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Conversão de Richard Cope Morgan: a certeza do Espírito

A Conversão de Richard Cope Morgan: O Editor de "The Christian"

Diego Gonçalvesatualizado 3 min de leitura550 palavras

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Neste texto

Na segunda metade do século XIX, poucas publicações pesaram tanto na divulgação das campanhas evangelísticas na Grã-Bretanha quanto o semanário The Christian. Por trás daquele jornal, que circulava por paróquias, missões urbanas e lares de toda a Inglaterra, estava Richard Cope Morgan, um tipógrafo galês que passou mais de cinquenta anos na imprensa cristã. Só que, antes de virar a voz das grandes campanhas da época, ele precisou resolver a própria segurança espiritual.

A herança da infância e a busca da juventude

Morgan nasceu em Abergavenny, na fronteira do País de Gales com a Inglaterra, e cresceu sob a influência direta de uma mãe devota, cujas conversas e orações formaram a sensibilidade moral dele desde menino. Ela morreu quando ele ainda era adolescente e deixou uma saudade enorme, uma marca que o tempo não apagou.

Na juventude, Morgan aprendeu o ofício de tipógrafo e foi trabalhar em Bath. Por fora, era um rapaz trabalhador, honesto e cumpridor dos deveres da igreja. Por dentro, vivia assombrado pela incerteza. Sabia o que a teologia dizia sobre a redenção, mas não tinha convicção pessoal de pertencer a Deus. Faltava a paz de quem sabe que foi perdoado.

O testemunho interior do Espírito

Aos vinte e dois anos, em meio a conversas com amigos crentes e à leitura paciente das Escrituras, a verdade do Evangelho finalmente chegou à alma dele. O texto que desfez as dúvidas foi Romanos 8:16-17: “O próprio Espírito testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus. Se somos filhos, somos também herdeiros”.

Morgan entendeu que a certeza da salvação não dependia de oscilação emocional nem de raciocínio, mas do testemunho firme do Espírito Santo, que aplica a obra de Cristo ao coração do pecador. Meio século depois, olhando pra trás no fim da vida, ele lembrou aquele momento com a mesma firmeza:

“Se isso fosse apenas raciocínio humano, teria desaparecido; mas ‘é o Espírito que testifica, e o Espírito é a verdade’.”

Ali em Bath, a fé de Morgan se firmou na rocha. Ele sabia de quem era filho.

Tinta de impressora a serviço do Reino

Em 1855, Morgan se mudou pra Londres pra abrir o próprio negócio de artes gráficas. O começo foi difícil: concorrência pesada, incerteza financeira e problemas de saúde. Mais tarde ele contou que, mesmo nas fases mais críticas, a convicção de ser aceito em Cristo nunca vacilou.

Quatro anos depois, em 1859, uma onda de despertamento espiritual varreu a Irlanda do Norte, a Escócia e a Inglaterra, e Morgan viu que o público precisava de notícias confiáveis sobre o que Deus estava fazendo. Então fundou o semanário The Revival, que em 1870 passou a se chamar The Christian.

O jornal cobriu de perto as campanhas de D. L. Moody, os orfanatos de George Müller e o começo do Exército de Salvação, e virou referência indispensável pros crentes da era vitoriana. Richard Cope Morgan dirigiu a redação praticamente até morrer, em 1908, aos 81 anos. Gastou a vida inteira rodando máquinas e arrumando letras de chumbo porque nunca esqueceu o dia em que o Espírito Santo gravou na alma dele a maior notícia de todas: ele pertencia a Deus.