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Conversão de John B. Gough: do alcoolismo à temperança
A conversão de John B. Gough: um famoso orador da temperança
John Bartholomew Gough foi a voz mais ouvida e mais aplaudida do movimento contra o alcoolismo no século XIX. Nasceu na Inglaterra, foi morar nos Estados Unidos e levou milhões de pessoas a teatros e salões lotados, na América e na Europa, com discursos dramáticos sobre os perigos da embriaguez e o poder da redenção cristã. A própria vida dele, porém, esteve à beira da ruína total, nos cortiços de Nova York e de Boston.
A memória de uma mãe pobre
Quem formou o caráter de Gough, ainda na infância, foi o exemplo da mãe, Jane Gough. Era uma mulher simples, largada à própria sorte e com pouco para dar de comer aos filhos, mas vivia com uma devoção que marcou o rapaz para sempre:
“Ah, aquela minha mãe! Ela era uma nobre de Cristo e trazia no coração uma carta de alforria assinada e selada com o Sangue Redentor! Era pobre de dinheiro, mas riquíssima em piedade — uma mulher corajosa e de fé inabalável. Faleceu na miséria mais extrema e foi sepultada numa cova rasa de indigente, sem direito a mortalha decente nem a um cortejo com oração. Apesar disso, deixou aos filhos uma herança espiritual que nos tornou mais ricos do que nobres e príncipes.”
Gough costumava lembrar uma noite triste. Já quase sem dinheiro para comprar comida, os dois estavam sentados no sótão gelado onde moravam, sem nem uma vela para iluminar o quarto. A mãe, perdendo a visão, pegou a mão do filho no escuro e falou com calma:
“John, estou ficando cega. Não lamento por mim mesma, mas sinto dor ao ver você tão jovem tendo de carregar o fardo de uma mãe pobre e cega. Mas não perca a coragem, meu filho: no Céu não existe noite e lá ninguém precisará de luz de vela, porque o Cordeiro de Deus é a luz daquele lugar.”
O fundo do poço
Quando a mãe morreu, Gough perdeu o rumo. Sozinho na cidade grande, começou a beber para esquecer a dor do luto e logo afundou no alcoolismo. Durante sete anos seguidos, viveu pelas sarjetas, passou noites em prisões, teve crises violentas de delirium tremens e vagou esfarrapado e trêmulo pelos becos de Boston. Ninguém mais acreditava que aquele homem acabado tivesse saída.
Numa tarde fria de outubro de 1842, um comerciante humilde chamado Joel Stratton viu o jovem bêbado cambaleando na calçada, chegou perto, pôs a mão no ombro dele com carinho e o convidou a assinar um termo de abstinência e a buscar ajuda. Aquele gesto de humanidade despertou a dignidade que estava adormecida em Gough.
“Capaz de salvar totalmente”
Mas a libertação definitiva veio quando a fé que ele aprendeu nos joelhos da mãe atravessou a escuridão da sua mente:
“De repente, foi como se a luz que minha mãe deixara ao partir atravessasse o abismo sombrio daqueles sete anos de horror e tocasse o fundo do meu coração. As passagens bíblicas que ela me ensinara quando menino e que haviam ficado soterradas na minha memória voltaram com nitidez absoluta, como se estivessem sendo sussurradas ao meu ouvido por aqueles lábios amorosos: ‘Ele é capaz de salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus’ (Hebreus 7:25).
Aquele versículo era tudo o que eu precisava ouvir! Eu queria desesperadamente ser salvo e sabia que não tinha forças para me salvar sozinho. Mas, se Ele é capaz de salvar totalmente, então Ele é o Salvador exato para um homem arruinado como eu!”
Gough se ajoelhou, clamou por socorro e encontrou em Cristo o poder para vencer as correntes do vício. A libertação não nasceu da força de vontade dele, mas da graça de Cristo, que salva totalmente quem se achega a Deus por meio dele. Nas quatro décadas seguintes, até morrer em 1886, usou a voz potente para alertar os jovens sobre os laços da embriaguez e apontar para o Salvador que não rejeita nenhum náufrago.
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