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Francis Asbury: a conversão do menino que virou bispo

A Conversão de Francis Asbury: Do Menino de Great Barr ao Cavaleiro dos Circuitos

Diego Gonçalves4 min de leitura745 palavras

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Neste texto

Francis Asbury nasceu em 1745, perto de Birmingham, na Inglaterra, numa família pobre. O pai era jardineiro e trabalhador de fazenda. Largou a escola cedo e foi trabalhar com metal. Mesmo assim, virou o principal líder dos metodistas na América e passou mais de quarenta anos a cavalo, de casa em casa, de cidade em cidade. Tudo começou com um menino que não entendeu o primeiro sermão metodista que ouviu.

Um menino que ouvia

Anos depois, em seu diário, o próprio Asbury contou como foi (as citações são tradução livre). Aos doze anos, escreveu, o Espírito de Deus lidava forte com ele, mas as más companhias apagaram a impressão. Entre os treze e os catorze, “o Senhor visitou de novo minha alma”, e ele passou a ouvir pregações em West Bromwich. Quis conhecer os metodistas e foi a Wednesbury. Na primeira vez, não entendeu nada. Na segunda, o amigo que foi com ele ficou com o coração partido pelo sermão. Ele continuou sem se abalar.

Um ano depois, já com uns quinze anos, a Palavra de Deus fez impressões profundas nele e o trouxe a Cristo, que, nas palavras dele, justificou a sua alma culpada pela fé no sangue do Salvador. Aos dezesseis, ele diz ter vivido uma manifestação tão grande da graça de Deus que alguns pensariam ser a santificação plena. Aos dezessete já fazia reuniões públicas, e entre os dezessete e os dezoito começou a exortar e pregar. Por volta dos vinte e um, andava pelos condados ingleses no lugar de um pregador itinerante, que é o pregador que viaja de lugar em lugar.

O chamado pra América

Em 1771, durante meio ano, Asbury sentiu uma forte impressão de que devia ir pra América. Ele conta que levou o assunto a Deus sem querer fazer a própria vontade nem “correr antes de ser enviado”. Na conferência de Bristol, em agosto, John Wesley pediu voluntários. Asbury se ofereceu e foi aceito. Voltou pra casa pra contar aos pais. A mãe, que ele descreve como uma das mais ternas do mundo, consentiu. Ele tinha 26 anos.

Embarcou em 4 de setembro. Oito dias depois, no navio, escreveu:

“Pra onde estou indo? Pro Novo Mundo. Fazer o quê? Ganhar honra? Não, se conheço o meu coração. Ganhar dinheiro? Não: vou viver pra Deus e levar outros a fazer o mesmo.”

(Tradução livre do Journal, entrada de 12 de setembro de 1771.) Na mesma página anotou que, se Deus não o reconhecesse na América, voltaria logo pra Inglaterra.

A América

Desembarcou na Filadélfia em 27 de outubro de 1771. Anotou que, ao chegar perto da costa, “meu coração derreteu” ao pensar de onde vinha e pra onde ia. Quando a Guerra de Independência começou, muitos pregadores ingleses voltaram pra casa. Asbury ficou. Em Maryland exigiam juramento, que ele não quis fazer por consciência, e por isso se recolheu em Delaware, onde o juramento não era exigido.

Em dezembro de 1784, numa conferência em Baltimore, os pregadores decidiram formar uma igreja episcopal. Thomas Coke e Asbury foram eleitos por unanimidade pra dirigi-la. Coke o ordenou diácono, depois presbítero e depois superintendente, em três dias seguidos. Era a Igreja Metodista Episcopal, e a palavra “bispo” acabou pegando.

Até o fim da estrada

Ele viajou até o fim. Calculam que tenha percorrido de 130 mil a 300 mil milhas, conforme a fonte. Pregou pela última vez em Richmond, na Virgínia, em 24 de março de 1816, e morreu uma semana depois, em 31 de março, aos 70 anos, perto de Fredericksburg. Foi enterrado em Baltimore.

Ele escreveu que ia viver pra Deus e levar outros a fazer o mesmo. Passou os quarenta e cinco anos seguintes tentando, boa parte deles em cima de um cavalo.


Fontes consultadas: The Journal of the Rev. Francis Asbury (1821, domínio público) [https://archive.org/details/journalofrevfran01asbu]; “The Unexpected Leader”, Christian History (Christian History Institute) [https://christianhistoryinstitute.org/magazine/article/the-unexpected-leader]; “To Live to God: Asbury in America”, Baltimore-Washington Conference da Igreja Metodista Unida [https://bwcumc.org/news-and-views/to-live-to-god-asbury-in-america]; verbete “Francis Asbury”, Wikipedia [https://en.wikipedia.org/wiki/Francis_Asbury]; “Francis Asbury”, General Commission on Archives and History da Igreja Metodista Unida (GCAH) [https://gcah.org/resources/worship-resources/celebrating-our-united-methodist-heritage/voices-from-our-past/francis-asbury/].

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