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A. T. Schofield: a conversão de um médico de Harley Street

A História de Conversão de A. T. Schofield: Um Especialista de Harley Street

Diego Gonçalvesatualizado 4 min de leitura704 palavras

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Neste texto

O médico Alfred Taylor Schofield ficou conhecido em toda a Inglaterra como um grande especialista de Harley Street, o centro médico de Londres. Escreveu o clássico Nerves in Disorder e dezenas de tratados sobre medicina e psicologia da saúde. Só que a virada mais importante da vida dele não aconteceu num consultório famoso, mas num quarto de internato, quando tinha apenas quinze anos, na cidade de Rhyl, no norte do País de Gales.

O próprio Schofield contou a história em detalhes:

“Como um novo aluno na escola, subi as escadas para me preparar para o jantar e encontrei meu quarto. Havia duas camas, e o menino que ocuparia uma delas estava ocupado se vestindo. Ao me ouvir entrar, ele se virou e, depois de perguntar se eu era o novo aluno, disse sem mais rodeios: ‘Você é cristão?’ Eu respondi sem hesitação: ‘Não, eu não sou.’ O menino me encarou. ‘Mas você não gostaria de ser um?’ ele perguntou timidamente. ‘Não adianta gostar,’ eu disse com desdém, ‘sei bem que nunca serei cristão.’”

A Insônia no Dormitório

Naquela mesma noite, com um princípio de resfriado, o jovem Schofield foi pra cama mais cedo, enquanto os outros estudantes estavam numa reunião no andar de baixo. Quando o colega de quarto voltou, o novato fingiu que dormia, pra não ter que falar de religião de novo.

O colega se ajoelhou do lado da cama, orou em silêncio, deitou e pegou no sono na hora, um sono profundo. Schofield, não. Passou horas virando de um lado pro outro. Olhava pro rapaz descansando em paz e pensava: “É muito fácil para você dormir; você está bem com Deus, e eu estou completamente errado”. A calma do companheiro e a inquietação dele mesmo mantiveram ele acordado até quase duas da madrugada.

A Parábola do Remédio

Na quietude da madrugada, uma pergunta simples passou pela cabeça do rapaz: por que ele não conseguia descansar? Foi aí que ele pensou numa coisa bem prática:

“Veio à minha consciência a pergunta: ‘Por que você não aceita?’ E então veio minha ‘visão celestial’, que, afinal, era bem prosaica. ‘Aceitar o quê?’ eu disse; e enquanto eu estava deitado, vi em minha mente que estava muito doente com uma doença mortal, e ao lado da cama havia uma mesa com um frasco de remédio, que eu tinha certeza que me curaria. E lá estava eu perguntando: ‘Por que não estou curado? Por que não estou curado?’ E a resposta era: ‘Porque você não toma.’ ‘Minha nossa,’ eu disse, ‘se é só isso, vou logo ficar bem, porque tomar eu vou e agora.’

Percebi que minha doença era o meu estado espiritual, e que isso era a causa da minha inquietação. O remédio era claramente crer — crer verdadeiramente, pessoalmente em Cristo como meu Salvador. Ajoelhei-me na minha cama e solenemente, de coração, disse em voz alta: ‘Ó Deus, eu aceito Teu Filho Jesus Cristo como meu Salvador nesta noite.’ Sentindo que não podia fazer mais nada, adormeci em paz.”

A Confissão na Manhã Seguinte

Na manhã seguinte, quando desceu pro refeitório, os outros alunos já tinham saído e o diretor da escola estava sozinho à mesa. Com cara de preocupado, o professor disse: “Estávamos orando por você ontem à noite, Schofield; lamento saber que você não é cristão”.

Naquela hora o rapaz hesitou. Não queria criar confusão. Mas lembrou de Romanos 10:9: “Se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo”.

Ele já tinha crido de todo o coração na madrugada. Agora precisava assumir com a boca. E respondeu ao mestre: “Mas eu sou cristão”.

O diretor olhou pro menino espantado: “Você é cristão? Mas ontem você garantiu que não era!”. Schofield explicou com simplicidade: “Ontem à noite eu não era mesmo; me tornei por volta das duas horas da manhã”. Quando o diretor perguntou quem tinha falado com ele de madrugada, o garoto concluiu: “Ninguém da escola; só Deus”.

Aquela decisão silenciosa no internato foi o começo de uma vida inteira dedicada à medicina e ao testemunho do Evangelho na sociedade britânica.