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Conversão de Marcus Bergmann: o judeu que traduziu a Bíblia
A conversão de Marcus Bergmann, tradutor da Bíblia
Marcus Bergmann ficou conhecido na história da igreja pelo trabalho enorme de traduzir a Bíblia para o iídiche, a língua falada por milhões de judeus na Europa Central e Oriental. O caminho que o levou a essa missão, porém, começou bem longe de qualquer intenção cristã. Ele nasceu e cresceu no centro mais estrito da tradição rabínica.
Origens e tradição rígida
Segundo os relatos de sua conversão, Marcus nasceu no Império Russo e cresceu numa família muito devota, ligada aos chassídicos, uma das alas mais rigorosas do judaísmo. O pai morreu quando ele tinha só um ano. Por volta dos sete anos, ele e a mãe foram morar com um tio, e a formação do menino seguiu a mais estrita ortodoxia religiosa: estudo diário, disciplina rígida e uma visão fechada do mundo exterior.
Por volta dos vinte anos, Marcus mudou-se para a Inglaterra. Em Londres, ajudou a fundar e a liderar uma pequena sinagoga e atuou como ministro entre a comunidade judaica local. Nada indicava que a vida dele tomaria outro rumo.
Um leito de hospital e um texto incômodo
A virada começou com um problema de saúde. Marcus adoeceu gravemente e foi internado no Hospital Alemão de Londres. Na recuperação, na enfermaria, encontrou um exemplar das Escrituras em hebraico e começou a lê-lo para passar o tempo.
Ao abrir o capítulo 9 de Daniel, deparou-se com o versículo 26: “Depois das sessenta e duas semanas o Messias será exterminado, e nada terá para si”. Na tradução tradicional, o verbo aparece como “cortado”, e a ideia o prendeu logo. Na tradição em que foi educado, certas profecias messiânicas, como o capítulo 53 de Isaías, quase nunca eram lidas ou discutidas nas sinagogas.
De início, Marcus desconfiou do texto. Pensou: “Isso é coisa de missionário cristão”. Mas a frase não lhe saía da cabeça: o Messias seria cortado, e não por causa de si mesmo. Por que o Ungido de Deus morreria? Se a morte dele não era por pecados próprios, de quem era a culpa? Veio então a pergunta inevitável: seria Jesus de Nazaré quem dizia ser? Ele tentou afastar a ideia, mas o incômodo continuou.
O elo entre Daniel e Isaías
Dias depois, Marcus abriu de novo a Bíblia hebraica e chegou ao capítulo 53 de Isaías. Leu o versículo 8: “Pois ele foi cortado da terra dos viventes; pela transgressão do meu povo ele foi ferido”.
O elo se fechou na mente dele. A mesma ideia, ser “cortado”, aparecia ali com o motivo claro: não em benefício próprio, mas sofrendo a condenação no lugar de outros. O versículo 5 do mesmo capítulo terminou de derrubar as defesas dele:
“Porém ele foi ferido por nossas transgressões, e esmagado por nossas perversidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e por suas feridas fomos curados.”
(Isaías 53:5, Bíblia Livre)
Marcus entendeu que Jesus de Nazaré não era um apóstata da história judaica (alguém que abandona a fé), mas o próprio Messias anunciado pelos profetas de Israel. Ali mesmo, no leito do hospital, entregou a vida a Cristo.
O Evangelho na língua do povo
A conversão custou caro, socialmente e na família, como costuma acontecer com judeus ortodoxos que abraçam a fé em Jesus. Mas a convicção de Marcus era firme demais para ele voltar atrás.
Ele percebeu que milhares de judeus do seu povo liam os textos sagrados em hebraico sem entender direito a mensagem, enquanto a língua do dia a dia era o iídiche. Dedicou, então, décadas da vida a traduzir o Antigo e o Novo Testamento para o iídiche. As edições circularam bastante pela Europa e abriram os olhos de muitos outros judeus para a mensagem da graça.
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