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HistóriaConversões: histórias de fé20 de 83

Conversão de John B. Gough: do alcoolismo à temperança

A conversão de John B. Gough: um famoso orador da temperança

Diego Gonçalvesatualizado 4 min de leitura734 palavras

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Neste texto

John Bartholomew Gough foi a voz mais ouvida e mais aplaudida do movimento contra o alcoolismo no século XIX. Nasceu na Inglaterra, foi morar nos Estados Unidos e levou milhões de pessoas a teatros e salões lotados, na América e na Europa, com discursos dramáticos sobre os perigos da embriaguez e o poder da redenção cristã. A própria vida dele, porém, esteve à beira da ruína total, nos cortiços de Nova York e de Boston.

A memória de uma mãe pobre

Quem formou o caráter de Gough, ainda na infância, foi o exemplo da mãe, Jane Gough. Era uma mulher simples, largada à própria sorte e com pouco para dar de comer aos filhos, mas vivia com uma devoção que marcou o rapaz para sempre:

Retrato em estúdio de John B. Gough, orador da temperança, em pé, de casaco escuro
John B. Gough, retrato de Warren's Portraits, Boston, antes de 1886. Domínio público, via Wikimedia Commons.

“Ah, aquela minha mãe! Ela era uma nobre de Cristo e trazia no coração uma carta de alforria assinada e selada com o Sangue Redentor! Era pobre de dinheiro, mas riquíssima em piedade — uma mulher corajosa e de fé inabalável. Faleceu na miséria mais extrema e foi sepultada numa cova rasa de indigente, sem direito a mortalha decente nem a um cortejo com oração. Apesar disso, deixou aos filhos uma herança espiritual que nos tornou mais ricos do que nobres e príncipes.”

Gough costumava lembrar uma noite triste. Já quase sem dinheiro para comprar comida, os dois estavam sentados no sótão gelado onde moravam, sem nem uma vela para iluminar o quarto. A mãe, perdendo a visão, pegou a mão do filho no escuro e falou com calma:

“John, estou ficando cega. Não lamento por mim mesma, mas sinto dor ao ver você tão jovem tendo de carregar o fardo de uma mãe pobre e cega. Mas não perca a coragem, meu filho: no Céu não existe noite e lá ninguém precisará de luz de vela, porque o Cordeiro de Deus é a luz daquele lugar.”

O fundo do poço

Quando a mãe morreu, Gough perdeu o rumo. Sozinho na cidade grande, começou a beber para esquecer a dor do luto e logo afundou no alcoolismo. Durante sete anos seguidos, viveu pelas sarjetas, passou noites em prisões, teve crises violentas de delirium tremens e vagou esfarrapado e trêmulo pelos becos de Boston. Ninguém mais acreditava que aquele homem acabado tivesse saída.

Numa tarde fria de outubro de 1842, um comerciante humilde chamado Joel Stratton viu o jovem bêbado cambaleando na calçada, chegou perto, pôs a mão no ombro dele com carinho e o convidou a assinar um termo de abstinência e a buscar ajuda. Aquele gesto de humanidade despertou a dignidade que estava adormecida em Gough.

“Capaz de salvar totalmente”

Mas a libertação definitiva veio quando a fé que ele aprendeu nos joelhos da mãe atravessou a escuridão da sua mente:

“De repente, foi como se a luz que minha mãe deixara ao partir atravessasse o abismo sombrio daqueles sete anos de horror e tocasse o fundo do meu coração. As passagens bíblicas que ela me ensinara quando menino e que haviam ficado soterradas na minha memória voltaram com nitidez absoluta, como se estivessem sendo sussurradas ao meu ouvido por aqueles lábios amorosos: ‘Ele é capaz de salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus’ (Hebreus 7:25).

Aquele versículo era tudo o que eu precisava ouvir! Eu queria desesperadamente ser salvo e sabia que não tinha forças para me salvar sozinho. Mas, se Ele é capaz de salvar totalmente, então Ele é o Salvador exato para um homem arruinado como eu!”

Gough se ajoelhou, clamou por socorro e encontrou em Cristo o poder para vencer as correntes do vício. A libertação não nasceu da força de vontade dele, mas da graça de Cristo, que salva totalmente quem se achega a Deus por meio dele. Nas quatro décadas seguintes, até morrer em 1886, usou a voz potente para alertar os jovens sobre os laços da embriaguez e apontar para o Salvador que não rejeita nenhum náufrago.

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