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EstudosConversões: histórias de fé44 de 65

Conversão de Marcus Bergmann: o judeu que traduziu a Bíblia

A Conversão de Marcus Bergmann: Tradutor da Bíblia

Diego Gonçalvesatualizado 3 min de leitura614 palavras

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Neste estudo

Marcus Bergmann ficou conhecido na história da igreja pelo trabalho enorme de traduzir a Bíblia pro iídiche, a língua falada por milhões de judeus na Europa Central e Oriental. Só que o caminho que levou ele até essa missão começou bem longe de qualquer intenção cristã. Ele nasceu e cresceu no centro mais estrito da tradição rabínica.

Origens e tradição rígida

Marcus nasceu no Império Russo e cresceu numa família muito devota, ligada aos chassídicos, uma das alas mais rigorosas do judaísmo. O pai dele morreu quando Marcus tinha só um ano. Por volta dos sete anos, ele e a mãe foram morar com um tio, e a formação do menino seguiu a mais pura ortodoxia religiosa: estudo todo dia, disciplina rígida e uma visão fechada do mundo lá fora.

Aos vinte anos, Marcus se mudou pra Inglaterra. Em Londres, ajudou a fundar e a liderar uma pequena sinagoga, e atuou como ministro entre a comunidade judaica local. Nada indicava que a vida dele ia tomar outro rumo.

Um leito de hospital e um texto incômodo

A virada começou com um problema de saúde. Marcus adoeceu gravemente e foi internado no Hospital Alemão de Londres. Na recuperação, na enfermaria, encontrou um exemplar das Escrituras em hebraico e começou a ler pra passar o tempo.

Ao abrir no capítulo 9 de Daniel, bateu o olho no versículo 26: “Depois das sessenta e duas semanas, será cortado o Messias e já não estará”. A expressão chamou a atenção dele na hora. Na tradição em que foi educado, certas profecias messiânicas (como o famoso capítulo 53 de Isaías) quase nunca eram lidas ou discutidas nas sinagogas.

No primeiro momento, Marcus desconfiou do texto. Pensou: “Isso é coisa de missionário cristão”. Só que a frase não saía da cabeça: “O Messias será cortado, mas não para si mesmo”. Por que o Ungido de Deus ia morrer? Se a morte dele não era por pecados próprios, de quem era a culpa? Aí veio a pergunta inevitável: será que Jesus de Nazaré era mesmo quem dizia ser? Ele tentou afastar a ideia, mas o incômodo continuou.

O elo entre Daniel e Isaías

Dias depois, Marcus abriu de novo a Bíblia hebraica. Dessa vez chegou ao capítulo 53 de Isaías. Leu o versículo 8: “Pois ele foi cortado da terra dos viventes; pela transgressão do meu povo ele foi atingido”.

O elo se fechou na cabeça dele. A mesma expressão, ser “cortado”, aparecia ali com o motivo claro: não em benefício próprio, mas sofrendo a condenação no lugar de outros. O versículo 5 do mesmo capítulo terminou de derrubar as defesas dele: “Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados”.

Marcus entendeu que Jesus de Nazaré não era um apóstata da história judaica (alguém que abandona a fé), mas o próprio Messias anunciado pelos profetas de Israel. Ali mesmo, no leito do hospital, entregou a vida a Cristo.

O Evangelho na língua do povo

A conversão custou caro, socialmente e na família, como costuma acontecer com judeus ortodoxos que abraçam a fé em Jesus. Mas a convicção de Marcus era funda demais pra ele voltar atrás.

Ele percebeu que milhares de judeus do povo dele liam os textos sagrados em hebraico sem entender direito a mensagem, enquanto a língua do dia a dia era o iídiche. Então dedicou décadas da vida a traduzir o Antigo e o Novo Testamento pro iídiche. As edições circularam bastante pela Europa e abriram os olhos de muitos outros judeus pra mensagem da graça.