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HistóriaConversões: histórias de fé19 de 83

David Livingstone: a conversão do missionário da África

A Conversão de David Livingstone: O Maior Amigo da África

Diego Gonçalvesatualizado 4 min de leitura805 palavras

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Neste texto

David Livingstone nasceu em 19 de março de 1813, numa família humilde de operários escoceses, em Blantyre, perto de Glasgow. Para ajudar no sustento da casa, começou a trabalhar aos dez anos como fiandeiro numa tecelagem de algodão, onde passava quatorze horas por dia no meio de teares barulhentos. Mesmo com essa rotina pesada, ele deixava um livro de estudo sobre o tear para ler nos breves intervalos, e à noite frequentava aulas de latim e botânica.

Os pais dele eram dedicados e devotos, e Livingstone sabia de cor o catecismo e as doutrinas da fé reformada. Por muito tempo, porém, a teologia permaneceu para ele apenas como um conjunto de ideias na cabeça.

Retrato fotográfico de David Livingstone, de bigode, sentado com a bengala e o boné de viagem sobre a mesa
Thomas Annan, David Livingstone, 1864. Domínio público, via Wikimedia Commons.

O equívoco da autojustificação

A virada espiritual veio quando ele completou vinte anos. Livingstone começou a se preocupar a sério com o estado da própria alma e com a necessidade de ser perdoado por Deus. Anos depois, o próprio missionário lembrou essa luta:

“Meus pais fizeram grandes esforços para incutir as doutrinas do Cristianismo em minha mente, e eu não tinha dificuldade em compreender a teoria de uma salvação gratuita pela expiação de nosso Salvador. Mas foi somente nessa época que comecei a sentir a necessidade e o valor de uma aplicação pessoal daquela redenção ao meu próprio caso.”

O que impedia Livingstone de descansar no Evangelho era uma armadilha comum. Julgava-se indigno demais para receber o perdão e imaginava que precisava primeiro esperar do Espírito Santo uma emoção extraordinária, ou uma santidade anterior, antes de poder crer. Esperava encontrar dentro de si uma base de justiça para se apresentar a Deus. Foi adiando a entrega a Cristo, e a consciência seguia inquieta.

A luz chegou quando ele entendeu que o pecador não vai a Cristo porque é digno, mas porque está falido e sem recurso algum. Abandonou toda esperança de justiça própria e entregou-se ao Salvador, que justifica o ímpio pela fé (Romanos 4:5):

“Vi o dever e o privilégio inestimável de aceitar imediatamente a salvação por meio de Cristo. Confiando que fui capacitado a fazer isso por pura misericórdia e graça soberana, é o meu desejo demonstrar meu amor Àquele que morreu por mim, dedicando daqui em diante toda a minha vida ao Seu serviço.”

Rumo ao interior da África

Livingstone se formou em medicina, foi ordenado missionário e embarcou para a África do Sul em dezembro de 1840. Chegou à missão de Kuruman, a base do veterano Robert Moffat. Logo percebeu, porém, que as estações do litoral estavam confortáveis demais, enquanto o vasto interior do continente continuava sem ouvir o Evangelho.

Seguiu para o norte, atravessou o deserto de Kalahari e chegou a povos que nenhum homem branco tinha visitado. Quando pregou à tribo dos bakaas, anotou no diário: “Tive uma alegria indescritível em falar a esse povo sobre o sangue precioso de Cristo que purifica de todo pecado. Agradeço a Deus pelo privilégio supremo de ser o primeiro mensageiro da misericórdia a pisar nestas regiões”.

Por mais de trinta anos, Livingstone andou a pé e de canoa pelo coração da África. Denunciou os horrores do tráfico de escravos e abriu caminhos para que o Evangelho chegasse aos povos esquecidos.

A última oração

Na madrugada de 1º de maio de 1873, na aldeia de Chitambo, perto do lago Bangweulu (na atual Zâmbia), os ajudantes africanos dele, Chuma e Susi, entraram na cabana de palha à luz de uma vela fraca. Encontraram o explorador de joelhos ao lado da cama, com a cabeça apoiada nas mãos sobre o travesseiro. Ele não estava deitado na esteira.

Livingstone morreu como tinha vivido: orando pela África, entregando o continente e a própria alma nas mãos do Redentor. O amigo e sogro dele, Robert Moffat, disse: “Assim morreu Livingstone, com a certeza inabalável de que, vivendo ou morrendo, ele pertencia ao Senhor”.

Livingstone cresceu na fé reformada, e quando fala em “graça soberana” está usando a linguagem dessa tradição, que ensina que a salvação nasce da iniciativa de Deus e que é Deus quem conduz a conversão de ponta a ponta. Outras tradições cristãs, como a wesleyana, também confessam que a salvação é pela graça, e explicam de outro modo como Deus e a pessoa agem juntos na resposta de fé. As duas caminham juntas em quase tudo, e a gratidão que Livingstone expressa no texto é a de todos os cristãos.

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