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James Chalmers: conversão e martírio do missionário Tamate
A Conversão de James Chalmers: O missionário mártir que inspirou gerações
James Chalmers nasceu em Ardrishaig, na Escócia, em 1841. Por volta dos 14 anos, começou a se afastar dos costumes religiosos da família, largou a escola dominical e entrou numa fase rebelde. Por mais que tentasse viver despreocupado, a consciência não o deixava em paz.
O chamado missionário
Aos 15 anos, numa reunião na igreja local, Chalmers ouviu o pastor Meikle ler a carta de um missionário que trabalhava nas ilhas Fiji. O relato falava dos costumes brutais do canibalismo e do poder do Evangelho transformando aquelas tribos. Quando terminou a leitura, o pastor Meikle olhou para a congregação e perguntou: “Será que existe algum rapaz aqui que um dia vai se tornar missionário e levar o Evangelho aos canibais?”. Naquele momento, em silêncio, James decidiu dentro de si: aquele rapaz seria ele.
A conversão de James Chalmers
Antes de pregar a salvação aos outros, porém, Chalmers precisava ser alcançado por ela. A conversão só aconteceu quando ele já tinha 18 anos. Dois evangelistas faziam reuniões num sótão de carpinteiro da vila, e um amigo, o senhor MacNicoll, insistiu para que Chalmers fosse com ele e lhe emprestou uma Bíblia.
Quando entrou no lugar, a congregação cantava o tradicional Salmo 100 (All people that on earth do dwell), e a música tocou fundo o jovem escocês. O pregador abriu a Bíblia em Apocalipse 22:17:
“E o Espírito e a noiva dizem: ‘Vem!’ E quem o ouve, diga: ‘Vem!’ E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida.”
(Apocalipse 22:17, Bíblia Livre)
Chalmers queria aquela água da vida, mas sentia que não era digno. No domingo seguinte, durante o culto na Igreja Livre, uma forte convicção de pecado caiu sobre ele. Parecia impossível que o Céu fosse o destino de alguém como ele. No dia seguinte, o pastor Meikle conversou com o rapaz e abriu as Escrituras em 1 João 1:7: “o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado”. Ali, descansando na promessa do perdão completo, que é graça e não mérito, Chalmers finalmente encontrou paz com Deus.
A missão e o sacrifício
Anos depois, ordenado para a obra missionária, Chalmers partiu para o Pacífico Sul. Entre os povos nativos da Nova Guiné ficou conhecido pelo apelido carinhoso de “Tamate”. Segundo o relato biográfico, em 28 de janeiro de 1900 a esposa dele registrou uma celebração de Ano Novo que reuniu mais de 1.700 pessoas (a data e o número vêm dessa única fonte e não pude confirmá-los em outra). Foi a última grande assembleia que ela viu antes de falecer, e também uma das últimas de Tamate.
Em abril de 1901, a bordo do navio Niue, Chalmers e um jovem companheiro de missão navegaram até a perigosa Ilha Goaribari. Em 8 de abril, os dois desceram na praia num pequeno bote baleeiro para fazer contato com os moradores. O capitão do navio ficou esperando a volta deles, mas eles nunca mais voltaram.
O martírio
Semanas depois, uma expedição britânica enviada para investigar o desaparecimento prendeu um homem na aldeia de Dopima. Ele contou o que aconteceu: assim que desembarcaram, Chalmers e o colega foram cercados pelos guerreiros, atingidos com clavas de pedra e decapitados. Os corpos dos dois missionários e dos ajudantes nativos foram devorados, segundo os costumes canibais daquela tribo.
A morte trágica de Chalmers encerrou uma vida de muita coragem nas fronteiras missionárias. Aquele mesmo rapaz que aos 15 anos se ofereceu para pregar o Evangelho onde ninguém queria ir permaneceu fiel até o último fôlego.
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