AssineApoie
MembrosOs fascículos de cada episódio do canal Crer Para Compreender

HistóriaConversões: histórias de fé56 de 83

Conversão de Hudson Taylor: a obra consumada de Cristo

A Conversão de J. Hudson Taylor: O grande missionário na China

Diego Gonçalvesatualizado 4 min de leitura777 palavras

Leitura automática pelo seu navegador; pode haver erros de pronúncia.

Áudio em preparo — assine para ser avisado

Neste texto

James Hudson Taylor entrou para a história como o fundador da Missão para o Interior da China (CIM), uma das organizações missionárias mais ousadas e mais frutíferas do século XIX. Naquele tempo, os europeus ficavam presos às cidades do litoral, sob proteção armada. Taylor mandou centenas de missionários para as províncias mais distantes do interior do império chinês, com as roupas e os costumes do povo local, e confiou só em Deus para cada centavo do sustento.

Antes de abrir caminho na Ásia, porém, Taylor era um adolescente angustiado em Barnsley, no norte da Inglaterra, convencido de que a sua salvação era uma causa perdida.

Fotografia de 1866 do grupo de missionários do navio Lammermuir, com Hudson Taylor, a família e os companheiros da Missão para o Interior da China
Os missionários do Lammermuir, com Hudson Taylor, a família e os companheiros, 1866. Autor desconhecido. Domínio público, via Wikimedia Commons.

O Folheto na Biblioteca

Aos dezessete anos, Taylor já tinha passado meses tentando, desesperado, “se tornar cristão”. Lia a Bíblia, esforçava-se para mudar os pensamentos, jejuava e sempre fracassava. Desiludido, concluiu que a graça de Deus não tinha sido feita para alguém tão inconstante quanto ele e resolveu viver sem pensar no assunto.

Numa tarde chuvosa de junho de 1849, com a casa vazia, Hudson entrou na biblioteca do pai procurando algo para ler. Mexendo numa pilha de livros e papéis, achou um folheto evangelístico que começava com uma narrativa. Pensou consigo: “Vou ler a história do começo e largar o papel assim que o autor começar com a pregação religiosa enfadonha”.

A Oração da Mãe

Enquanto o rapaz lia aquelas páginas na poltrona do pai, a mãe, Amelia Taylor, estava a mais de cem quilômetros dali, visitando parentes na cidade de Barton. Naquela mesma tarde, um peso que ela não sabia explicar, sobre o destino eterno de Hudson, tomou conta do seu coração.

Com uma determinação santa, a mãe subiu ao quarto, trancou a porta por dentro e se ajoelhou ao lado da cama. Prometeu a Deus que só se levantaria dali quando tivesse certeza de que Cristo tinha resgatado a alma do filho mais velho.

Passou horas seguidas em súplica, chorando no chão. Até que uma paz tranquila tomou a sua alma com tanta força que ela não conseguiu mais pedir nada. Entendeu com toda a clareza que a oração tinha sido ouvida, e usou o resto do tempo para agradecer a Deus pela salvação do filho.

“A Obra Consumada”

Na biblioteca do pai, os olhos de Hudson pararam numa frase curta no meio do folheto: “a obra consumada de Cristo”.

A expressão o fez parar. Ele começou a conversar consigo mesmo:

“Por que o autor usou as palavras ‘obra consumada’? Por que não disse ‘obra expiatória’? O que foi consumado? Ora, o pagamento total e perfeito por todo o pecado foi realizado na cruz; a dívida que eu tinha com a justiça de Deus foi totalmente paga por Jesus! Mas, se a dívida do pecado já está completamente quitada, o que resta para eu fazer?”

Naquele instante, o Evangelho fez sentido: a justiça de Deus já estava plenamente satisfeita com a oferta de Cristo. Taylor não precisava mais pagar penitência, inventar mérito ou tentar consertar a própria alma para ser aceito. Só lhe restava receber, de mãos vazias, o perdão que a cruz já havia consumado.

O jovem caiu de joelhos diante da poltrona, rendeu-se a Cristo e descansou na fidelidade dele. Quando a mãe voltou para casa, duas semanas depois, Hudson correu até a porta para contar a novidade:

— Mãe, tenho uma notícia maravilhosa para lhe dar: entreguei a minha vida a Jesus!

A mãe o abraçou com um sorriso calmo e respondeu:

— Eu já sei, meu filho; estou celebrando a sua salvação há duas semanas.

O Fruto na China

A certeza de que a obra da redenção está consumada deu a Hudson Taylor uma coragem que nada abalava, porque ela repousava na obra de Cristo, e não no esforço dele (Efésios 2:8-9). Décadas depois, liderando mais de oitocentos obreiros no coração do continente asiático, entre perseguições, pestes e fomes, ele repetia a frase que resumia o segredo da sua vida: “A obra de Deus feita à maneira de Deus nunca carecerá dos recursos de Deus”.


Escrito por Diego Gonçalves, inspirado na leitura da seguinte fonte: Homens que nasceram duas vezes, de Hy Pickering.

140pal/min