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HistóriaConversões: histórias de fé49 de 83

D. L. Moody: a conversão na sapataria de Boston

A Conversão de D. L. Moody: O Evangelista Bem Conhecido

Diego Gonçalvesatualizado 4 min de leitura801 palavras

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Dwight Lyman Moody foi um dos evangelistas mais conhecidos do século XIX e pregou a milhões de pessoas nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha. A caminhada dele com Deus, porém, começou de modo discreto, quase tímido, nos fundos de uma loja em Boston, quando ele tinha apenas dezoito anos.

Moody nasceu numa família pobre do interior de Massachusetts e foi para a capital do estado trabalhar como balconista na sapataria do tio. O tio queria que o sobrinho se comportasse bem na cidade grande e fez uma única exigência: o rapaz deveria ir direto à Escola Dominical da Igreja Congregacional de Mount Vernon. Moody cumpriu o combinado e entrou na classe de rapazes do professor Edward Kimball.

Retrato do evangelista Dwight L. Moody, já idoso, de barba cheia e terno escuro
Dwight L. Moody, fotografia, c. 1900. Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. Domínio público, via Wikimedia Commons.

A visita à loja de calçados

Kimball percebeu que o jovem vendedor era tímido e quase não sabia ler a Bíblia. Sentiu que precisava conversar com ele pessoalmente sobre a fé. Orou, hesitou muito e, por fim, resolveu ir atrás dele no trabalho.

Anos mais tarde, o próprio professor registrou a luta que travou por dentro antes de entrar na loja:

“Eu estava determinado a falar com ele sobre Cristo e sobre a sua alma, e desci a rua até a sapataria de Holton. Quando cheguei perto da porta, comecei a me perguntar se deveria entrar em pleno horário comercial. Pensei que minha visita pudesse constranger o rapaz e que, depois que eu saísse, os outros balconistas fossem rir e zombar dele pelas minhas tentativas de torná-lo um menino bom. Enquanto pensava nisso, acabei passando direto pela vitrine. Ao perceber o que estava fazendo, resolvi voltar correndo para acabar logo com aquilo.

Encontrei Moody nos fundos da loja, empilhando caixas e embrulhando sapatos. Aproximei-me, coloquei a mão no ombro dele e fiz o que mais tarde me pareceu um apelo muito fraco e simples por Cristo. Não me lembro das palavras exatas que usei, nem o senhor Moody saberia dizê-las hoje. Apenas falei do amor de Cristo por ele e do amor que Cristo esperava em resposta. Foi só isso. O rapaz parecia maduro para a luz que então brilhou sobre ele; e ali mesmo, na parte de trás daquela loja de Boston, D. L. Moody entregou o coração a Cristo.”

Um novo olhar sobre o mundo

Quarenta anos depois, Moody já era conhecido no mundo todo. Subiu ao púlpito do Tremont Temple, em Boston, a poucas quadras daquela mesma sapataria, e contou o que a conversão tinha feito na juventude dele:

“Eu quase poderia atirar uma pedra daqui deste templo até o ponto exato onde encontrei a Deus há quarenta anos. Gostaria de poder fazer algo para conduzir cada um de vocês, rapazes, a esse mesmo Salvador. Ele tem sido um milhão de vezes melhor para mim do que eu tenho sido para Ele.

Lembro-me da manhã em que saí do meu quarto depois de ter confiado em Cristo pela primeira vez. Parecia que o sol brilhava muito mais forte do que antes, como se estivesse sorrindo diretamente para mim. Quando caminhei pelo parque de Boston Common e ouvi os passarinhos cantando nos galhos, parecia que todos eles cantavam uma canção só para mim. Eu nunca havia reparado em pássaros na vida, mas me encantei por eles. Parecia que eu estava em paz com toda a criação. Não sentia raiva nem mágoa de ninguém; estava pronto para acolher todos os homens no coração. Se alguém não tem esse amor de Deus derramado no peito, ainda não experimentou o novo nascimento.”

Aquela manhã em Boston levou o evangelista a citar muitas vezes os versos de um antigo poema cristão:

“O céu acima é mais azul, A terra ao redor é mais verde; Algo vive em cada matiz Que olhos sem Cristo nunca viram.

Pássaros com canções mais alegres transbordam, Flores com belezas mais brilhantes brilham, Desde que eu sei, como agora sei, Que sou d’Ele, e Ele é meu.”

A vida de Moody mostra que um testemunho simples, como o de Kimball nos fundos de uma loja, dado com fraqueza e sem eloquência nenhuma, pode ser o começo de algo que alcança gerações inteiras para o Reino de Deus. A graça de Deus foi ao encontro de Moody por meio de um professor hesitante, e o Espírito Santo fez nascer a fé naquele coração: a salvação é obra de Deus do começo ao fim.

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