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Bernard Palissy: O ceramista huguenote da Bastilha
A fé de Bernard Palissy: O ceramista que não dobrou o joelho
Bernard Palissy nasceu por volta de 1510 e ganhou a vida como pintor de vidro, agrimensor e, mais tarde, ceramista. Ficou famoso por uma louça colorida, enfeitada com bichos e plantas em relevo, que ainda hoje se chama “louça Palissy”. Foi também um huguenote, quer dizer, um protestante francês, num tempo em que isso podia custar a vida. Ele pagou esse preço aos quase oitenta anos.
O homem do vidro e da terra
Palissy aprendeu o ofício de pintor de vidro e andou pela França e além dela, de oficina em oficina. Estabeleceu-se na região de Saintonge, no oeste, onde trabalhou como pintor, vidraceiro e medidor de terras.
Por volta de 1539 ou 1540, ficou fascinado por uma taça branca esmaltada e decidiu descobrir como se fazia aquele acabamento. Passou uns dezesseis anos tentando, com grande custo para a família. Nunca igualou a taça original, mas no caminho acabou criando a própria louça “rústica”, com relevos de bichos do brejo local.
A fé reformada
Segundo a Wikipédia em inglês, Palissy passou para a fé protestante em 1546. Um relato mais antigo diz que ele se aproximou da Reforma ouvindo a Palavra de Deus entre cristãos reformados, e que foi um dos fundadores da igreja reformada de Saintes. Teria sido pregador leigo, apoiado os pastores e intercedido junto às autoridades por um amigo condenado à morte.
Palissy não escondia o que cria. Num prefácio dirigido aos huguenotes, escreveu que a Palavra de Deus não deve ser escondida.
Protegido e ameaçado
Em 1562, o Parlamento de Bordeaux mandou confiscar os bens dos protestantes da região. As oficinas e os fornos de Palissy foram destruídos. O condestável Anne de Montmorency o livrou da prisão e o empregou na decoração do castelo de Écouen. Catherine de Médicis deu a ele o título de “inventor de figuras rústicas do rei”. Foi o que o protegeu por muitos anos.
Palissy se mudou para Paris e montou uma oficina perto do Louvre, onde trabalhou cerca de 25 anos. Em 1572 foi avisado para sair da cidade antes do massacre da noite de São Bartolomeu e se refugiou no leste da França. Voltou por volta de 1575 e passou a dar aulas públicas de história natural, muito concorridas. Ali defendia que a chuva alimenta as fontes e que os fósseis são restos de seres que um dia viveram. Escreveu um livro sobre as águas e fontes, os Discursos admiráveis, publicado por volta de 1580.
A Bastilha
Em 1588, com a guerra de religião de volta, Palissy foi preso e levado à Bastilha. Já passava dos setenta. O que os relatos protestantes contam é que o rei Henrique III foi visitá-lo e disse que o protegera por décadas, mas que agora o partido dos Guise e o povo o pressionavam. Palissy seria queimado no dia seguinte se não mudasse de religião. A resposta, segundo esses relatos, foi que nem os Guise, nem o povo, nem o próprio rei podiam obrigar um oleiro a se curvar diante de imagens de barro. A frase ecoa Atos 5:29: é preciso obedecer a Deus antes que aos homens.
Palissy morreu na prisão, em 1589 ou 1590, como mártir da fé segundo as fontes protestantes.
Fontes consultadas: “Bernard Palissy”, Wikipédia em inglês [https://en.wikipedia.org/wiki/Bernard_Palissy]; “Bernard Palissy: A Victim in the Bastille in 1589”, Christian Study Library [https://www.christianstudylibrary.org/node/4316]; “Palissy, Bernard”, Huguenots of Spitalfields [https://www.huguenotsofspitalfields.org/famoushuguenots/palissy-bernard/]; “Palissy, Bernard”, Encyclopedia.com [https://www.encyclopedia.com/people/literature-and-arts/european-art-1599-biographies/bernard-palissy].
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