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Thomas Barnardo: a conversão do amigo dos órfãos de Londres

A Conversão de T. J. Barnardo: O Amigo dos Órfãos

Diego Gonçalvesatualizado 4 min de leitura737 palavras

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Neste texto

Thomas John Barnardo ficou na história britânica como o grande protetor dos órfãos de Londres e fundador dos conhecidos Barnardo’s Homes. Só que, antes de encontrar a fé, teve uma juventude marcada pelo ceticismo.

Ainda bebê, Barnardo foi batizado na Igreja de St. Andrew, em Dublin, onde o pai tinha um cargo oficial e a mãe era membro ativa. Frequentou a escola dominical e, aos quinze anos, foi confirmado pelo Arcebispo de Dublin. Nenhuma dessas cerimônias, porém, causou efeito real no coração dele. Ele respeitava o exemplo de vida da mãe, de tradição quacre, mas a religião dele não passava de formalismo exterior.

Retrato de estúdio de Thomas John Barnardo, fundador dos lares para órfãos de Londres
Thomas John Barnardo, retrato do Boys' Home Studio, Stepney Causeway, Londres. CC0, via Wikimedia Commons.

Na adolescência, Barnardo se interessou muito mais pelas ideias agnósticas do que pela fé cristã. Durante uns dois anos, os autores favoritos dele foram Voltaire, Rousseau e Thomas Paine. Essas leituras o levaram a um ceticismo duro contra qualquer ideia de regeneração espiritual.

O despertar espiritual

Por volta dessa época, a Irlanda viveu um forte despertamento espiritual. O movimento começou no norte da ilha em 1859 e, no ano seguinte, chegou a Belfast e a Dublin com muita força. Em Dublin, o Metropolitan Hall, um antigo edifício de circo, virou o centro de grandes reuniões evangelísticas que enchiam todo dia.

Conforme o avivamento tomava as ruas, vários parentes de Barnardo foram alcançados, inclusive dois irmãos mais velhos dele. Os dois se converteram e passaram a falar abertamente da paz que tinham encontrado em Cristo. Barnardo, porém, zombava do entusiasmo da família.

Depois de muita insistência, ele resolveu ir a algumas reuniões no Metropolitan Hall para ver o movimento com os próprios olhos. Viu cenas comoventes de gente quebrantada, mas, apegado às teorias céticas, tentou explicar tudo como simples histeria emocional. Ainda assim, a firmeza daquelas pessoas começou a abalar as certezas intelectuais dele.

A conversão de Barnardo

A resistência começou a ruir de verdade numa reunião menor, na casa de um cavalheiro chamado William Fry. Ali, Barnardo foi confrontado de frente sobre o destino da sua alma, e reagiu com aspereza. Anos mais tarde, numa carta de gratidão ao próprio Fry, ele lembrou a cena:

“Eu não queria ir, mas fui; e naquela reunião, Rocheford Hunt falou comigo, assim como você. Eu me comportei muito mal. Fui bastante insolente, e pensei que você me olhava como se quisesse me dar uma boa lição. Mas, de alguma forma, suas palavras foram muito gentis, e isso foi o começo.”

Barnardo voltou aos encontros e passou a admitir que existia uma realidade espiritual que o agnosticismo dele não conseguia explicar. Poucas semanas depois, ouviu uma mensagem forte, pregada por John Hambleton, um ex-ator de teatro convertido. A pregação foi direto à consciência do rapaz. Ele viu que estava completamente enganado e que nunca teria paz enquanto resistisse a Deus. Aquele rapaz que zombava da fé foi alcançado pela graça de Deus, que o buscou antes que ele a buscasse.

Naquela mesma noite, muito angustiado, Barnardo entrou no quarto dos irmãos. Os três se ajoelharam juntos e oraram até Barnardo encontrar perdão e descanso em Cristo. Isso aconteceu em 26 de maio de 1862, poucas semanas antes de ele completar dezessete anos.

O legado com as crianças

Dali em diante, Barnardo pôs toda a energia a serviço de Cristo. Mais tarde foi para Londres estudar medicina, com o plano de ser missionário na China. Lá se deparou com a situação desesperadora de milhares de crianças que dormiam nas sarjetas e nos telhados do East End londrino.

Aquela visão mudou o rumo dele. Barnardo fundou os lares que levariam o nome dele e, nas décadas seguintes, recolheu e educou quase 60 mil meninos e meninas em situação de abandono. Deixou uma das marcas mais duradouras de caridade cristã da história moderna.


Escrito por Diego Gonçalves, inspirado na leitura da seguinte fonte: Homens que nasceram duas vezes, de Hy Pickering.

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