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EstudosConversões: histórias de fé66 de 83

Conversão de Philip Wolfe Murray: O comandante e a graça

A conversão de Philip Wolfe Murray: de comandante naval a devoto de Cristo

Diego Gonçalvesatualizado 4 min de leitura748 palavras

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Neste estudo

Philip Wolfe Murray serviu como comandante da Marinha Real britânica, acostumado à disciplina militar e a comandar navios de guerra pelos mares do mundo. A batalha mais difícil da vida dele, porém, não foi travada no convés, e sim dentro dele, no terreno da religiosidade própria, até que a mensagem da graça desmontou a tentativa de conquistar o céu pelo esforço.

Formação religiosa e anos de indiferença

Nascido em Cringletie House, na região de Peeblesshire, na Escócia, Murray recebeu na infância todo o cuidado e a instrução que uma família piedosa podia dar. Aprendeu cedo a respeitar as Escrituras e a reconhecer que Jesus Cristo era o Redentor do mundo. Quando menino, teve até momentos de sensibilidade espiritual, mas confessou mais tarde que tudo aquilo não passava de emoção passageira. O coração dele continuava o mesmo, centrado em si mesmo.

Fachada de Cringletie House, casa senhorial de pedra em Peeblesshire, na Escócia
Cringletie House, em Peeblesshire, na Escócia, onde Murray nasceu. Foto de Gordon Brown (Geograph), CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.

Aos onze anos e meio, foi mandado para um internato, e a casca religiosa se desfez. Dos doze aos vinte e nove anos de idade, Murray nunca dobrou os joelhos para orar nem abriu uma página da Bíblia. Entrou na carreira naval e viveu só para fazer a própria vontade, longe de Deus, aproveitando os prazeres da vida de oficial. Como o salmista diz dos ímpios, Deus simplesmente não entrava nos pensamentos dele (Salmo 10:4).

O fardo da reforma moral

Perto dos trinta anos, uma inquietação sem explicação começou a perturbar a rotina de Murray. Ele viu o vazio da própria vida e resolveu mudar. Voltou a ler a Bíblia todo dia e começou a cortar o que considerava pecado: deixou de ir a teatros e bailes e passou a viver numa rotina de autocontrole e moralidade.

Tentar se consertar sozinho, porém, só aumentou a angústia. Em vez da paz esperada, Murray sentiu um peso esmagador. Ele tentava agradar a Deus pelo dever, mas nunca tinha certeza de ter feito o suficiente. A religião sem Cristo virou um fardo insuportável: quanto mais ele se esforçava para ser bom, mais longe se sentia da aprovação de Deus.

A visita a Aberdeenshire

A virada veio quando Murray foi passar alguns dias na casa de uma prima em Aberdeenshire. A família costumava se reunir para orar e ler a Bíblia, hábito que no começo incomodava o comandante. Mas a leitura que a prima fez de alguns trechos da carta aos Efésios chamou a atenção dele de modo especial.

Ao subir para o quarto naquela noite, pegou a própria Bíblia e abriu no segundo capítulo de Efésios. Leu os primeiros versículos com o coração acelerado:

“E vós estáveis mortos em vossas ofensas e pecados […] Mas Deus, que é rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos deu vida juntamente com Cristo (pela graça sois salvos).”

(Efésios 2:1, 4-5, Bíblia Livre)

Murray viu ali a própria condição. Ele não era só um homem que precisava melhorar o comportamento; estava espiritualmente morto. Boas obras oferecidas a Deus com as mãos sujas de pecado não adiantavam de nada.

Salvação como presente

Logo em seguida, os olhos do comandante bateram em Efésios 2:8-9:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não por obras, para que ninguém tenha orgulho de si mesmo.”

(Efésios 2:8-9, Bíblia Livre)

A verdade ficou clara. A salvação não era pagamento pelo esforço humano, mas um presente que ninguém merecia, conquistado por Cristo na cruz e recebido pela fé, que também é dom de Deus. Naquele instante, Murray descansou. O peso de tentar salvar a si mesmo caiu dos ombros e deu lugar a uma alegria tão grande que, segundo ele, dava vontade de dançar.

O comandante da Marinha Real finalmente achou porto seguro. Pelo resto da vida, ele testemunhou aos amigos e companheiros de farda que a paz com Deus não nasce do esforço de cumprir regras, mas da graça que apareceu em Jesus Cristo.

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