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HistóriaConversões: histórias de fé65 de 83

A conversão de Frederick N. Charrington: O cervejeiro convertido de Londres

Diego Gonçalvesatualizado 3 min de leitura683 palavras

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Neste texto

Frederick N. Charrington era filho de um cervejeiro e sócio da grande cervejaria Charrington, Head & Co., em Mile End, Londres. Após concluir seus estudos, Charrington foi enviado para aprender o negócio de fabricação de cerveja. Durante uma viagem pela Europa, ele conheceu em Cannes um cristão de sobrenome Rainsford (os relatos antigos divergem quanto ao primeiro nome). Uma noite, durante uma conversa, Rainsford confessou-se cristão e perguntou a Charrington se ele era salvo. Surpreso com a pergunta direta, Charrington tentou fugir do assunto, mas não conseguiu. Rainsford insistiu, e Charrington prometeu ler com atenção o terceiro capítulo do Evangelho de João.

Retrato de Frederick Charrington no início de sua carreira de evangelista
Frederick Charrington no início de seu trabalho evangelístico, ilustração em Guy Thorne, Looking Out Upon Life. Domínio público, via Wikimedia Commons.

A revelação de João 3:36

Antes de dormir, sem nenhuma preocupação especial, Charrington começou a ler o capítulo que Rainsford lhe indicara. Ao chegar ao último versículo, encontrou estas palavras:

“Aquele que crê no Filho tem vida eterna; porém aquele que é desobediente ao Filho não verá a vida eterna, mas a ira de Deus continua sobre ele.”

(João 3:36, Bíblia Livre)

Ele percebeu que Cristo havia terminado a obra por ele na cruz. Ao crer nas boas novas, recebeu a vida eterna. Não foi mérito seu: a salvação é dom de Deus, recebido pela fé (Efésios 2:8-9).

A mudança de vida do cervejeiro

Uma noite, enquanto ia do trabalho para o celeiro onde ajudava em uma escola para crianças pobres, Charrington presenciou uma cena chocante. Uma mulher pobre, com duas ou três crianças puxando suas saias, foi até a porta de um bar e pediu ao marido, chamado Tom, algum dinheiro, porque as crianças choravam por pão. O homem saiu do bar, olhou para ela e a derrubou na sarjeta. Charrington olhou para cima e viu o próprio nome, “Charrington”, em enormes letras douradas no alto do bar. Perceber que aquela cena era apenas uma entre muitas de miséria e brutalidade causadas pelos negócios de sua família foi esmagador.

Segundo o relato atribuído ao próprio Charrington, foi nesse instante, sem hesitação, que ele concluiu que o golpe daquele homem na esposa o tirava também do negócio da cervejaria. Pesou-lhe a responsabilidade pelo mal que a bebida da família causava, e ele determinou que nunca mais entraria na cervejaria.

Renúncia e novo propósito

Charrington contou ao seu pai que não queria mais nada com o negócio da cervejaria. A raiva e a decepção do pai foram intensas, mas Charrington permaneceu firme. Ele abriu mão de uma fortuna que, segundo os relatos da época, chegava a um milhão e um quarto de libras, algo como mil libras por semana, por questão de consciência. Conta-se que, em seu leito de morte, o pai o chamou e disse que ele havia escolhido a melhor parte, que nunca lhe seria tirada, e confessou temer tê-lo deixado em situação financeira difícil. Logo depois, faleceu.

Vida de serviço

Charrington deixou sua casa luxuosa e mudou-se para uma pequena casa no distrito onde trabalhava, reunindo ao seu redor um grupo dedicado de ganhadores de almas. Com a ajuda de vários mordomos do Senhor, ergueu-se o Grande Salão de Assembleias, na Mile End Road, com capacidade para cinco mil pessoas. Desde então, o salão ficou aberto todas as noites da semana, e milhares de pessoas foram alcançadas pelo evangelho, libertas da escravidão e da condenação do pecado.

Conclusão

A história de Frederick N. Charrington é um testemunho de transformação e de renúncia. Sua conversão mudou a sua vida e alcançou milhares de outras. Ao obedecer à consciência e dedicar-se ao serviço dos outros, Charrington mostrou o fruto de uma fé que opera pelo amor (Gálatas 5:6). Tomara que a sua história nos leve a buscar aquilo que riqueza nenhuma compra e a encontrar alegria em servir ao próximo.

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