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Conversão de Philip Wolfe Murray: O comandante e a graça
A conversão de Philip Wolfe Murray: de comandante naval a devoto de Cristo
Philip Wolfe Murray serviu como comandante da Marinha Real britânica, acostumado à disciplina militar e a comandar navios de guerra pelos mares do mundo. A batalha mais difícil da vida dele, porém, não foi travada no convés, e sim dentro dele, no terreno da religiosidade própria, até que a mensagem da graça desmontou a tentativa de conquistar o céu pelo esforço.
Formação religiosa e anos de indiferença
Nascido em Cringletie House, na região de Peeblesshire, na Escócia, Murray recebeu na infância todo o cuidado e a instrução que uma família piedosa podia dar. Aprendeu cedo a respeitar as Escrituras e a reconhecer que Jesus Cristo era o Redentor do mundo. Quando menino, teve até momentos de sensibilidade espiritual, mas confessou mais tarde que tudo aquilo não passava de emoção passageira. O coração dele continuava o mesmo, centrado em si mesmo.
Aos onze anos e meio, foi mandado para um internato, e a casca religiosa se desfez. Dos doze aos vinte e nove anos de idade, Murray nunca dobrou os joelhos para orar nem abriu uma página da Bíblia. Entrou na carreira naval e viveu só para fazer a própria vontade, longe de Deus, aproveitando os prazeres da vida de oficial. Como o salmista diz dos ímpios, Deus simplesmente não entrava nos pensamentos dele (Salmo 10:4).
O fardo da reforma moral
Perto dos trinta anos, uma inquietação sem explicação começou a perturbar a rotina de Murray. Ele viu o vazio da própria vida e resolveu mudar. Voltou a ler a Bíblia todo dia e começou a cortar o que considerava pecado: deixou de ir a teatros e bailes e passou a viver numa rotina de autocontrole e moralidade.
Tentar se consertar sozinho, porém, só aumentou a angústia. Em vez da paz esperada, Murray sentiu um peso esmagador. Ele tentava agradar a Deus pelo dever, mas nunca tinha certeza de ter feito o suficiente. A religião sem Cristo virou um fardo insuportável: quanto mais ele se esforçava para ser bom, mais longe se sentia da aprovação de Deus.
A visita a Aberdeenshire
A virada veio quando Murray foi passar alguns dias na casa de uma prima em Aberdeenshire. A família costumava se reunir para orar e ler a Bíblia, hábito que no começo incomodava o comandante. Mas a leitura que a prima fez de alguns trechos da carta aos Efésios chamou a atenção dele de modo especial.
Ao subir para o quarto naquela noite, pegou a própria Bíblia e abriu no segundo capítulo de Efésios. Leu os primeiros versículos com o coração acelerado:
“E vós estáveis mortos em vossas ofensas e pecados […] Mas Deus, que é rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos deu vida juntamente com Cristo (pela graça sois salvos).”
(Efésios 2:1, 4-5, Bíblia Livre)
Murray viu ali a própria condição. Ele não era só um homem que precisava melhorar o comportamento; estava espiritualmente morto. Boas obras oferecidas a Deus com as mãos sujas de pecado não adiantavam de nada.
Salvação como presente
Logo em seguida, os olhos do comandante bateram em Efésios 2:8-9:
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não por obras, para que ninguém tenha orgulho de si mesmo.”
(Efésios 2:8-9, Bíblia Livre)
A verdade ficou clara. A salvação não era pagamento pelo esforço humano, mas um presente que ninguém merecia, conquistado por Cristo na cruz e recebido pela fé, que também é dom de Deus. Naquele instante, Murray descansou. O peso de tentar salvar a si mesmo caiu dos ombros e deu lugar a uma alegria tão grande que, segundo ele, dava vontade de dançar.
O comandante da Marinha Real finalmente achou porto seguro. Pelo resto da vida, ele testemunhou aos amigos e companheiros de farda que a paz com Deus não nasce do esforço de cumprir regras, mas da graça que apareceu em Jesus Cristo.
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