
HistóriaConversões: histórias de fé12 de 65
Conversão de John Berridge: o vigário que largou as obras
A Conversão de John Berridge - Um Vigário Inglês Excêntrico
John Berridge foi um dos clérigos mais diferentes e mais queridos do avivamento evangélico inglês no século XVIII. Era amigo próximo de John Wesley e de George Whitefield. Se formou com honras no Clare Hall, em Cambridge, e assumiu a paróquia de Everton, em Bedfordshire. Tinha fama de inteligente e de humor afiado. Nos primeiros anos de sacerdócio, pregou com muito zelo moral, só que sem colher fruto espiritual nenhum entre os paroquianos.
O próprio Berridge explicou o motivo disso numa carta aberta, muito honesta, em que descreveu a virada que viveu por volta dos quarenta anos:
“O que pretendo nesta carta é contar o que o Senhor fez recentemente por minha alma. Para isso, é necessário relatar como vivi desde a minha juventude até este momento.
Quando eu tinha cerca de catorze anos, Deus me fez ver que eu era um pecador e que precisava nascer de novo para entrar no Seu Reino. Comecei então a ler a Bíblia, a orar e a vigiar meus passos, achando que estava fazendo um progresso notável na religião. Continuei nesse ritmo até pouco tempo atrás. Eu pensava estar no caminho certo para o Céu, embora estivesse completamente fora dele; imaginava estar viajando rumo a Sião, embora nunca tivesse voltado o meu coração para lá. Na verdade, Deus tentava me mostrar o meu erro não abençoando o meu ministério; mas eu não dava importância a isso, culpando a dureza de coração dos meus ouvintes em vez de enxergar a falsidade da doutrina antibíblica que eu mesmo pregava.”
A Ilusão da Justiça Própria
Berridge explicou em que consistia esse erro:
“Você pode perguntar: qual era essa doutrina? Era a mesma que todo homem sustenta naturalmente enquanto não foi regenerado: a ideia de que somos justificados em parte pela fé e em parte pelas nossas boas obras. Preguei esse engano por seis anos na primeira paróquia em que servi. Embora me esforçasse ao máximo e exigisse santidade do povo a cada sermão, os paroquianos continuavam tão mundanos quanto antes, e nenhuma alma foi levada a Cristo. Havia um pouco mais de formalismo e boas maneiras no vilarejo, mas nada do poder de Deus.”
“Cessa das Tuas Próprias Obras”
A crise de consciência veio num Natal, em meados da década de 1750 (as fontes divergem quanto ao ano exato):
“Dúvidas profundas começaram a me atormentar. Certa manhã, sentado em meu gabinete e meditando num texto bíblico, uma frase foi lançada à minha mente com a força de uma voz do Céu: ‘Cessa das tuas próprias obras!’.
Até aquele segundo, eu estava tranquilo; assim que ouvi aquelas palavras, minha alma foi sacudida por uma tempestade e as lágrimas desceram como torrente. As escamas caíram dos meus olhos e vi claramente a rocha contra a qual havia me arrebentado por quase trinta anos: uma confiança secreta nas minhas próprias obras para alcançar a salvação.”
A Balança da Culpa
Berridge resumiu esse erro com uma imagem simples:
“Eu esperava ser salvo em parte por meus méritos e em parte pelo sacrifício de Cristo; em parte pelo meu esforço e em parte pela misericórdia de Deus — embora a Bíblia afirme com clareza em Efésios 2:8-9 que somos salvos pela graça mediante a fé, e não por obras. Eu esperava fazer a minha paz com Deus pela minha obediência à lei, embora Romanos 5:1 nos ensine que a paz só é alcançada pela fé.
Em resumo: eu colocava a justiça santa de Deus num dos pratos da balança e tantas boas obras minhas quanto podia no outro prato. E quando percebia — como sempre percebia — que as minhas obras não equilibravam a balança divina, então jogava Cristo no prato como um contrapeso para completar a diferença! É exatamente isso o que faz todo aquele que tenta fazer o que pode por si mesmo e confia em Cristo apenas para suprir o resto.
Foi somente quando abandonei completamente as minhas obras, enxergando-as como trapos imprestáveis, e descansei unicamente na obra consumada do Redentor na cruz, que aprendi o que significa ter paz com Deus por meio de Jesus Cristo.”
O Epitáfio em Everton
Depois da conversão dele, a igreja de Everton ficou pequena demais pras multidões que vinham ouvir sobre a graça, e Berridge passou a pregar ao ar livre por toda a região.
Antes de morrer, em 1793, o vigário escreveu o próprio epitáfio e mandou gravar na lápide:
Aqui jazem os restos mortais de JOHN BERRIDGE,
Antigo vigário de Everton e servo itinerante de Jesus Cristo,
Que amava o seu Senhor e a sua obra,
E após cumprir suas tarefas por muitos anos,
Foi chamado para estar com Ele nas alturas.
Leitor, você nasceu de novo?
Não há salvação sem um Novo Nascimento!
Nascido em pecado: fevereiro de 1716.
Permanecendo ignorante de meu estado caído até 1730.
Vivendo orgulhosamente da fé e das obras para a salvação até 1754.
Admitido à Vigararia de Everton: 1751.
Fugi para Jesus sozinho como refúgio: 1756.
Adormeci em Cristo: 22 de janeiro de 1793.
As datas do epitáfio aparecem com pequenas variações nas fontes. Berridge nasceu em 1716 e assumiu a vigararia de Everton em 1755.
- Biografia
- Blog
- Conversões
- Personagens
- Graça
- Avivamento