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David Brewster: a fé do cientista do caleidoscópio
A conversão de David Brewster: Fundador da Associação Britânica
Sir David Brewster foi um dos nomes mais conhecidos da ciência britânica no século XIX. Foi físico, pioneiro no estudo da óptica, inventor do caleidoscópio, reitor da Universidade de Edimburgo e fundador da Associação Britânica para o Progresso da Ciência. Brewster unia o rigor de quem estuda com um respeito sincero pelas leis do universo.
O reconhecimento da inteligência dele, porém, não preenchia o que ele sentia por dentro. Durante muitos anos, ele via o Criador como um Arquiteto admirável, mas distante.
A dificuldade de amar a quem não se vê
A nora de Brewster, a senhora Macpherson, registrou o momento que mais revela essa busca ao relatar uma conversa que teve com ele:
“Tive uma longa conversa com o querido pai sobre o sofrimento de Cristo, a partir da qual passamos a falar sobre a gratidão que devemos a Deus. Falamos sobre a possibilidade de sentir amor real por Deus e concordamos que esse sentimento, tão comum entre seres humanos, parecia impossível entre o homem e o Criador. ‘Como podemos amá-Lo’, dizia ele, ‘se nunca O vimos face a face? Admiramos a Deus em Suas obras e reconhecemos a sabedoria que brilha nelas — mas como podemos realmente amá-Lo?’”
Depois dessa conversa, a própria nora entendeu como o Espírito Santo derrama na alma o amor do Cristo ressuscitado, e sentiu que precisava contar isso ao sogro. Brewster ouviu tudo em silêncio, com muita atenção. Quando ela terminou, o velho homem de ciência a abraçou, emocionado, e pediu com simplicidade de criança:
“Vá, então, e ore para que eu também possa experimentar isso.”
Deus respondeu essa oração. Brewster contemplou a graça revelada no sacrifício da cruz e deixou o teísmo puramente filosófico, aquela fé num Deus que só se admira de longe. Passou a confiar em Jesus Cristo como Salvador pessoal.
A cruz acima do intelecto
A firmeza e a humildade da fé dele apareceram em alguns episódios dos últimos anos. Certa vez, ouviu a leitura de uma biografia em que o autor elogiava um médico dizendo que, “não obstante seus grandes talentos e suas notáveis conquistas científicas, ele se dignou a receber a Cristo”.
Brewster interrompeu o leitor de imediato, indignado com aquela condescendência arrogante:
“‘Não obstante seus talentos!’ Isso me causa repulsa! Desde quando é um favor ou um mérito especial para um homem curvar o seu intelecto diante da Cruz? O que mais poderia o mais brilhante cérebro da terra fazer, senão dobrar os joelhos com gratidão diante da sabedoria e da Palavra de Deus?”
Em outra ocasião, ele comentava a tentativa de certos teólogos de amenizar o Evangelho para agradar o espírito cético da época. As lágrimas encheram os olhos do sábio escocês:
“Não é uma tristeza imensa ver que as pessoas não se contentam com a beleza simples do plano da salvação de Deus — Jesus Cristo somente, que já fez tudo por nós?”
O descanso na expiação
Perguntaram a Brewster o que a doutrina bíblica da morte de Cristo no lugar do pecador significava para ele. Ele resumiu a própria teologia em poucas palavras:
“A expiação é tudo para mim: ela atende à minha razão, satisfaz plenamente a minha consciência e enche o meu coração.”
Sir David Brewster morreu em 1868, aos 86 anos. Deixou invenções e tratados científicos importantes, e deixou também a prova clara de que o maior saber humano só alcança a verdadeira dignidade quando se ajoelha diante do Deus revelado na cruz.
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