AssineApoie

HistóriaConversões: histórias de fé50 de 65

Charles Finney: a conversão do jovem advogado cético

A Conversão de Charles G. Finney: O Pai dos Avivalistas

Diego Gonçalvesatualizado 3 min de leitura588 palavras

Leitura automática pelo seu navegador; pode haver erros de pronúncia.

Áudio em preparo — assine para ser avisado

Neste texto

Charles Grandison Finney foi uma das figuras mais marcantes dos grandes avivamentos religiosos do século XIX nos Estados Unidos. Só que, antes de passar décadas viajando e chamando multidões ao arrependimento, Finney era um jovem estudante de direito cético, de raciocínio afiado e totalmente alheio à fé cristã.

Em 1818, aos 26 anos, entrou no escritório de advocacia de Benjamin Wright, na cidadezinha de Adams, estado de Nova York. Nas Memórias, descreveu assim a condição espiritual dele na época:

“Eu era quase tão ignorante sobre religião quanto um pagão. Fui criado nas florestas do interior, tinha pouquíssimo respeito pelo domingo e nenhum conhecimento claro das verdades bíblicas.”

O Ceticismo de um Estudante de Direito

Estudando os tratados jurídicos clássicos, Finney encontrou citações frequentes das leis de Moisés e resolveu comprar uma Bíblia pra consultar as fontes da legislação. Passou a frequentar os cultos da igreja presbiteriana local, pra observar os costumes e analisar a lógica dos sermões.

Com olhar crítico, logo viu uma contradição gritante entre o que os crentes oravam e a vida que levavam. Numa conversa franca com membros da igreja, soltou com frieza:

— Vocês já oraram o suficiente desde que cheguei a esta cidade para expulsar o diabo daqui, se houvesse algum poder real nas suas orações. No entanto, vocês continuam se queixando da própria fraqueza e nada muda ao redor.

Só que, ao examinar as Escrituras com rigor de jurista, Finney percebeu que as promessas bíblicas de resposta à oração dependiam de fé sincera e de coração obediente, coisas que faltavam naquela religiosidade de fachada. Isso derrubou as desculpas intelectuais dele e deixou ele numa encruzilhada: abraçar a Cristo ou seguir uma carreira de pura ambição pessoal.

A Decisão no Bosque

Numa manhã de outono de 1821, a inquietação interior chegou ao limite. Sem conseguir se concentrar nos processos do escritório, Finney caminhou sozinho até um bosque perto da vila pra buscar a Deus em segredo. Achou um canto isolado entre troncos de árvores caídas e tentou se ajoelhar pra orar.

Na hora em que se curvou, bateu o medo de alguém passar por perto e ver ele naquela posição humilhante. O orgulho quase fez ele desistir. Ali mesmo, envergonhado de ligar mais pra opinião dos homens do que pro juízo de Deus, lembrou de Jeremias 29:13: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração”.

Finney quebrou o próprio orgulho, chorou confessando as culpas e descansou por inteiro na promessa da graça. À noite, sozinho no escritório, teve uma experiência tão viva do amor de Cristo que passou horas chorando de alívio e gratidão.

O Primeiro Avivamento

No dia seguinte, um cliente entrou no escritório querendo saber como andava uma causa que ia ser julgada naquela manhã. Finney respondeu com calma:

— O senhor precisará contratar outro advogado. Hoje eu recebi uma procuração do Senhor Jesus Cristo para defender a causa dele, e não posso mais pleitear a sua.

A notícia de que o jovem cético da cidade tinha se convertido correu pela região. Ninguém acreditava. À noite, uma multidão lotou o templo presbiteriano esperando ouvir alguma explicação irônica. Finney foi à frente e, sem floreio, explicou como o Evangelho tinha desarmado a incredulidade dele. O testemunho tocou tanto a comunidade que deu início a um despertamento espiritual em toda a região de Nova York, e começou ali um ministério evangelístico que ia durar até a década de 1870.