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HistóriaConversões: histórias de fé51 de 83

Conversão de John Wesley: a noite de 24 de maio de 1738

A conversão de John Wesley, fundador dos metodistas

Diego Gonçalvesatualizado 5 min de leitura920 palavras

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Neste texto

John Wesley foi o principal líder do grande avivamento evangélico que transformou a Inglaterra no século XVIII e deu origem ao metodismo. Filho de um ministro anglicano e educado na Universidade de Oxford, onde liderou o disciplinado “Clube Santo”, Wesley passou a juventude em busca da santidade, com uma rotina rígida e sem falhas: jejuava duas vezes por semana, visitava prisioneiros, dava quase todo o dinheiro aos pobres e orava em horas fixas do dia.

Apesar de tanta devoção aparente, a religiosidade dele era um esforço desesperado para ganhar a aceitação de Deus, quando a justificação é dom gratuito da graça, recebido pela fé.

Escultura de bronze em forma de pergaminho enrolado, com o relato de John Wesley sobre a noite de 24 de maio de 1738
Alan Stanton, foto da escultura Aldersgate Flame, em Londres, que traz o relato de Wesley de 24 de maio de 1738 (imagem recortada). CC0, via Wikimedia Commons.

O fracasso na Geórgia

Ordenado sacerdote da Igreja da Inglaterra em 1728, Wesley embarcou em 1735 para a colônia britânica da Geórgia, na América do Norte, com o propósito nobre de evangelizar os povos indígenas e os colonos europeus. Na travessia do Atlântico, o navio enfrentou tempestades terríveis. Os passageiros ingleses gritavam em desespero e o próprio Wesley tremia de medo da morte, mas um grupo de imigrantes morávios alemães cantava salmos com total calma, sem temer as ondas. Aquele contraste derrubou a segurança do jovem clérigo.

Dois anos depois, após um ministério cheio de conflitos e frustração na Geórgia, Wesley voltou para a Inglaterra com a sensação de derrota total. No diário da viagem de volta, entre janeiro e fevereiro de 1738, ele escreveu com uma franqueza rara: foi à América para converter os índios, mas ele mesmo nunca havia sido convertido a Deus. Em uma frase que ficou famosa, perguntou: “Fui à América para converter os índios; mas, ah, quem me converterá?” (conforme o Diário).

Wesley fez então a lista do que tinha para apresentar a Deus: o saber em filosofia, em línguas e em teologia, a fluência em falar de coisas espirituais, as esmolas, o abandono de amigos, de reputação e de pátria, os riscos da travessia e os sofrimentos. E concluiu que nada disso o tornava aceitável diante de Deus. Nem o uso dos meios da graça nem a retidão moral exterior podiam salvá-lo. Reconheceu que estava destituído da glória de Deus, que o seu coração era corrupto e que só lhe restava a esperança de ser justificado gratuitamente pela redenção que há em Cristo Jesus (Romanos 3:23-24). Escreveu isso, dizia ele, na esperança de que outros que ainda sonham acordassem como ele havia acordado.

O desejo por uma fé viva

Wesley percebeu que tinha só uma adesão intelectual às doutrinas, e não a confiança do coração que salva. Compreendeu que ter fé não era o mesmo que concordar com a doutrina, pois até os demônios creem e tremem (Tiago 2:19), sem por isso receberem a promessa. A fé de que precisava era uma confiança segura e filial em Deus: a certeza de que, pelos méritos de Cristo na cruz, os seus pecados estavam perdoados e ele fora reconciliado com o Pai. Queria a fé que permite dizer, com o apóstolo Paulo:

“Já estou crucificado com Cristo. Estou vivendo não mais eu, mas Cristo vive em mim; e vivo a minha vida na carne por meio da fé no Filho de Deus, que me amou, e entregou a si mesmo por mim.”

(Gálatas 2:20, Bíblia Livre)

O coração aquecido em Aldersgate

A resposta de Deus veio na noite de 24 de maio de 1738, quase quatro meses depois da volta da América. Relutante e abatido, Wesley aceitou o convite de um amigo para uma reunião de oração de uma pequena sociedade cristã na rua Aldersgate, no centro de Londres.

Ali, ouviu um homem ler em voz alta o prefácio que Martinho Lutero escreveu para a carta aos Romanos. Era justamente a parte em que o reformador explica como o Espírito Santo faz uma mudança viva no coração do pecador, só pela fé em Cristo.

Eram cerca de quinze para as nove da noite quando Deus agiu. O próprio Wesley registrou o momento:

“Enquanto ele descrevia a mudança que Deus opera no coração através da fé em Cristo, senti meu coração estranhamente aquecido. Senti que confiava em Cristo, somente em Cristo, para a salvação; e uma certeza viva me foi dada de que Ele havia tirado os meus pecados — sim, até os meus! — e me livrado da lei do pecado e da morte.”

Desde aquela noite na rua Aldersgate, Wesley deixou de se apoiar na justiça própria e passou a confiar só na graça. Nas cinco décadas seguintes, viajou mais de 400 mil quilômetros a cavalo pelas estradas britânicas e pregou mais de quarenta mil sermões, muitos deles ao ar livre, para mineiros, operários e camponeses, levando à nação inteira a mensagem de que todos podem ser salvos pela graça, mediante a fé em Jesus. A certeza que ele recebeu em Aldersgate tem nome na tradição wesleyana: o testemunho do Espírito, pois “o próprio Espírito dá testemunho com o nosso espírito de que somos filhos de Deus” (Romanos 8:16, Bíblia Livre).

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