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HistóriaConversões: histórias de fé32 de 83

Henry Martyn: o missionário que traduziu o Novo Testamento

Henry Martyn: Um Pioneiro Persa

Diego Gonçalvesatualizado 4 min de leitura817 palavras

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Neste texto

Poucas biografias missionárias passam um senso de urgência tão forte quanto a de Henry Martyn. Ele nasceu na Cornualha, em 1781, e viveu só trinta e um anos. Tinha o corpo franzino, a saúde delicada e um temperamento reservado. Mesmo assim, antes de a tuberculose acabar com a vida dele numa cidadezinha no interior da Turquia, traduziu o Novo Testamento para o urdu e para o persa, supervisionou a versão em árabe e abriu as Escrituras a povos inteiros no Oriente Médio e no sul da Ásia.

O brilho acadêmico em Cambridge

Martyn era filho de um minerador que subiu na vida até virar chefe de escritório comercial em Truro. Desde muito cedo, mostrou uma inteligência fora do comum. Aos dezesseis anos entrou no St John’s College, em Cambridge, e se dedicou com afinco à matemática e aos clássicos.

Retrato de Henry Martyn, missionário anglicano, em pintura do século 19
Henry Martyn (1781–1812), retrato do século 19, autoria desconhecida, Universidade de Cambridge. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Aos vinte anos, ganhou a maior honra acadêmica da universidade britânica: o título de Senior Wrangler, além do cobiçado prêmio Smith. Era reconhecido como uma das mentes mais brilhantes da geração dele, com um futuro garantido nas cátedras da universidade ou nos tribunais de Londres.

Mas, no auge do sucesso, veio o vazio. Ele mesmo confessou mais tarde que, com os prêmios nas mãos, percebeu que tinha conquistado só um punhado de fumaça.

O pai dele morreu de repente. Somadas as cartas piedosas da irmã mais nova, a morte levou o jovem matemático a buscar refúgio na Bíblia. Martyn passou a frequentar a igreja de Holy Trinity, em Cambridge, onde ouvia as pregações de Charles Simeon, um dos maiores líderes evangélicos da Inglaterra na época. Ali Martyn entendeu a mensagem da cruz: a salvação não era uma fórmula racional, mas dom da graça de Deus, recebido pela fé em Cristo (Efésios 2:8), com a entrega total da alma a Ele.

O chamado e a renúncia ao conforto

Martyn leu o diário de David Brainerd, o jovem que tinha morrido entre os indígenas da América do Norte, e a leitura o abalou. Sentiu que não podia gastar a vida só juntando honrarias acadêmicas na Inglaterra. Largou a carreira jurídica e o noivado com a mulher que amava para se dedicar aos campos missionários do Oriente.

Em 1805, já ordenado pastor anglicano e nomeado capelão da Companhia das Índias Orientais, embarcou para a Índia.

A viagem de navio durou quase dez meses e foi exaustiva, mas, ao chegar em Calcutá, Martyn não perdeu tempo. Procurou os missionários batistas de Serampore, liderados por William Carey, e pôs a mente privilegiada a serviço das línguas locais. Sob um calor sufocante e com febres constantes, trabalhou horas a fio até terminar a tradução do Novo Testamento para o hindustâni (urdu), uma das principais línguas da Índia.

Em Shiraz: confrontando a erudição persa

A fragilidade dos pulmões, porém, deixava o clima da Índia cada vez mais perigoso para ele. Martyn precisava de um ar mais seco. Em 1811, partiu para a Pérsia, o atual Irã, para revisar a versão persa do Novo Testamento junto com os eruditos de lá.

Foi morar em Shiraz, cidade histórica, berço dos poetas persas. Vestia roupa local e vivia numa tenda simples. Passou um ano inteiro debatendo com clérigos muçulmanos e mestres sufis. Muitos europeus da época tratavam os orientais com arrogância imperial, mas Martyn impressionava quem conversava com ele pelo respeito, pela mansidão e pelo domínio perfeito da língua persa.

Terminada a tradução do Novo Testamento e dos Salmos num persa elegante, ele conseguiu enviá-la ao Xá da Pérsia, Fath-Ali Shah Qajar, que recebeu o texto com apreço.

A última cavalgada em Tokat

Com o corpo arrasado pela tuberculose e por febres sem fim, Martyn começou a longa viagem de volta à Inglaterra, passando pela Armênia e pela Turquia otomana. Foi a cavalo, sob o sol escaldante durante o dia e do frio congelante das noites da Anatólia. Sofreu abusos do guia turco e chegou ao limite do esgotamento.

Em 16 de outubro de 1812, aos 31 anos, não aguentou mais. Morreu na cidade de Tokat, onde clérigos armênios deram a ele sepultura cristã.

Logo que chegou à Índia, em 1806, tinha escrito no diário uma frase que resume bem a passagem dele pela terra: “Que eu queime até o fim por Deus”. Henry Martyn não viveu para ver os frutos das páginas que traduziu. Mas a vida curta dele provou que o valor de uma vida não se mede pelo tempo que ela dura, mas pela causa a que ela se entrega.

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