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HistóriaReforma Protestante103 de 121

Joana d'Albret: A rainha de Navarra que abraçou a Reforma

A conversão de Joana d'Albret: A rainha de Navarra que não foi mais à missa

Diego Gonçalves4 min de leitura853 palavras

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Neste texto

Joana d’Albret (Jeanne d’Albret, em francês) nasceu em 1528 e foi rainha de Navarra, um pequeno reino entre a França e a Espanha. Era sobrinha do rei Francisco I da França e filha de Margarida de Angoulême, uma princesa que lia e protegia reformadores. Joana cresceu na corte, num mundo católico, e escolheu a fé reformada numa hora em que isso custava caro: o marido, o rei da França e o papa estavam do outro lado.

Gravura em preto e branco com o retrato de Joana d'Albret, rainha de Navarra, em trajes de corte, com a legenda gravada embaixo
Autor desconhecido, Retrato de Joana d'Albret, gravura francesa, entre 1600 e 1800. Biblioteca da KU Leuven (Libis). Domínio público, via Wikimedia Commons.

Uma princesa que dizia não

A vida dela já começou com disputa. Em 1541, aos 12 anos, o tio, o rei Francisco I, arranjou o casamento dela com o duque de Cleves. Ela protestou, e o casamento foi anulado em 1545. Em 1548 casou-se com Antônio de Bourbon, e em 1553 nasceu o filho Henrique, o futuro Henrique IV da França. Quando o pai morreu, em 1555, Joana herdou o trono.

Ao que parece, a inclinação dela para a Reforma vinha de antes. Numa carta de 1555 ao visconde de Gourdon, escreveu que uma reforma lhe parecia tão justa e tão necessária que ficar indecisa seria trair a Deus, a consciência e o povo dela.

O Natal de 1560

Foi em 1560 que ela assumiu de vez. A mudança não foi anunciada logo, e só no dia de Natal daquele ano Joana declarou em público que era calvinista. Segundo o Musée protestant, ela se converteu sob a influência de Teodoro de Beza. Outra fonte acrescenta que recebia cartas de Calvino. Ela tinha também razões políticas, porque queria manter o reino livre da França e da Espanha, e as fontes que li não separam uma coisa da outra. O que mais pesa a favor da sinceridade é o que ela fez depois.

O marido pensava diferente. Antônio mudava de lado conforme a política e acabou se declarando católico. Exigiu que a esposa fosse à missa, e Joana não foi. Chegou a fazer cultos protestantes nos aposentos dela, de portas abertas. Antônio ainda ameaçou repudiá-la. Ele morreu em 1562, ferido no cerco de Rouen.

A rainha de Béarn

Viúva, Joana governou Béarn sozinha. Reorganizou a economia e a justiça, e o sistema ficou em vigor por muito tempo. Chamou pastores enviados por Beza, protegeu-os por lei e organizou a igreja com ordenanças inspiradas em Genebra. Mandou tirar as imagens das igrejas, acabou com as procissões e suspendeu a missa em partes do reino. Encomendou traduções do Novo Testamento para o basco e para o bearnês, porque a Escritura precisava chegar ao povo na língua que ele falava. A reforma valeu para o reino inteiro, inclusive para quem continuava católico. Em 1563, o papa condenou Joana por heresia e depois a excomungou. Ela não recuou.

La Rochelle e a morte

Na terceira guerra de religião, em 1568, Joana se refugiou em La Rochelle, cidade controlada pelos huguenotes. Ali escreveu manifestos, penhorou joias para conseguir dinheiro, cuidou de refugiados e abriu um colégio. Teve empréstimo até da rainha Elizabeth I da Inglaterra. O filho Henrique tinha ficado uns quatro anos na corte do rei da França, e Joana pôs tutores protestantes para cuidar da educação dele.

Em 1572 foi a Paris combinar o casamento de Henrique com Margarida de Valois. Passou mal em 4 de junho e morreu no dia 9. Os pastores leram à cabeceira o Salmo 31 e João 14 a 18. A última oração dela, segundo a biografia de Roelker, foi para que Deus a livrasse deste corpo de morte e das misérias desta vida. Henrique voltou à fé da mãe depois de fugir da corte, em 1576.

Uma observação: a fé que Joana abraçou foi a reformada de Genebra, que ensina que a salvação começa na iniciativa soberana de Deus e que quem ele salva não se perde. Cristãos de outras tradições, como a wesleyana, também confessam que a salvação é pela graça, mediante a fé, e explicam de outro jeito como Deus e a pessoa agem juntos: para Wesley, a graça de Deus vem primeiro, chama todos e pode ser resistida. Nas duas tradições a glória é só de Deus, e elas caminham juntas em muita coisa.


Fontes consultadas: “Joan III of Navarre”, Wikipédia em inglês [https://en.wikipedia.org/wiki/Joan_III_of_Navarre]; “Jeanne d’Albret (1528-1572)”, Musée protestant [https://museeprotestant.org/en/notice/jeanne-dalbret-1528-1572-2/]; Marilyn B. Manzer, “Reformed Royalty: The Strength of Queen Jeanne d’Albret”, Antithesis, 1990, que cita Nancy L. Roelker e Roland Bainton [https://reformed.org/antithesis-magazine/antithesis-magazine-march-april-1990-v1n2/reformed-royalty-the-strength-of-queen-jeanne-dalbret-by-marilyn-b-manzer/].

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