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Conversão de George Whitefield: do jejum ao novo nascimento
A Conversão de George Whitefield - Um Famoso Pregador dos Tempos Antigos
George Whitefield foi a voz mais forte do Grande Despertamento espiritual que sacudiu a Grã-Bretanha e as colônias americanas no século XVIII. Era amigo íntimo dos irmãos John e Charles Wesley. Pregava ao ar livre pra multidões que chegavam a trinta mil pessoas, e a oratória dele comovia desde mineiros de carvão até céticos como Benjamin Franklin. Só que a história dele começou nos fundos de uma hospedaria da família, com uma tentativa desesperada de alcançar a salvação à força de sacrifício.
Whitefield nasceu em 1714 no Bell Inn, uma hospedaria em Gloucester. Na juventude, limpava as mesas e servia canecas de cerveja aos viajantes, bem longe de qualquer preocupação com a santidade.
A Prisão da Religiosidade
Por volta dos dezesseis anos, uma inquietação de repente tomou conta do rapaz. Ele decidiu se tornar um homem justo diante de Deus e se meteu num sistema severíssimo de penitências e esforços religiosos.
Ele mesmo descreveu esse período de escravidão:
“Passei a jejuar duas vezes por semana durante quase trinta e seis horas seguidas; orava muitas vezes ao dia no meu quarto, participava da Ceia do Senhor todos os domingos e jejuava até quase desmaiar de fraqueza durante os quarenta dias da Quaresma. Nesse período, ia pelo menos três vezes ao dia aos cultos públicos na igreja, além de cumprir sete momentos fixos de oração particular. Apesar de toda essa disciplina externa, eu ainda não sabia que precisava nascer de novo — tornar-me uma nova criatura em Cristo Jesus. Foi quando o senhor Charles Wesley colocou um pequeno livro em minhas mãos [A Vida de Deus na Alma do Homem, de Henry Scougal], pelo qual Deus me mostrou claramente que eu precisava nascer de novo ou estaria eternamente perdido.”
O Colapso em Oxford
Aos dezoito anos, Whitefield entrou como servo-estudante no Pembroke College, na Universidade de Oxford, e ali se juntou ao famoso “Clube Santo”, liderado pelos irmãos Wesley. Lá, os sacrifícios aumentaram ainda mais: ele usava roupa esfarrapada, comia só sobra e passava horas de joelhos no chão congelado do inverno.
Essa tentativa desesperada de comprar o favor de Deus acabou no colapso físico. Whitefield caiu de cama, gravemente doente, com febres violentas e perto da morte.
Foi ali, na cama, que a luz do Evangelho chegou. Ele viu que as obras dele não valiam nada e se agarrou a Efésios 2:8-9: pela graça somos salvos, mediante a fé, e isso não vem de nós, é dom gratuito de Deus.
Largou os manuais de devoção e penitência e abriu a Bíblia:
“Passei a ler as Sagradas Escrituras de joelhos. Diariamente recebia nova vida, luz e poder do alto. Aprendi mais sobre a verdade de Deus lendo a Bíblia em um mês do que em todos os escritos humanos que havia devorado até então. Depois de meses de angústia indescritível sob o espírito de escravidão, Deus finalmente removeu aquele fardo pesado, permitindo-me abraçar o Seu querido Filho por uma fé viva e concedendo-me o Espírito de adoção que me selou para sempre.”
Whitefield se levantou daquela cama um homem transformado. Nas décadas seguintes, até o último fôlego em 1770, atravessou o oceano Atlântico treze vezes e pregou mais de dezoito mil sermões, sempre com a mesma mensagem que aprendeu naquela crise: “Vós deveis nascer de novo”.
Uma observação: Whitefield pertencia à tradição reformada. Quando fala do Espírito de adoção que o “selou para sempre”, usa uma linguagem comum da piedade cristã, que a tradição dele entendia como a segurança do crente em Cristo. Ele também ensinava a eleição e a perseverança dos santos, e nesse ponto pensava diferente de John e Charles Wesley, que entendiam a salvação e a segurança de outro jeito. Mesmo assim, Whitefield e John Wesley continuaram amigos, e foi Wesley quem pregou no funeral dele, a pedido do próprio Whitefield.
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