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HistóriaReforma Protestante96 de 121

Gaspard de Coligny: Como o almirante virou huguenote

A Conversão de Gaspard de Coligny: O almirante que mudou de fé numa cela

Diego Gonçalves4 min de leitura709 palavras

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Neste texto

Gaspard de Coligny nasceu em 1519, de uma família da alta nobreza francesa, e fez carreira como soldado do rei. Chegou a almirante da França. Anos depois, seria o chefe mais respeitado dos huguenotes, os protestantes franceses. Só que ele não entrou na Reforma pela porta de um sermão. Entrou depois de perder uma batalha e ficar preso por quase dois anos.

Um soldado a serviço do rei

O pai morreu em 1522, e os filhos cresceram sob a proteção do tio, o condestável Anne de Montmorency. Dos três irmãos, Odet virou cardeal, e François d’Andelot ficou companheiro de Gaspard pela vida toda. A partir de 1542, Gaspard lutou pelos reis Francisco I e Henrique II contra a Espanha e contra os ingleses. Em 1547 casou com Charlotte de Laval, com quem teve oito filhos. Depois da defesa de Metz, em 1552, foi nomeado almirante e governador da Picardia.

Retrato do almirante Gaspard de Coligny, de barba e vestes escuras, pintado no século XVI
François Clouet, O almirante Gaspard II de Coligny, século XVI. Museu de Arte de Saint Louis. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Em 1557, o rei encarregou Coligny de defender a cidade de Saint-Quentin. Os espanhóis cercaram a cidade, derrubaram as defesas em 29 de agosto e Coligny foi preso. Ficou cativo até 1559, e as fontes divergem sobre a fortaleza onde o mantiveram: a mais citada é a de L’Écluse, mas também aparece o castelo de Gand.

Dois anos de silêncio

A prisão era úmida e fria, e Coligny adoeceu. O Museu Protestante, da França, conta que ele ficou isolado, com a Bíblia como único livro, e que a solidão e a doença trouxeram uma crise espiritual. Nenhuma das fontes que consultei diz em que dia ou com que leitura a chave virou. O que elas mostram é que o soldado que entrou na prisão em 1557 saiu de lá com outra fé. Foi a Escritura, lida na solidão da cela, que Deus usou para alcançá-lo: a graça foi atrás dele antes de ele ir atrás dela, e a fé que ele encontrou ali era dom, não conquista de soldado.

O irmão d’Andelot ajudou nisso. Ele tinha ficado prisioneiro dos espanhóis em Milão e se aproximou do evangelho por lá. Em 1558, já preso em Flandres, mandou ao irmão um livro de devoção protestante para consolá-lo. Nesse mesmo ano, Coligny começou a se corresponder com João Calvino. A primeira carta de Calvino a ele é de 4 de setembro de 1558, e trata da salvação.

Libertado, mas calado

A paz de Cateau-Cambrésis, em 1559, abriu a cela. Coligny pagou um resgate de 50 mil coroas e se retirou para o castelo da família, em Châtillon-sur-Loing. A conversão dele não apareceu logo. Em 1559, o embaixador inglês reparou que ele já não ia à missa, mas Coligny não fez declaração nenhuma. Foi só em 1561 que assumiu de público: batizou um filho pelo rito protestante em fevereiro e, em 1º de abril, recebeu uma reunião protestante grande em casa.

Um chefe a contragosto

Nas guerras de religião, Coligny se tornou o principal comandante huguenote, sobretudo depois da morte do príncipe de Condé, em 1569. Foi ferido no rosto em Moncontour. Em 1570, a Paz de Saint-Germain deu aos protestantes parte do que pediam.

Em agosto de 1572 estava em Paris. No dia 22, levou um tiro na rua. Perdeu um dedo da mão direita e teve o cotovelo esquerdo estilhaçado. Acreditou nas garantias do rei e ficou na cidade. No dia 24, no início do massacre da noite de São Bartolomeu, os homens do duque de Guise invadiram a casa dele, e Coligny foi morto e atirado por uma janela.


Fontes consultadas: “Gaspard de Coligny (1519-1572)”, Musée protestant [https://museeprotestant.org/en/notice/gaspard-de-coligny-1519-1572-2/]; “Gaspard II de Coligny”, Wikipédia em inglês [https://en.wikipedia.org/wiki/Gaspard_II_de_Coligny]; “François d’Andelot (1521-1569)”, Musée protestant [https://museeprotestant.org/en/notice/francois-dandelot-1521-1569/]; “The Blessed House of Coligny” [https://leben.us/?p=638].

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