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HistóriaConversões: histórias de fé58 de 83

William Quarrier: a conversão do pai dos órfãos escoceses

A conversão de William Quarrier: o amigo dos órfãos escoceses

Diego Gonçalvesatualizado 4 min de leitura783 palavras

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Se George Müller ficou famoso pelos orfanatos de Bristol, na Inglaterra, a Escócia teve o seu equivalente em William Quarrier. Naquela época, a Revolução Industrial enchia as grandes cidades britânicas de crianças largadas à própria sorte nas ruas. Quarrier levantou uma verdadeira cidade de acolhimento em Bridge of Weir e cuidou de milhares de órfãos sem nunca fazer coleta pública nem pegar empréstimo em banco. O que movia essa dedicação não era só filantropia social, mas uma fé provada na miséria da própria infância.

A fome nas calçadas de Glasgow

Quarrier nasceu em 1829 em Greenock, na Escócia, e conheceu cedo a dor de ser órfão. O pai, carpinteiro de navios, morreu quando William ainda era pequeno; segundo uma das biografias, de cólera, mas a causa não é certa. Sem amparo nenhum, a viúva se mudou com os três filhos pequenos para um cômodo úmido na High Street de Glasgow e tentou sobreviver com pequenos serviços de costura.

Aos seis anos, o menino já sabia o que era passar dias inteiros sem comer. Mais tarde, ele mesmo lembrou um episódio que o marcou: num dia gelado de inverno, parado descalço na esquina, sem um pedaço de pão no estômago, viu passar centenas de cavalheiros e damas bem-vestidos que nem olhavam para baixo. Ali, chorando, nasceu nele uma promessa em silêncio: se Deus um dia lhe desse condições, nunca deixaria criança nenhuma sofrer daquele jeito.

Igreja de pedra com torre de relógio em Quarrier's Village, em Bridge of Weir, na Escócia
Igreja Mount Zion, em Quarrier's Village (Bridge of Weir), Escócia, o antigo vilarejo dos Orphan Homes of Scotland. Foto de NoodlesMcHamster, 2023, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

Aos sete anos, William já trabalhava numa fábrica de alfinetes, dez horas por dia, para ajudar no sustento da casa. Mais tarde aprendeu o ofício de sapateiro.

O encontro com a graça na adolescência

Apesar do sofrimento, a dureza da vida não endureceu o coração do rapaz. Por volta dos dezessete anos, numa reunião cristã na cidade, Quarrier foi alcançado pela mensagem do Evangelho. Ele entendeu que a sua maior necessidade não era a falta que sentia desde a infância. A sua alma precisava se reconciliar com Deus.

Quando compreendeu que Jesus Cristo tinha assumido na cruz a dívida dos seus pecados, Quarrier se entregou a Cristo sem reservas. A certeza da salvação pela graça deu um sentido novo ao trabalho. Ele continuou no ramo de calçados, agora com mais honestidade e mais dedicação, e em poucos anos abriu a própria loja em Glasgow. Os negócios prosperaram rápido, e o antigo menino faminto virou um comerciante de sucesso.

Fé posta em prática: Bridge of Weir

Porém Quarrier não esqueceu a promessa que tinha feito a Deus na calçada da High Street. O centro de Glasgow continuava cheio de garotos engraxates, vendedores de fósforo e meninas órfãs que dormiam debaixo de ponte.

Ele começou montando abrigos provisórios e cozinhas comunitárias no centro da cidade, mas logo viu que as crianças precisavam de mais que esmola: precisavam de um lar de verdade, ar puro e formação cristã.

Em 1876, confiando só nas orações e nas doações voluntárias que os leitores dos seus relatórios enviavam, Quarrier comprou uma área rural em Bridge of Weir, perto de Glasgow. Nas décadas seguintes, comprou mais de trezentos acres de terra e construiu dezenas de casas no modelo de vilarejo familiar, os famosos Orphan Homes of Scotland. Cada casa abrigava cerca de trinta crianças, cuidadas por “pais e mães sociais”, e o lugar tinha escola, igreja, padaria e oficinas de ofícios.

Mais tarde, ele também fundou o primeiro sanatório da Escócia para tratar tuberculosos e deixou encaminhada uma colônia para pacientes com epilepsia, doenças que, naquele tempo, deixavam os pobres abandonados de vez.

William Quarrier morreu em 1903, aos 74 anos, e foi sepultado no cemitério do próprio vilarejo que fundou. Ele mostrou a toda uma geração que a melhor resposta à miséria do mundo não é o rancor contra as circunstâncias, mas uma fé viva, que descansa na graça de Deus e estende a mão ao próximo.

Foi essa graça que o alcançou aos dezessete anos: “pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Efésios 2:8, Bíblia Livre).

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