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EstudosReforma Protestante6 de 128

Conversão de Pedro Valdo: o comerciante de Lyon e a Bíblia

A Conversão de Pedro Valdo

Diego Gonçalvesatualizado 3 min de leitura622 palavras

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Neste estudo

No século XII, muito antes de Lutero ou Calvino, já brotava na Europa medieval a semente de um retorno às Escrituras. No centro desse movimento esteve Pedro Valdo, um comerciante rico da cidade de Lyon, na França, e o nome dele acabou ligado aos valdenses.

O banquete interrompido pela morte

Por volta de 1173, Valdo levava a vida típica da elite mercantil de Lyon. Os negócios iam bem, os lucros cresciam e as preocupações espirituais ficavam em segundo plano, abafadas pelo luxo e pela vida social.

Conta a tradição que, certa noite, ele jantava com outros cidadãos ricos e participava de jogos e diversões quando um dos homens presentes caiu morto no chão, de repente, diante de todos. A festa parou. Para a maioria dos convidados, foi só um acidente trágico, logo esquecido. Para Valdo, foi o primeiro golpe na sua ilusão de segurança. A morte repentina mostrou como a vida é frágil e pôs diante dos seus olhos o juízo eterno, do qual ninguém escapa.

Gravura de Pedro Valdo, comerciante de Lyon, segundo a estátua do monumento a Lutero em Worms
Escola alemã anônima, Pedro Valdo, fundador do movimento cristão medieval dos valdenses, século XIX (esboço da estátua de Worms, Alemanha). Domínio público, via Wikimedia Commons.

A canção do trovador e o conselho das Escrituras

Segundo a mesma tradição, pouco tempo depois, num domingo, Valdo andava pelas ruas de Lyon quando ouviu um menestrel peregrino, um cantor que ia de cidade em cidade. O trovador cantava a história de Santo Aleixo, um jovem romano que tinha largado a herança e o conforto da família para viver desapegado do mundo, em busca de Deus.

O contraste com a própria vida de acúmulo mexeu com Valdo. Convidou o cantor a ir até a sua casa e ouviu a mensagem com calma. O incômodo na consciência só aumentou.

Angustiado com o destino da alma, procurou um teólogo da cidade para saber que caminho seguir para agradar a Deus. A resposta veio direto do Evangelho, com as palavras de Jesus ao jovem rico: “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois, vem e segue-me” (Mateus 19:21).

Desapego radical e a Palavra na língua do povo

Muita gente ouvia esse conselho em sentido figurado. Valdo levou a sério a exigência de Cristo. Primeiro, garantiu o sustento da esposa e separou uma parte dos recursos para o futuro das filhas. Depois, distribuiu o restante da imensa fortuna entre os necessitados de Lyon e deu comida aos famintos numa época de muita escassez. Não fez isso para comprar a salvação, que é dom da graça de Deus recebido pela fé (Efésios 2:8-9); fez como fruto de um coração que se rendera a Cristo.

Só que a maior iniciativa de Valdo foi outra. Ele percebeu que o povo comum vivia na mais completa ignorância bíblica, porque os textos sagrados estavam trancados no latim da igreja institucional. Então contratou estudiosos para traduzir os Evangelhos e outros livros da Bíblia para a língua que o povo falava na região.

Com a Bíblia nas mãos e o coração livre da avareza, Pedro Valdo e seus companheiros, que ficaram conhecidos como os “Pobres de Lyon”, começaram a pregar o Evangelho em praça pública. A hierarquia da igreja tentou calar o grupo e logo expulsou todos eles, mas a semente plantada pela conversão daquele comerciante continuou viva nos vales dos Alpes por séculos.

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