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HistóriaConversões: histórias de fé20 de 65

Adoniram Judson: do ceticismo à missão na Birmânia

A Conversão de Adoniram Judson: O Pioneiro de Burma

Diego Gonçalvesatualizado 3 min de leitura667 palavras

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Neste texto

Adoniram Judson foi o primeiro missionário enviado dos Estados Unidos pra além-mar e passou quase quatro décadas de trabalho pioneiro na Birmânia (hoje Mianmar). Antes de traduzir a Bíblia inteira pro birmanês e aguentar prisões brutais por causa da fé, Judson perdeu de vez as certezas religiosas que tinha, ainda na universidade.

O Ceticismo na Faculdade

Filho de um pastor congregacional piedoso da Nova Inglaterra, Judson entrou muito cedo na faculdade, a Brown University, em Providence. Inteligentíssimo e dedicado aos estudos, terminou como o melhor aluno da turma.

Na universidade, porém, fez amizade íntima com um estudante brilhante e espirituoso chamado Jacob Eames. Eames era deísta convicto (ou seja, acreditava num Deus criador, mas rejeitava a Bíblia), e os colegas não resistiam ao fascínio intelectual dele. Aos poucos, com conversas irônicas sobre a Bíblia e a religião tradicional, convenceu Judson a largar a fé que tinha recebido dos pais. Aos vinte anos, pra desespero da família, o jovem se declarou livre das “superstições cristãs”.

Decidido a seguir carreira literária e teatral, Judson montou a cavalo e saiu rumo a Nova York, pra conhecer a vida mundana e ver que oportunidades apareciam. Deixou pra trás qualquer compromisso com a igreja.

A Noite na Estalagem

Na viagem de volta pelo interior, o cavalo de Judson cansou e ele teve que passar a noite numa estalagem simples de beira de estrada. O dono pediu desculpas antes: só havia uma cama vaga, num quarto dividido, e o homem da cama ao lado, separado só por uma divisória de madeira, estava muito doente e passando muito mal.

Judson disse que não tinha problema. Só que foi a noite mais longa da vida dele. Do outro lado da divisória fina, o homem agonizava. Foram horas seguidas de gemidos, suspiros sufocados e gritos de terror diante da morte que se aproximava.

Judson tapava os ouvidos e não conseguia dormir. A cada gemido do homem à beira da sepultura, uma pergunta martelava na consciência dele: “Aquele homem estará em paz com Deus? Pra onde vai a alma dele quando esse fôlego acabar? E se fosse eu naquela cama?”

Aí sentia vergonha dos próprios pensamentos e imaginava como o amigo sofisticado da faculdade, Jacob Eames, riria dessas preocupações de criança. Mas a morte continuava ali, a poucos metros dele.

O Choque da Manhã

De manhã, o quarto vizinho ficou em silêncio. Judson desceu pra acertar a conta e, por desencargo de consciência, perguntou ao dono da estalagem:

— O homem do quarto ao lado melhorou?

— Faleceu durante a madrugada, senhor — respondeu o dono da estalagem com tristeza.

— O senhor sabia quem ele era?

— Era um jovem muito talentoso da faculdade de Providence. Chamava-se Jacob Eames.

A notícia atingiu Judson como um soco no estômago. O homem com quem ele tinha zombado da fé cristã nos corredores da faculdade acabara de morrer em desespero e agonia na cama ao lado. As teorias filosóficas de salão caíram por terra diante da eternidade.

A Virada Radical

Tomado por um pavor profundo, Judson cancelou os planos de viagem e voltou pra casa na hora. Pelas estradas vazias, uma frase não saía da cabeça dele: “Morto! Perdido! Perdido!”. Ele viu que o ceticismo não dava chão nenhum diante do túmulo.

Pouco depois, entrou no Seminário Teológico de Andover, não como crente maduro, mas como alguém desesperado em busca da verdade. Ali, diante da cruz de Cristo, entregou a vida ao Salvador.

A conversão trouxe um senso de urgência que marcou o resto da vida dele: Judson se dedicou a pregar o Evangelho onde Cristo ainda não era conhecido. Passou trinta e sete anos na Ásia, perdeu duas esposas e vários filhos pras febres tropicais, sobreviveu a quase dois anos nas masmorras birmanesas e deu àquele povo a Bíblia na língua dele. Morreu em 1850, sepultado no mar, e deixou milhares de discípulos que antes adoravam ídolos.