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HistóriaReforma Protestante105 de 130

A história do presbiterianismo

Diego Gonçalvesatualizado 5 min de leitura1.044 palavras

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Neste texto

A história da Igreja Presbiteriana remonta a João Calvino, um reformador francês do século XVI, e a John Knox (1514-1572), líder da reforma protestante na Escócia. Pelo esforço incansável de Knox, a Escócia se tornou um dos países mais calvinistas da Europa e o berço do presbiterianismo moderno.

Nos Estados Unidos, a Igreja Presbiteriana nasceu principalmente de presbiterianos vindos da Escócia e da Irlanda, com influência dos huguenotes franceses e de imigrantes reformados holandeses e alemães. Os presbiterianos não formam uma única grande denominação: estão divididos em várias igrejas, todas com o mesmo sistema de governo por presbíteros.

Pintura de John Knox pregando de um púlpito improvisado diante dos nobres escoceses da Congregação, em 1559
David Wilkie, A pregação de John Knox diante dos Lordes da Congregação, 10 de junho de 1559, 1832. Tate Britain, Londres. Domínio público, via Wikimedia Commons.

História da Igreja Presbiteriana

A Igreja Presbiteriana é parte da tradição protestante reformada e se conhece pelo seu sistema de governo, formado por assembleias representativas de anciãos, chamadas presbitérios. O nome aparece em várias denominações, como a Igreja Presbiteriana (EUA), a Igreja da Escócia e a Igreja Presbiteriana Unida. Os grandes nomes dessa história são João Calvino e John Knox. A origem do presbiterianismo remonta a Calvino, teólogo e pastor francês do século XVI, que liderou a Reforma em Genebra, na Suíça, a partir de 1536.

João Calvino: Gigante da Reforma

João Calvino, inicialmente preparado para o sacerdócio católico, converteu-se mais tarde ao movimento da Reforma e se tornou um teólogo e pastor cuja influência alcançou a Europa, a América e, por fim, o resto do mundo.

Calvino dedicou grande esforço a questões práticas, como o ministério, a igreja, a educação religiosa e a vida cristã. Ele aceitou liderar a Reforma em Genebra quase à força, pressionado por Guillaume Farel. Em 1541, o conselho da cidade de Genebra aprovou as Ordenações Eclesiásticas de Calvino, que regulamentaram a ordem da igreja, o ensino religioso e até os juramentos. A igreja adotou medidas disciplinares rigorosas contra quem violasse essas ordenações.

A teologia de Calvino era muito parecida com a de Martinho Lutero. Os dois concordavam sobre o pecado original, a justificação somente pela fé, o sacerdócio de todos os crentes e a autoridade suprema das Escrituras (sola Scriptura). Calvino se distanciou de Lutero sobretudo na doutrina da Ceia; na predestinação, que Lutero também ensinava (Da vontade cativa, 1525), a diferença foi de ênfase e de sistematização, e Calvino deu à perseverança dos santos um lugar que o luteranismo posterior não aceitou. A tradição arminiano-wesleyana, à qual pertenço, entende de outro modo a predestinação e a perseverança: a eleição se dá em Cristo, para os que creem, e quem crê é chamado a permanecer nele.

A ideia presbiteriana de presbíteros (ou anciãos) vem de Calvino, que viu no presbítero um dos quatro ministérios da igreja, ao lado dos pastores, dos mestres e dos diáconos. Nas igrejas presbiterianas, os presbíteros governam a igreja junto com o pastor e cuidam da vida espiritual dos membros.

Assim como em Genebra no século XVI, o governo e a disciplina da igreja hoje trazem elementos das Ordenações Eclesiásticas de Calvino, mas elas já não têm força de lei: valem enquanto os membros quiserem ser regidos por elas.

A Influência de John Knox no Presbiterianismo

John Knox ocupa um lugar de destaque na história do presbiterianismo, logo depois de Calvino. Ele viveu na Escócia em meados do século XVI e liderou a Reforma no país segundo os princípios calvinistas. Opôs-se a Maria, Rainha dos Escoceses, e às práticas católicas. Suas ideias deram o tom moral da Igreja da Escócia e moldaram o seu governo representativo.

A forma presbiteriana de governo da igreja e a teologia reformada foram adotadas oficialmente pela Igreja da Escócia em 1690, e ela continua presbiteriana até hoje.

O Presbiterianismo na América

Desde o período colonial, o presbiterianismo tem presença forte nos Estados Unidos. As igrejas reformadas surgiram ali no início dos anos 1600, e os presbiterianos ajudaram a moldar a vida religiosa e política da nação recém-formada. O único pastor a assinar a Declaração de Independência foi o reverendo John Witherspoon, presbiteriano.

Em muitos aspectos, a vida americana recebeu uma marca calvinista, com ênfase no trabalho árduo, na disciplina, na salvação das almas e na construção de um mundo melhor. Os presbiterianos tiveram papel importante em movimentos como o da abolição da escravidão, o da temperança e o dos direitos das mulheres.

A Igreja Presbiteriana atual (EUA) tem suas raízes na organização nacional da igreja, em 1788, com a primeira Assembleia Geral em 1789. Desde então, a Assembleia Geral é o principal corpo de governo da igreja.

Durante a Guerra Civil, os presbiterianos americanos se dividiram em ramos do sul e do norte. Essas duas igrejas voltaram a se unir em junho de 1983 e formaram a Igreja Presbiteriana (EUA), a maior denominação presbiteriana e reformada dos Estados Unidos.

O Presbiterianismo no Brasil

A Igreja Presbiteriana no Brasil tem suas raízes no século XIX, especificamente no ano de 1859, quando o missionário Ashbel Green Simonton, enviado pela Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, chegou ao Rio de Janeiro. Simonton trabalhou incansavelmente para estabelecer a igreja: fez o primeiro culto presbiteriano em português em 1860 e organizou a primeira igreja presbiteriana brasileira em 1862. O primeiro presbitério veio em 1865.

Outros missionários norte-americanos ajudaram a igreja a crescer, e as escolas que eles fundaram serviram não apenas como centros de formação teológica, mas também como meio de levar os princípios e as doutrinas presbiterianas a mais gente.

Em 1888, com a criação do Sínodo, a Igreja Presbiteriana do Brasil passou a se governar, com autonomia da igreja mãe norte-americana, e continuou a crescer. Hoje é uma das maiores denominações protestantes do país e tem peso na vida religiosa e social brasileira.

Fontes

  • F. L. Cross e E. A. Livingstone (orgs.), The Oxford Dictionary of the Christian Church, Oxford University Press
  • Religious Movements Homepage, Universidade da Virgínia
  • John McClintock e James Strong, Cyclopaedia of Biblical, Theological, and Ecclesiastical Literature, verbete “Presbyterians”, vol. 8
  • Daniel G. Reid (org.), Dictionary of Christianity in America, InterVarsity Press, 1990

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