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Conversão de John Parnell: do barão irlandês a Bagdá
A conversão de John Parnell: um senhorio irlandês que encontrou a verdade em Cristo
John Vesey Parnell, que mais tarde herdaria o título de 2º Barão Congleton na nobreza britânica, nasceu em 1805, numa família anglo-irlandesa. Era de berço aristocrático, mas largou os privilégios da alta sociedade e boa parte da fortuna para ser pioneiro do trabalho missionário em Bagdá, na Mesopotâmia, na década de 1830. A devoção dele ao Evangelho nasceu, conforme o relato mais conhecido, de uma crise de justiça própria na juventude.
A placa sobre a lareira
Nos anos em que cursou a faculdade em Edimburgo, Parnell dividia o tempo entre os estudos e a rotina vazia de bailes, banquetes e recepções da aristocracia. Por trás da aparência de respeitabilidade, sentia uma angústia constante por causa dos pecados. Toda semana decidia mudar de vida, mas as boas intenções duravam só alguns dias.
Desesperado para manter uma conduta correta, teve, conta-se, uma ideia extrema. Comprou um exemplar do Novo Testamento, recortou com uma tesoura todos os mandamentos morais e exortações práticas que encontrou e colou tudo, com cuidado, numa placa de madeira em cima da lareira do quarto. Achava que, lendo aquelas ordens todo dia ao acordar, venceria os maus hábitos.
Deu em frustração total. A lista colada na lareira só servia para acusá-lo e lembrar, a cada tropeço, a distância enorme entre conhecer a lei de Deus e ter força no coração para cumprir.
A cópia da carta aos Romanos
Um amigo cristão percebeu que o jovem aristocrata estava à beira do desespero, tentando chegar à perfeição moral por esforço próprio, e deu um conselho sábio: em vez de colecionar regras soltas, que ele sentasse e estudasse a carta aos Romanos do começo ao fim.
Parnell decidiu seguir a orientação com método. Pegou papel e caneta e começou a copiar a carta de Paulo à mão, versículo por versículo, decidido a entender a lógica do argumento. Quando chegou ao versículo 8 do capítulo 8, leu:
“Portanto, os que permanecem na carne não podem agradar a Deus.”
(Romanos 8:8, Bíblia Livre)
Aquelas palavras atingiram o estudante. Ele largou a pena e pensou:
“Se um homem no seu estado natural não pode agradar a Deus, de que adiantam todas as minhas tentativas, minhas resoluções e meus jejuns? Se nada do que eu faço pode me tornar aceitável diante de um Deus santo, como posso ser salvo?”
Naquele mesmo instante, a justificação pela fé, que Paulo desenvolve nos capítulos anteriores da carta, clareou a mente dele: ele não podia agradar a Deus pelas próprias forças, mas Jesus Cristo já tinha agradado ao Pai com perfeição absoluta. O Evangelho não exigia que o pecador fabricasse a própria justiça, mas que recebesse de presente a justiça de Cristo, que morreu na cruz em seu lugar. Parnell entendeu que a paz com Deus (Romanos 5:1) se apoia só naquilo que o Salvador fez e sofreu por ele.
“Eu não abri mão de nada”
Ao experimentar o descanso da graça, a vida de Parnell mudou de direção. Ele arrancou a lista da lareira e passou a falar com paixão, a parentes e colegas, sobre a suficiência do sacrifício de Cristo.
Quando conhecidos dos círculos nobres vieram cobrar dele, perguntando com ironia se não tinha sido duro demais “abrir mão de tantos privilégios e prazeres” para seguir a religião, Parnell respondeu com um sorriso tranquilo:
“Abrir mão? Não. Eu não abri mão de absolutamente nada; eu ganhei tudo.”
Em 1830, juntou-se a Anthony Norris Groves e viajou milhares de quilômetros rumo ao Oriente Médio, para estabelecer uma missão em Bagdá. Enfrentou a peste e a instabilidade da cidade, e sua estada ali foi breve: voltou à Inglaterra poucos anos depois. Nas décadas seguintes continuou a servir a Cristo e à igreja, até falecer em 23 de outubro de 1883.
Fontes
- Biografia
- Blog
- Conversões
- Personagens
- Missões
- Graça