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HistóriaConversões: histórias de fé57 de 83

Dan Crawford: a conversão do missionário da África Central

A conversão de Dan Crawford: o missionário pioneiro na África Central

Diego Gonçalvesatualizado 4 min de leitura750 palavras

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Neste texto

Dan Crawford foi um dos missionários mais conhecidos que a Escócia mandou para a África, depois de David Livingstone. Escreveu o clássico Thinking Black e passou quase quarenta anos no interior da África Central, junto ao lago Mweru, vivendo e pensando como os próprios povos bantos, para poder anunciar o Evangelho a eles. Porém a história da entrega dele a Cristo começou num vilarejo escocês, por causa de um gesto inesperado.

A inquietação em Gourock

Crawford contava que a conversão dele aconteceu numa noite tranquila de domingo, em maio, na pequena aldeia de Gourock, à beira do rio Clyde. Ele entrou com passos cautelosos num salão evangélico simples, de paredes caiadas de branco, com versículos pintados nas vigas. Entrou com medo de que algum dos rapazes da vila o visse e zombasse da religiosidade repentina dele.

Pôr do sol sobre o lago Mweru, na fronteira entre a Zâmbia e o Congo, região onde Crawford serviu por 37 anos
O lago Mweru ao pôr do sol, na fronteira entre a Zâmbia e o Congo, região do trabalho missionário de Crawford. Foto de Makandwe Mwape, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

Por trás desse medo havia uma agonia que já durava quinze dias:

“Eu estava realmente ansioso para ser salvo. Durante duas longas semanas, Deus vinha me convencendo do pecado, e minha miséria era intensa. O que mais me angustiava era o pensamento de ter de comparecer diante de Deus. Durante aquela quinzena, tive um vislumbre real do que eu era, e a noite de domingo que encerrou essas duas semanas me encontrou no meu pior estado de desespero.”

Naquela noite, um operário simples foi à frente e contou a história do sacrifício de Cristo na cruz. Quando a mensagem acabou, quase todos foram embora. Crawford ficou preso ao banco de madeira, paralisado pelo medo de estar perdido para sempre. Ele queria a salvação, mas a cabeça dele estava cheia de dúvidas.

A linha no chão

Dois membros da congregação sentaram ao lado do rapaz e passaram quase uma hora abrindo as Escrituras e respondendo às objeções dele. Um dos crentes percebeu que o jovem se perdia em labirintos teológicos para adiar uma decisão de verdade. Então ele se levantou, tirou um pedaço de carvão do bolso e riscou uma linha preta grossa no chão de madeira, bem entre o banco de Crawford e a porta de saída.

Depois olhou nos olhos do rapaz e disse com firmeza:

“Dan, você não vai cruzar essa linha sem ter confiado em Cristo.”

Aquele ultimato caiu com todo o peso sobre o escocês. Ele sentiu que a eternidade estava em jogo ali. De um lado da linha ficavam as dúvidas dele e o mundo. Do outro, o perdão e Cristo como Senhor. Ele sabia que, se levantasse e saísse pisando naquela marca sem se render, estaria rejeitando a graça que Deus estava oferecendo.

Às 22h20 daquela noite de domingo, Crawford se ajoelhou e descansou na promessa de Deus. Não foi a linha de carvão que o salvou, e sim Cristo: a salvação é dom de Deus, recebido pela fé, e não fruto de esforço humano (Efésios 2:8-9). Mais tarde, ele descreveu aquele momento de libertação:

“A luz do glorioso Evangelho brilhou, e naquela hora eu comecei a viver de verdade. Ó hora feliz! Jesus era meu, e eu era Dele. A alegria indizível e cheia de glória fluiu para a minha alma pelo conhecimento de que Cristo era meu Salvador — meu para satisfazer, meu agora e para sempre.”

Uma vida entregue na África Central

Crawford não fez concessões. No dia seguinte, já falava da fé aos conhecidos e passou a servir na evangelização da região. Poucos anos depois, deixou a Escócia e foi para o interior da África Central, onde montou a base missionária em Luanza.

Ali ele ficou 37 anos seguidos, vivendo entre os povos do Congo e da Zâmbia. Aprendeu as línguas, os costumes e as figuras de linguagem deles, e viu milhares de homens e mulheres abandonarem os cultos de feitiçaria e se reunirem ao redor da Palavra de Deus.


Escrito por Diego Gonçalves, inspirado na leitura da seguinte fonte: Homens que nasceram duas vezes, de Hy Pickering.

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