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Conversão de Teodoro de Beza: O poeta de Paris em Genebra
A conversão de Teodoro de Beza: O poeta que adoeceu em Paris
Teodoro de Beza (Théodore de Bèze, em francês) nasceu em 1519, em Vézelay, na Borgonha. Foi poeta, advogado e, mais tarde, o homem que assumiu a igreja de Genebra depois da morte de Calvino. Aos 29 anos, porém, ele era um sucesso nos salões literários de Paris e vivia de rendas da igreja católica, sem viver o que já pensava em segredo. Uma doença grave o obrigou a decidir.
O aluno de Wolmar
Em dezembro de 1528, com nove anos, Beza foi mandado a Orléans para estudar com o professor alemão Melchior Wolmar. Morou na casa do mestre, e aquele dia ficou sendo, para ele, um segundo aniversário. Wolmar ensinou os autores antigos e, segundo os biógrafos, influenciou as simpatias protestantes do aluno.
Depois Beza estudou direito em Orléans, por vontade do pai, embora preferisse os poetas latinos. Tirou a licença em 1539 e foi para Paris. Os parentes tinham arranjado para ele duas rendas de benefícios da igreja, e ele passou alguns anos entre escritores. Em 1544 ficou noivo de Claudine Denosse, moça de origem humilde, com a promessa de casar em público quando a situação permitisse.
O sucesso e a doença
Em 1548 saiu o Juvenilia, livro de poemas em latim que deu fama a Beza. Pouco depois ele ficou gravemente doente, a ponto de temer pela vida. Uma das fontes fala em peste, as outras só em doença grave.
Beza contou depois o que se passou. Sozinho com o juízo de Deus diante dos olhos, perguntava o que podia fazer. Em tradução livre, escreveu:
“Depois de infinitas dores no corpo e na alma, o Senhor teve pena do seu seguidor inconstante.”
Ele diz que se entregou a Deus por inteiro. Atribuiu a mudança à misericórdia de Deus, e não a mérito próprio: a salvação é graça, recebida pela fé. Essa entrega pedia uma decisão concreta: continuar com o dinheiro das rendas e o casamento escondido, ou assumir a fé reformada em público.
A saída para Genebra
Beza escolheu assumir. Abriu mão dos benefícios e deixou a França ainda fraco da doença. Em outubro de 1548 (as fontes dão o dia 23 ou 24) chegou a Genebra com Claudine. Calvino, que ele já tinha conhecido na casa de Wolmar, o recebeu bem. Os dois se casaram em público na igreja.
Perdeu parte dos bens, e o Parlamento de Paris o condenou. O pai e um irmão mais velho tentaram depois trazê-lo de volta ao catolicismo com ofertas generosas. Beza recusou.
O professor e o pastor
Em novembro de 1549, Pierre Viret arranjou para ele a cadeira de grego na Academia de Lausanne. Em 1558 voltou a Genebra, onde ensinou na nova Academia e, mais tarde, também teologia. Quando Calvino morreu, em 1564, Beza assumiu a liderança da igreja da cidade. Escreveu uma vida de Calvino, uma tradução dos Salmos para o francês e uma confissão de fé. Continuou a ajudar os refugiados franceses, que chegaram em número ainda maior depois do massacre de São Bartolomeu, em 1572. Morreu em 13 de outubro de 1605.
O poeta famoso de Paris virou professor de grego em Lausanne e depois pastor e mestre em Genebra. Em 1550, no prefácio de uma peça de teatro, admitiu que sempre gostou de poesia e que ainda não se arrependia disso. A diferença é que passou a usar a pena para traduzir os Salmos para o francês.
Fontes consultadas: “Theodore Beza”, Wikipédia em inglês [https://en.wikipedia.org/wiki/Theodore_Beza]; Henry Martyn Baird, Theodore Beza: The Counsellor of the French Reformation (1899), versão resumida [https://leben.us/?p=511]; Philip Schaff, verbete sobre Beza [https://www.ccel.org/s/schaff/encyc/encyc02/htm/iv.v.lv.htm]; “Beza rose from bed to guide Reformers to new heights”, Christian History Institute [https://christianhistoryinstitute.org/dailystory/permalink/beza-rose-from-bed-to-guide-reformers-to-new-heights].
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