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HistóriaConversões: histórias de fé28 de 83

Conversão de John Berridge: o vigário que largou as obras

A conversão de John Berridge, um vigário inglês excêntrico

Diego Gonçalvesatualizado 5 min de leitura925 palavras

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Neste texto

John Berridge foi um dos clérigos mais diferentes e mais queridos do avivamento evangélico inglês no século XVIII. Era amigo próximo de John Wesley e de George Whitefield. Formou-se com honras no Clare Hall, em Cambridge, e assumiu a paróquia de Everton, em Bedfordshire. Tinha fama de inteligente e de humor afiado. Nos primeiros anos de sacerdócio, pregou com muito zelo moral, mas sem colher fruto espiritual entre os paroquianos.

Retrato de John Berridge, vigário de Everton, com vestes clericais
Autor desconhecido, Retrato de John Berridge, M.A., c. 1793. Coleção de Retratos Galeses, Biblioteca Nacional do País de Gales. Domínio público, via Wikimedia Commons.

O próprio Berridge explicou o motivo numa carta aberta, muito honesta, em que descreveu a virada que viveu por volta dos quarenta anos:

“O que pretendo nesta carta é contar o que o Senhor fez recentemente por minha alma. Para isso, é necessário relatar como vivi desde a minha juventude até este momento.

Quando eu tinha cerca de catorze anos, Deus me fez ver que eu era um pecador e que precisava nascer de novo para entrar no Seu Reino. Comecei então a ler a Bíblia, a orar e a vigiar meus passos, achando que estava fazendo um progresso notável na religião. Continuei nesse ritmo até pouco tempo atrás. Eu pensava estar no caminho certo para o Céu, embora estivesse completamente fora dele; imaginava estar viajando rumo a Sião, embora nunca tivesse voltado o meu coração para lá. Na verdade, Deus tentava me mostrar o meu erro não abençoando o meu ministério; mas eu não dava importância a isso, culpando a dureza de coração dos meus ouvintes em vez de enxergar a falsidade da doutrina antibíblica que eu mesmo pregava.”

A Ilusão da Justiça Própria

Berridge explicou em que consistia esse erro:

“Você pode perguntar: qual era essa doutrina? Era a mesma que todo homem sustenta naturalmente enquanto não foi regenerado: a ideia de que somos justificados em parte pela fé e em parte pelas nossas boas obras. Preguei esse engano por seis anos na primeira paróquia em que servi. Embora me esforçasse ao máximo e exigisse santidade do povo a cada sermão, os paroquianos continuavam tão mundanos quanto antes, e nenhuma alma foi levada a Cristo. Havia um pouco mais de formalismo e boas maneiras no vilarejo, mas nada do poder de Deus.”

“Cessa das Tuas Próprias Obras”

A crise de consciência veio num Natal, em meados da década de 1750 (as fontes divergem quanto ao ano exato):

“Dúvidas profundas começaram a me atormentar. Certa manhã, sentado em meu gabinete e meditando num texto bíblico, uma frase foi lançada à minha mente com a força de uma voz do Céu: ‘Cessa das tuas próprias obras!’.

Até aquele segundo, eu estava tranquilo; assim que ouvi aquelas palavras, minha alma foi sacudida por uma tempestade e as lágrimas desceram como torrente. As escamas caíram dos meus olhos e vi claramente a rocha contra a qual havia me arrebentado por quase trinta anos: uma confiança secreta nas minhas próprias obras para alcançar a salvação.”

A Balança da Culpa

Berridge resumiu esse erro com uma imagem simples:

“Eu esperava ser salvo em parte por meus méritos e em parte pelo sacrifício de Cristo; em parte pelo meu esforço e em parte pela misericórdia de Deus — embora a Bíblia afirme com clareza em Efésios 2:8-9 que somos salvos pela graça mediante a fé, e não por obras. Eu esperava fazer a minha paz com Deus pela minha obediência à lei, embora Romanos 5:1 nos ensine que a paz só é alcançada pela fé.

Em resumo: eu colocava a justiça santa de Deus num dos pratos da balança e tantas boas obras minhas quanto podia no outro prato. E quando percebia — como sempre percebia — que as minhas obras não equilibravam a balança divina, então jogava Cristo no prato como um contrapeso para completar a diferença! É exatamente isso o que faz todo aquele que tenta fazer o que pode por si mesmo e confia em Cristo apenas para suprir o resto.

Foi somente quando abandonei completamente as minhas obras, enxergando-as como trapos imprestáveis, e descansei unicamente na obra consumada do Redentor na cruz, que aprendi o que significa ter paz com Deus por meio de Jesus Cristo.”

O Epitáfio em Everton

Depois da conversão, a igreja de Everton ficou pequena demais para as multidões que vinham ouvir sobre a graça, e Berridge passou a pregar ao ar livre por toda a região.

Antes de morrer, em 1793, o vigário escreveu o próprio epitáfio e mandou gravar na lápide:

Aqui jazem os restos mortais de JOHN BERRIDGE,
Antigo vigário de Everton e servo itinerante de Jesus Cristo,
Que amava o seu Senhor e a sua obra,
E após cumprir suas tarefas por muitos anos,
Foi chamado para estar com Ele nas alturas.
Leitor, você nasceu de novo?
Não há salvação sem um Novo Nascimento!
Nascido em pecado: fevereiro de 1716.
Permanecendo ignorante de meu estado caído até 1730.
Vivendo orgulhosamente da fé e das obras para a salvação até 1754.
Admitido à Vigararia de Everton: 1755.
Fugi para Jesus sozinho como refúgio: 1756.
Adormeci em Cristo: 22 de janeiro de 1793.

As datas do epitáfio aparecem com pequenas variações nas fontes. Berridge nasceu em 1716 e assumiu a vigararia de Everton em 1755.

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