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James Hannington: do bispo anglicano ao martírio em Uganda

A Conversão de James Hannington: O Bispo Mártir que Encontrou a Luz

Diego Gonçalvesatualizado 4 min de leitura704 palavras

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Neste texto

James Hannington nasceu em Hurstpierpoint, Sussex, em 1847. De família rica, estudou na Universidade de Oxford e foi ordenado clérigo na Igreja Anglicana na década de 1870 (as biografias divergem quanto ao ano exato do diaconato e do presbiterato). Desde o começo do ministério era um homem dedicado, correto e sincero nos deveres da paróquia. Apesar de toda essa dedicação por fora, faltava o essencial: ele mesmo ainda não tinha a certeza do perdão em Cristo.

Servindo e Buscando

Hannington dava tempo, talentos e o próprio dinheiro aos paroquianos, com muita generosidade. Mesmo assim, sentia um vazio incômodo e passava por crises de desânimo. Percebia que os sermões e as ações dele não tinham poder real para transformar a vida das pessoas, porque ele mesmo não tinha paz com Deus (Romanos 5:1).

Placa de latão gravada com a figura do bispo James Hannington, de batina e sobrepeliz, sobre mármore vermelho
Placa memorial de latão do bispo James Hannington, igreja da Santíssima Trindade, Hurstpierpoint, Sussex. Foto de AndyScott, 2023, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

A Ajuda de um Amigo

Mais de um ano antes da conversão, Hannington escreveu uma carta a um amigo íntimo, o senhor Dawson, desabafando e confessando o sentimento de indignidade espiritual que não passava. Dawson respondeu contando como ele mesmo tinha encontrado descanso em Cristo e animou o jovem pastor a abandonar o esforço próprio e confiar inteiramente na graça de Deus. A carta o abalou tanto que ele a guardou e ficou mais de doze meses sem conseguir responder. Angustiado por continuar pregando uma salvação que não tinha, voltou a escrever ao amigo pedindo socorro.

‘Graça e Verdade’

Dawson morava longe e não podia viajar até Devonshire naquele momento. Por isso mandou um livro pequeno, chamado Graça e Verdade, escrito pelo médico e evangelista escocês W. P. Mackay. Hannington começou a folhear as primeiras páginas, mas logo no prefácio encontrou uma afirmação que contrariava as opiniões teológicas dele. Irritado, deixou o livro de lado, e ele ficou semanas fechado. Algum tempo depois, ao arrumar as malas para uma viagem em que ia encontrar Dawson, pegou o exemplar só para dar uma lida rápida e não passar vergonha diante do amigo.

A Certeza do Perdão

No quarto onde estava hospedado, deitado na cama, Hannington começou a ler os capítulos com frieza, até chegar à seção chamada “Você sabe se os seus pecados estão perdoados?”. Ali as verdades do Evangelho se encaixaram. Ele viu que a salvação não era um prêmio para quem se esforçava para ser bom, mas um presente que se recebe pela fé no sacrifício de Jesus na cruz. É a graça que vem primeiro e faz tudo; a fé apenas recebe, como Paulo ensina em Efésios 2:8-9.

O próprio Hannington contou como reagiu naquela noite:

“Eu estava na cama lendo; pulei da cama e dancei pelo quarto, regozijando-me e louvando a Deus porque Jesus morreu por mim. Desde aquele dia, vivo sob a sombra de Suas asas, na certeza de que sou Dele e Ele é meu.”

O Legado e o Martírio

A partir daquele momento, a pregação de Hannington ganhou uma clareza e uma força que ele nunca tinha tido. Anos mais tarde, consagrado como o primeiro bispo da África Oriental Equatorial, liderou caravanas missionárias para o interior do continente, enfrentando febres constantes, animais selvagens e povos hostis.

Em outubro de 1885, quando tentava abrir uma nova rota missionária para Uganda, Hannington foi capturado por guerreiros a mando do rei Mwanga II. Ficou preso por uma semana, em condições desumanas, e foi executado a golpes de lança, aos 38 anos. As últimas palavras dele aos captores mostram a determinação de um homem que sabia em quem tinha crido: “Digam ao rei que comprei a estrada para Uganda com o meu próprio sangue”.


Escrito por Diego Gonçalves, inspirado na leitura da seguinte fonte: Homens que nasceram duas vezes, de Hy Pickering.

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