AssineApoie
MembrosOs fascículos de cada episódio do canal Crer Para Compreender

HistóriaReforma Protestante42 de 121

Guilherme Farel: Conversão do zelo pelo papa ao evangelho

A conversão de Guilherme Farel: Do zelo pelo papa ao zelo pelo evangelho

Diego Gonçalves4 min de leitura802 palavras

Leitura automática pelo seu navegador; pode haver erros de pronúncia.

Áudio em preparo — assine para ser avisado

Neste texto

Guilherme Farel (Guillaume Farel, em francês) nasceu em 1489, em Gap, nos Alpes do sul da França. Ficou conhecido como o homem que levou Calvino a ficar em Genebra. Mas Farel passou a primeira parte da vida cheio de zelo por outra coisa: pela Igreja Católica e pelo papa, em quem confiava de coração.

Um menino devoto

Farel era filho de Antoine Farel, notário papal, numa família que as narrativas antigas descrevem como piedosa. Em casa, aprendeu a aceitar o que a igreja ensinava sem fazer perguntas. Já adulto, lembrou desse tempo com dureza: segundo o relato dele, citado por historiadores do século XIX, rangia os dentes como um lobo furioso quando alguém falava contra o papa.

Em 1509, com a permissão dos pais, foi estudar em Paris. Em Paris, conta uma das narrativas, a devoção aos santos e às imagens não trazia paz ao coração dele, e nenhuma penitência tirava a consciência de culpa.

Retrato gravado de Guilherme Farel, de barba comprida e barrete, em meio-corpo
Retrato de Guilherme Farel, gravura publicada em Teodoro de Beza, Icones, 1580. Domínio público, via Wikimedia Commons.

O professor Lefèvre

Em Paris, Farel conheceu Jacques Lefèvre d’Étaples, humanista e professor da Sorbonne, um homem de grande saber e piedade. Lefèvre arranjou-lhe um lugar de professor de gramática e filosofia no Collège Cardinal Lemoine, e os dois ficaram amigos pela vida.

Foi com Lefèvre que Farel ouviu uma coisa nova para ele: a salvação vem pela graça, e a verdadeira religião tem um só fundamento, Jesus Cristo. Era o que o apóstolo Paulo escreveu aos efésios:

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não por obras, para que ninguém tenha orgulho de si mesmo.”

(Efésios 2:8-9, Bíblia Livre)

Farel foi buscar nas Escrituras se era assim mesmo. Estudou-as nas línguas originais e, pelas palavras dele, tudo passou a parecer “sob um aspecto novo”. O próprio Farel descreveu a mudança em tradução livre, na versão de D’Aubigné: em vez do coração assassino de um lobo faminto, voltou como um cordeiro manso e inofensivo, com o coração inteiramente afastado do papa e entregue a Jesus Cristo.

As fontes não concordam sobre as datas dessa virada. Algumas falam em 1512, outras apontam 1521, quando as biografias dizem que ele rompeu de vez com a Igreja Católica.

Meaux, Basileia e as ruas

Entre 1521 e 1522, Farel fez parte do grupo de Meaux, reunido pelo bispo Briçonnet para reformar a igreja por dentro, com estudo da Bíblia. Era pregador da diocese. Em 1523 voltou a Paris e, perseguido, fugiu para Basileia, na Suíça. Em 1524 foi expulso de lá depois de brigar com Erasmo e de defender teses duras contra a doutrina católica. Escreveu naquele ano o Sumário, a primeira liturgia em francês.

A partir daí, Farel foi pregador itinerante: Montbéliard, Estrasburgo, Metz, Aigle, Lausana e outros lugares. Foi dele o empurrão que fez Neuchâtel aderir à Reforma em 1530. Em 1532 esteve no sínodo de Chanforan, onde os valdenses decidiram aderir à Reforma. Nesse mesmo ano começou a pregar em Genebra, sob a proteção de Berna. Enfrentou resistência no começo, mas ganhou seguidores. Em maio de 1536, o Conselho Geral da cidade adotou a Reforma.

O encontro em Genebra

Naquele mesmo ano, Farel convenceu um jovem estudioso chamado João Calvino, que só estava de passagem, a ficar e ajudar a organizar a igreja. Em 1538, os dois foram expulsos de Genebra por causa de conflitos com o governo da cidade. Farel foi então ser o primeiro pastor de Neuchâtel e ficou lá até o fim. Quando já era velho, atendeu a um pedido dos fiéis de Metz e fez uma viagem longa e cansativa. Voltou esgotado e morreu em Neuchâtel, em 13 de setembro de 1565.

Quem ouvisse Farel rangendo os dentes contra os críticos do papa não imaginaria que ele ia gastar a vida inteira pregando o evangelho de cidade em cidade.


Fontes consultadas: “Guillaume Farel (1489-1565)”, Musée protestant [https://museeprotestant.org/en/notice/guillaume-farel-1489-1565-2/]; “Farel, Guillaume”, Historisches Lexikon der Schweiz [https://hls-dhs-dss.ch/de/articles/011113]; “William Farel”, Wikipédia em inglês [https://en.wikipedia.org/wiki/William_Farel]; Andrew Miller, The Early History of William Farel [https://www.bibletruthpublishers.com/the-early-history-of-william-farel/andrew-miller/reformation-in-french-switzerland-1489-a-d-1564-a-d/lac58560-lasrl-5]; Ellen White, The Great Controversy, cap. 12, que cita D’Aubigné e Wylie [https://www.ccel.org/ccel/white/controversy.xv.html].

140pal/min