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Anthony Ashley-Cooper: a conversão do amigo do trabalhador
A conversão de Anthony Ashley-Cooper: O amigo do trabalhador
Anthony Ashley-Cooper, que entraria para a história britânica como o 7º Conde de Shaftesbury, nasceu em 1801, em Grosvenor Square, Londres, no meio da mais alta aristocracia inglesa. Apesar do berço de ouro, falou da infância com tristeza por toda a vida. Os pais eram frios e ausentes e governavam a casa pelo medo e pela severidade, e os filhos passavam falta de afeto e até de comida e agasalho.
Esse sofrimento e esse abandono desde cedo, porém, não deixaram amargura no coração do menino. Pelo contrário, formaram nele a sensibilidade que faria dele um dos maiores defensores dos pobres e dos trabalhadores oprimidos da Inglaterra vitoriana.
O refúgio nos braços da governanta
O único calor humano dos primeiros anos de Ashley veio de Maria Millis, a governanta da casa. Mulher humilde e de sólida piedade cristã, Maria tinha sido criada da mãe dele quando jovem e cuidou do pequeno, um órfão de pais vivos, com amor de mãe.
Era ela que punha a criança no colo, antes de dormir, e contava as histórias das Escrituras, falando do carinho de Jesus pelas crianças e citando Mateus 19:14: “Deixai as crianças, e não as impeçais de vir a mim, porque delas é o Reino dos céus” (Bíblia Livre). Foi Maria também que ensinou ao menino uma oração simples e sincera, que ele continuou repetindo todo dia, mesmo já idoso e respeitado como estadista.
O próprio lorde Shaftesbury disse anos depois que devia àquela serva humilde o conhecimento vivo do Evangelho de Cristo, que ele recebeu de coração ainda menino, por volta dos sete anos.
O relógio de ouro
Aos sete anos, o menino foi mandado para um internato rígido, que lembraria pelo resto da vida como um lugar de crueldade e humilhações. Pouco depois, recebeu a notícia da morte de Maria Millis, a maior perda da infância dele.
No testamento simples, a governanta deixou para o jovem nobre o único bem de valor que tinha: um relógio de bolso de ouro. Ashley guardou aquele presente como um tesouro. Pelo resto da vida pública, recusou qualquer outro relógio e dizia aos amigos mais próximos: “Este relógio foi dado a mim pela melhor amiga que já tive na terra”.
Princípios para a vida pública
Em 28 de abril de 1829, ao completar 28 anos, Ashley anotou no diário o compromisso que ia guiar toda a vida política dele no Parlamento britânico:
“Agora, deixe-me considerar minha futura carreira. O primeiro princípio, a honra de Deus; o segundo, a felicidade do homem; os meios, a oração e a diligência incansável; todo amor mesquinho pela notoriedade deve ser deixado de lado, o assunto deve ser estudado, os motivos purificados, e o melhor deve ser feito pelo resto do tempo.”
Fiel a esse compromisso diante de Deus, lorde Shaftesbury usou o lugar que tinha no Parlamento para lutar contra a exploração humana na Revolução Industrial. Liderou a aprovação das leis que proibiram mulheres e crianças de trabalhar no fundo escuro das minas de carvão, limitou a jornada nas fábricas de tecido a dez horas por dia, acabou com o cruel ofício de pôr meninos dentro de chaminés e fundou centenas de escolas gratuitas para as crianças pobres e esfarrapadas das periferias de Londres.
O amigo dos vendedores de rua
A compaixão dele alcançava até os detalhes mais práticos. Ele reparou que os vendedores ambulantes de Londres sofriam para comprar burros de carga e carrinhos de feira e acabavam alugando tudo a juros abusivos. Então o conde mesmo comprou equipamento de boa qualidade e passou a alugar por taxas baixíssimas, até os feirantes conseguirem comprar de vez.
A gratidão dos trabalhadores foi comovente. Numa das conferências anuais dos ambulantes, os feirantes fizeram uma coleta entre si e surpreenderam o conde com um belo burro de carga, lustroso e de arreios novos, em homenagem ao seu melhor defensor.
Anthony Ashley-Cooper mostrou que a fé verdadeira em Jesus Cristo não se fecha em privilégios de classe, mas se abaixa para lavar os pés dos mais fracos.
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