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HistóriaReforma Protestante104 de 121

Bernard Palissy: O ceramista huguenote da Bastilha

A fé de Bernard Palissy: O ceramista que não dobrou o joelho

Diego Gonçalves3 min de leitura674 palavras

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Neste texto

Bernard Palissy nasceu por volta de 1510 e ganhou a vida como pintor de vidro, agrimensor e, mais tarde, ceramista. Ficou famoso por uma louça colorida, enfeitada com bichos e plantas em relevo, que ainda hoje se chama “louça Palissy”. Foi também um huguenote, quer dizer, um protestante francês, num tempo em que isso podia custar a vida. Ele pagou esse preço aos quase oitenta anos.

O homem do vidro e da terra

Palissy aprendeu o ofício de pintor de vidro e andou pela França e além dela, de oficina em oficina. Estabeleceu-se na região de Saintonge, no oeste, onde trabalhou como pintor, vidraceiro e medidor de terras.

Busto de Bernard Palissy, ceramista huguenote, com barba e roupa do século XVI
Giuseppe Devers, Bernard Palissy, busto, c. 1866. The Metropolitan Museum of Art, Nova York. CC0, via Wikimedia Commons.

Por volta de 1539 ou 1540, ficou fascinado por uma taça branca esmaltada e decidiu descobrir como se fazia aquele acabamento. Passou uns dezesseis anos tentando, com grande custo para a família. Nunca igualou a taça original, mas no caminho acabou criando a própria louça “rústica”, com relevos de bichos do brejo local.

A fé reformada

Segundo a Wikipédia em inglês, Palissy passou para a fé protestante em 1546. Um relato mais antigo diz que ele se aproximou da Reforma ouvindo a Palavra de Deus entre cristãos reformados, e que foi um dos fundadores da igreja reformada de Saintes. Teria sido pregador leigo, apoiado os pastores e intercedido junto às autoridades por um amigo condenado à morte.

Palissy não escondia o que cria. Num prefácio dirigido aos huguenotes, escreveu que a Palavra de Deus não deve ser escondida.

Protegido e ameaçado

Em 1562, o Parlamento de Bordeaux mandou confiscar os bens dos protestantes da região. As oficinas e os fornos de Palissy foram destruídos. O condestável Anne de Montmorency o livrou da prisão e o empregou na decoração do castelo de Écouen. Catherine de Médicis deu a ele o título de “inventor de figuras rústicas do rei”. Foi o que o protegeu por muitos anos.

Palissy se mudou para Paris e montou uma oficina perto do Louvre, onde trabalhou cerca de 25 anos. Em 1572 foi avisado para sair da cidade antes do massacre da noite de São Bartolomeu e se refugiou no leste da França. Voltou por volta de 1575 e passou a dar aulas públicas de história natural, muito concorridas. Ali defendia que a chuva alimenta as fontes e que os fósseis são restos de seres que um dia viveram. Escreveu um livro sobre as águas e fontes, os Discursos admiráveis, publicado por volta de 1580.

A Bastilha

Em 1588, com a guerra de religião de volta, Palissy foi preso e levado à Bastilha. Já passava dos setenta. O que os relatos protestantes contam é que o rei Henrique III foi visitá-lo e disse que o protegera por décadas, mas que agora o partido dos Guise e o povo o pressionavam. Palissy seria queimado no dia seguinte se não mudasse de religião. A resposta, segundo esses relatos, foi que nem os Guise, nem o povo, nem o próprio rei podiam obrigar um oleiro a se curvar diante de imagens de barro. A frase ecoa Atos 5:29: é preciso obedecer a Deus antes que aos homens.

Palissy morreu na prisão, em 1589 ou 1590, como mártir da fé segundo as fontes protestantes.


Fontes consultadas: “Bernard Palissy”, Wikipédia em inglês [https://en.wikipedia.org/wiki/Bernard_Palissy]; “Bernard Palissy: A Victim in the Bastille in 1589”, Christian Study Library [https://www.christianstudylibrary.org/node/4316]; “Palissy, Bernard”, Huguenots of Spitalfields [https://www.huguenotsofspitalfields.org/famoushuguenots/palissy-bernard/]; “Palissy, Bernard”, Encyclopedia.com [https://www.encyclopedia.com/people/literature-and-arts/european-art-1599-biographies/bernard-palissy].

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