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HistóriaConversões: histórias de fé68 de 83

Abraham Lincoln: fé, oração e conversão na Guerra Civil

A conversão de Abraham Lincoln: Um líder com fé inabalável

Diego Gonçalvesatualizado 3 min de leitura605 palavras

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Neste texto

Abraham Lincoln, o 16º presidente dos Estados Unidos, conduziu o país no período mais sangrento da história dele: a Guerra Civil Americana. Desde o dia em que saiu de casa, em Springfield, Illinois, em 1861, até o assassinato, em abril de 1865, a postura pública de Lincoln chamou atenção não só pela habilidade política, mas também pela evolução espiritual.

A partida de Springfield

Na plataforma da estação, em 1861, ao se despedir dos vizinhos de Springfield, Lincoln já mostrava que sabia o peso que ia cair sobre ele em Washington:

“Meus amigos, ninguém que não esteja na minha posição pode avaliar a tristeza desta despedida. Aqui vivi por um quarto de século, aqui meus filhos nasceram e aqui um deles está enterrado. Uma responsabilidade recai sobre mim que é talvez maior do que a que recaiu sobre qualquer outro homem desde os dias de George Washington. Ele nunca teria triunfado sem a ajuda da Providência divina, na qual sempre confiou. Sinto que não posso ter sucesso sem o mesmo auxílio divino, e no mesmo Deus Todo-Poderoso coloco a minha confiança. Despeço-me de todos vocês com um afetuoso adeus.”

Retrato de Abraham Lincoln, de semblante grave, fotografado por Alexander Gardner em novembro de 1863
Alexander Gardner, Retrato de Abraham Lincoln, 8 de novembro de 1863. Domínio público, via Wikimedia Commons.

A virada em Gettysburg

Lincoln tinha reverência pelo Criador, mas não se considerava cristão convertido quando chegou à Casa Branca. A virada interior veio debaixo do peso de tragédias seguidas: a morte do filho Willie, aos onze anos, e o horror das dezenas de milhares de soldados mortos nos campos de batalha.

Conta-se que um pastor amigo perguntou a Lincoln, numa conversa particular, se ele amava mesmo a Jesus. O presidente teria abaixado a cabeça, coberto o rosto com o lenço e chorado em silêncio por alguns instantes. Depois, segundo esse relato, respondeu que não era cristão ao deixar Springfield para assumir a presidência, nem quando o filho morreu, mas que, ao caminhar entre as sepulturas dos rapazes mortos em Gettysburg, entregou o coração a Cristo e podia dizer que amava a Jesus.

Esse relato circulou ainda durante a guerra, mas não tem fonte da época que o comprove, e os historiadores o tratam como tradição, não como fato documentado. Há consenso, porém, de que a perda de Willie e o peso da guerra aprofundaram a fé de Lincoln: no Segundo Discurso de Posse, em março de 1865, ele falou dos juízos de Deus e da leitura que as duas partes faziam da mesma Bíblia.

A devoção no meio da crise

Com o avanço da guerra, a oração e a leitura da Bíblia viraram o apoio de todos os dias de Lincoln. Conta-se que um comerciante, com audiência marcada com o presidente para as cinco da manhã, chegou quinze minutos adiantado à Casa Branca. Enquanto esperava na antessala, ouviu uma voz grave vinda do gabinete. Perguntou ao assessor quem estava com o presidente àquela hora:

— Ninguém, senhor — respondeu o funcionário. — Ele está lendo a Bíblia.

— Ele costuma fazer isso tão cedo?

— Todas as manhãs, das quatro às cinco, ele passa esse tempo sozinho em oração e lendo as Escrituras.

Lincoln governou uma nação dividida sabendo que a história humana não está nas mãos dos governantes, mas sob a soberania de Deus.

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