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HistóriaReforma Protestante112 de 128

John Bunyan: a conversão do funileiro de Bedford

Uma Mudança Radical: A História da Conversão de John Bunyan

Diego Gonçalvesatualizado 5 min de leitura1.073 palavras

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Neste texto

Poucos livros influenciaram tanto o imaginário cristão quanto O Peregrino. O clássico de John Bunyan foi traduzido para centenas de línguas e mostra com muita precisão o caminho da alma, desde a Cidade da Destruição até a entrada na Cidade Celestial. Só que a caminhada do próprio Bunyan começou na lama de Bedford, onde um funileiro brigão foi despertado por uma conversa que ele ouviu por acaso no meio da rua.

Mulheres pobres na soleira da porta

Quando era jovem, Bunyan era conhecido pelo gênio esquentado, pela boca suja e pela mania de blasfemar até deixar incomodados os próprios companheiros de taberna. Serviu no exército parlamentar durante a Guerra Civil Inglesa. Depois casou e tentou melhorar de vida consertando tachos e panelas velhas.

Gravura em preto e branco com o retrato de John Bunyan, de busto, em moldura oval
Autor desconhecido, Retrato de John Bunyan, gravura de 1783. Rijksmuseum, Amsterdã. CC0, via Wikimedia Commons.

Um dia, andando por Bedford atrás de serviço, ele passou por uma porta onde estavam sentadas, ao sol, “três ou quatro mulheres pobres” conversando sobre as coisas de Deus. Bunyan chegou perto para ouvir e levou um susto. Em Graça abundante para o principal dos pecadores (1666), ele conta o que ouviu: elas falavam de um novo nascimento, da obra de Deus no coração delas, de como tinham sido convencidas da própria miséria e de como Deus as tinha visitado com o seu amor em Jesus Cristo. Falavam com tanta alegria e tanta naturalidade que, nas palavras dele, pareciam ter encontrado um mundo novo.

Bunyan ficou parado. Aquelas mulheres não estavam repetindo reza decorada nem discutindo regra de paróquia: falavam de Deus como quem o conhecia. Ele voltou outras vezes para ouvi-las, e por elas chegou ao pastor John Gifford, líder de uma congregação dissidente na cidade.

O engano da reforma moral

No começo, Bunyan tentou resolver a angústia reformando a conduta por fora. Parou de praguejar, começou a ir aos cultos e passou a cumprir os mandamentos com um rigor fanático. Os vizinhos se admiraram com a mudança e passaram a apontar Bunyan como modelo de virtude.

Só que por dentro a angústia continuava. Bunyan sabia que estava só pintando a parede de uma casa em ruínas. Era a justiça própria, que a Escritura diz que não salva: o ser humano é justificado pela fé, sem as obras da lei (Romanos 3:28).

Ele mesmo confessou depois:

“Se eu tivesse morrido naquela época, meu estado teria sido o mais terrível possível. Eu estava tentando construir o meu próprio caminho para o céu por meio das obras.”

A consciência acusava cada falha e cada pensamento impuro. Não havia paz, nem certeza de perdão.

A luz de Hebreus 12

A paz chegou anos depois, por uma passagem que ele não esperava. Ainda atormentado pela dúvida, Bunyan conta em Graça abundante que as palavras de Hebreus 12 lhe vieram à mente com força:

“Mas vós chegastes ao monte Sião, à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos, à universal congregação e igreja dos primogênitos inscritos nos Céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos já aperfeiçoados; e a Jesus, o Mediador de um Novo Testamento, e ao sangue da aspersão, que fala melhor coisa que o de Abel.”

(Hebreus 12:22-24, Bíblia Livre)

Cheio de alegria, ele disse à esposa: “Agora eu sei, agora eu sei!”. E escreveu que aquela foi uma boa noite, como poucas que teve na vida.

O Mediador já tinha feito a paz. O sangue da aspersão tinha quitado a dívida do pecador, e não havia mais condenação para quem estava refugiado em Cristo (Romanos 8:1). Bunyan descobriu a salvação pela graça, mediante a fé, somente em Cristo.

Anos depois, Bunyan passou doze anos preso na cadeia de Bedford por se recusar a parar de pregar. Foi lá, segundo a tradição, que ele pegou pena e papel e escreveu O Peregrino. O mundo inteiro aprendeu o caminho da cruz por meio de um funileiro que um dia parou numa calçada ensolarada para ouvir mulheres pobres falarem da graça de Deus.

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