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Charles Finney: a conversão do jovem advogado cético
A conversão de Charles G. Finney: o pai dos avivalistas
Charles Grandison Finney foi uma das figuras mais marcantes dos grandes avivamentos religiosos do século XIX nos Estados Unidos. Antes de passar décadas viajando e chamando multidões ao arrependimento, Finney era um jovem estudante de direito cético, de raciocínio afiado e alheio à fé cristã.
Em 1818, aos 26 anos, entrou no escritório de advocacia de Benjamin Wright, na cidadezinha de Adams, estado de Nova York. Nas Memórias, ele descreveu assim a própria condição espiritual na época:
“Eu era quase tão ignorante sobre religião quanto um pagão. Fui criado nas florestas do interior, tinha pouquíssimo respeito pelo domingo e nenhum conhecimento claro das verdades bíblicas.”
O ceticismo de um estudante de direito
Estudando os tratados jurídicos clássicos, Finney encontrou citações frequentes das leis de Moisés e resolveu comprar uma Bíblia para consultar as fontes da legislação. Passou a frequentar os cultos da igreja presbiteriana local, para observar os costumes e analisar a lógica dos sermões.
Com olhar crítico, logo viu uma contradição gritante entre o que os crentes oravam e a vida que levavam. Numa conversa franca com membros da igreja, soltou com frieza:
— Vocês já oraram o suficiente desde que cheguei a esta cidade para expulsar o diabo daqui, se houvesse algum poder real nas suas orações. No entanto, vocês continuam se queixando da própria fraqueza e nada muda ao redor.
Ao examinar as Escrituras com rigor de jurista, Finney percebeu que as promessas bíblicas de resposta à oração dependiam de fé sincera e de coração obediente, coisas que faltavam naquela religiosidade de fachada. Isso derrubou as desculpas intelectuais dele e o deixou numa encruzilhada: abraçar a Cristo ou seguir uma carreira de pura ambição pessoal.
A decisão no bosque
Numa manhã de outono de 1821, a inquietação interior chegou ao limite. Sem conseguir se concentrar nos processos do escritório, Finney caminhou sozinho até um bosque perto da vila para buscar a Deus em segredo. Achou um canto isolado entre troncos de árvores caídas e tentou se ajoelhar para orar.
No momento em que se curvou, teve medo de que alguém passasse por perto e o visse naquela posição humilhante. O orgulho quase o fez desistir. Ali mesmo, envergonhado de ligar mais para a opinião dos homens do que para o juízo de Deus, lembrou-se de Jeremias 29:13: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração”.
Finney quebrou o próprio orgulho, chorou confessando as culpas e descansou por inteiro na promessa da graça, e não em mérito próprio. À noite, sozinho no escritório, teve uma experiência tão viva do amor de Cristo que passou horas chorando de alívio e gratidão.
O primeiro avivamento
No dia seguinte, um cliente entrou no escritório querendo saber como andava uma causa que ia ser julgada naquela manhã. Finney respondeu com calma:
— O senhor precisará contratar outro advogado. Hoje eu recebi uma procuração do Senhor Jesus Cristo para defender a causa dele, e não posso mais pleitear a sua.
A notícia de que o jovem cético da cidade tinha se convertido correu pela região. Ninguém acreditava. À noite, uma multidão lotou o templo presbiteriano esperando ouvir alguma explicação irônica. Finney foi à frente e explicou com simplicidade como o Evangelho tinha desarmado a incredulidade dele. O testemunho tocou tanto a comunidade que deu início a um despertamento espiritual em toda a região de Nova York, e começou ali um ministério evangelístico que ia durar até a década de 1870.
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