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HistóriaReforma Protestante2 de 59

O que nós esquecemos sobre a Reforma Protestante

O que esquecemos sobre a Reforma

Diego Gonçalves2 min de leitura482 palavras

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Muita gente trata a Reforma Protestante do século XVI como um capítulo empoeirado dos livros de história, uma disputa territorial entre príncipes alemães e a cúria romana. Só que reduzir aquele terremoto cultural e espiritual a uma briga política é perder o ponto central do que aconteceu. A Reforma foi um raio cortando o céu da Europa porque tocou a maior necessidade da alma humana: o reencontro com a graça de Deus, sem pedágios clericais.

Na época em que Martinho Lutero afixou suas noventa e cinco teses na porta da igreja de Wittenberg, a Igreja de Roma parecia inabalável. Dominava reinos, cobrava tributos em todo o continente e controlava a consciência das pessoas vendendo o perdão divino por meio de cartas de indulgência.

Retrato de Martinho Lutero pintado por Lucas Cranach, o Velho, em 1528: o reformador de barrete escuro e vestes de pregador
Lucas Cranach, o Velho, Retrato de Martinho Lutero, 1528. Veste Coburg, Alemanha. Domínio público, via Wikimedia Commons.

E bastou a voz de um monge angustiado, que não tinha exército nem dinheiro, para fazer aquela estrutura inteira tremer nas bases. A explicação para uma transformação tão rápida e profunda não está na astúcia humana, mas no poder da própria mensagem do evangelho, redescoberta nas Escrituras.

Hoje, séculos depois, assistimos a um espetáculo curioso. De um lado, há quem busque refúgio na solenidade do catolicismo tradicional, seduzido pela pompa litúrgica, mas ignorando que o sistema do papado político continua preso às mesmas pretensões de poder que sufocaram o evangelho no passado. Do outro lado, boa parte do protestantismo moderno perdeu a sua força profética, transformando-se num moralismo aguado, num racionalismo frio ou numa indústria de entretenimento gospel que não sacia a fome de ninguém.

A história da Reforma nos lembra uma verdade elementar: a renovação espiritual nunca nasce de reformas administrativas nem de acordos de cúpula. Ela começa quando homens e mulheres se rendem à autoridade da Palavra de Deus e voltam à fonte inesgotável da fé, que é a pessoa e a obra de Jesus Cristo.

Os reformadores não pretendiam inventar uma nova religião nem criar um clube exclusivo para os seus seguidores. Queriam resgatar o evangelho da justificação pela fé somente, o mesmo que Paulo escreveu aos efésios:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não por obras, para que ninguém tenha orgulho de si mesmo.”

(Efésios 2:8-9, Bíblia Livre)

O desafio que fica para os nossos dias é se vamos nos contentar com cascas institucionais vazias ou se teremos a coragem de viver a mesma fé viva que um dia incendiou o mundo.