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Hedley Vicars: a conversão do capitão herói da Crimeia
A Conversão do Capitão Hedley Vicars: O Herói da Crimeia
Durante o terrível cerco de Sebastopol, na Guerra da Crimeia, nenhum oficial do exército britânico ganhou tanta admiração dos soldados quanto o jovem capitão Hedley Vicars. Ele nasceu nas Ilhas Maurício, em 1826, filho de um oficial dos Engenheiros Reais, e trazia no sangue a tradição militar do Império Britânico. Mas a coragem que mostrou nas trincheiras geladas, contra o exército russo, vinha de uma transformação interior que tinha começado anos antes, num quartel no Canadá.
Juventude imprudente e o leito do pai
Ainda menino, Vicars recebeu a bênção do pai no leito de morte. O pai sussurrou o desejo de que o filho viesse a ser “um bom soldado de Jesus Cristo”. As palavras ficaram gravadas na memória do garoto, mas a juventude seguiu na direção oposta.
Quando entrou no 97º Regimento de Infantaria, Vicars passou por guarnições em Corfu, na Jamaica e no Canadá. Era bonito, atlético e simpático, e entrou de cabeça na rotina mundana dos oficiais: bebedeira, apostas pesadas e outros excessos que ele mesmo confessaria mais tarde, com muita vergonha. A disciplina militar continha seus atos em serviço, mas a vida privada era um caos.
O versículo na mesa de Halifax
Em novembro de 1851, aquartelado em Halifax, na Nova Escócia, Vicars esperava um colega nos seus aposentos. Para passar o tempo, pegou sem pensar uma Bíblia que estava sobre a mesa e começou a folheá-la. De repente, seus olhos pararam nas palavras de 1 João 1:7:
“O sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, nos purifica de todo pecado.”
O texto o atingiu em cheio. Começou a repassar a lista dos próprios vícios, mentiras e pecados deliberados. Fechou o livro e passou a noite inteira em claro, andando de um lado para o outro no quarto, com uma pergunta que não saía de sua cabeça: será que aquela promessa de purificação total incluía alguém como ele?
Ao amanhecer, a angústia deu lugar a uma paz tranquila. Vicars entendeu que a graça não depende de merecimento: Deus perdoa o culpado por causa da obra de Cristo na cruz, e a fé apenas recebe esse perdão. De joelhos, entregou-se a Cristo e tomou uma decisão firme. Naquela mesma manhã, foi à livraria da cidade, comprou uma Bíblia grande e a deixou aberta no meio da mesa da sala, no quartel. Quando os outros oficiais entraram e perguntaram o que era aquilo, ele respondeu sem hesitar:
“Esta é a minha nova bandeira. De agora em diante, não me envergonharei do meu Senhor.”
O amor pelos soldados na Crimeia
A conversão foi posta à prova no lugar mais hostil possível. Em 1854, o 97º Regimento desembarcou na Península da Crimeia para lutar contra a Rússia czarista. O inverno nas trincheiras em volta de Sebastopol foi devastador: cólera, disenteria, frio abaixo de zero e falta crônica de comida e roupa quente matavam centenas de soldados todos os dias.
Muitos oficiais se abrigavam como podiam. O capitão Vicars passava os dias e as noites no meio dos feridos. Ele visitava as tendas dos hospitais, repartia a comida das próprias provisões, orava com os moribundos e lia o Evangelho para os homens que tremiam na lama das valas. Em pouco tempo, virou o líder mais amado do regimento.
A última batalha nas trincheiras
Na noite escura de 22 de março de 1855, debaixo de chuva forte e vento congelante, uma tropa russa de cerca de dois mil homens fez um ataque surpresa para tentar tomar as baterias britânicas.
Vicars estava de guarda na primeira linha, com apenas duzentos soldados do 97º. Com a calma de sempre, mandou os homens ficarem abaixados no parapeito até os inimigos chegarem a menos de vinte passos. Na hora certa, saltou sobre o muro de terra com a espada erguida e gritou:
“Por aqui, 97º!”
Os soldados avançaram à baioneta e repeliram o ataque num combate feroz, corpo a corpo. Quando as linhas russas recuavam em desordem, um tiro acertou Vicars. Seus homens conseguiram resgatá-lo e carregá-lo até a retaguarda, mas ele morreu poucos minutos depois, sussurrando palavras de confiança no Salvador.
A biografia de Hedley Vicars, escrita logo depois da guerra pela escritora Catherine Marsh, virou um dos livros mais lidos de toda a era vitoriana. Ela inspirou milhares de jovens e soldados, entre eles o capitão W. H. Dawson, a descobrir que a maior coragem desta vida é se ajoelhar diante da cruz de Cristo.
Fontes:
- Biografia
- Blog
- Conversões
- Personagens
- Perdão
- Graça