos dos missionários morávios no gelo da Groenlândia e no Labrador. Tudo o que parecia adormecido acordou de repente.

As ambições profissionais e qualquer plano de uma vida tranquila na Inglaterra caíram por terra ali mesmo. Um pensamento só tomou conta da cabeça dele: “Como posso me tornar um missionário?”.

Meio século nos confins da África

Moffat não perdeu tempo. Procurou o pastor William Roby, foi orientado nos estudos bíblicos e, em 1816, aos vinte anos, a Sociedade Missionária de Londres enviou ele pro sul da África.

Lá enfrentou guerras tribais, secas terríveis e o isolamento cultural na famosa estação de Kuruman. Aprendeu a língua dos nativos, criou um sistema de escrita e imprimiu com as próprias mãos a primeira Bíblia em língua banta na África meridional.

Depois de mais de cinquenta anos a serviço de Deus na África, Robert Moffat voltou pra Inglaterra e morreu em 1883, aos 87 anos. Toda aquela trajetória extraordinária, que abriu caminho pra expansão do cristianismo no continente africano, começou no momento em que um jovem jardineiro largou as próprias conveniências pra atender ao chamado de Deus.