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HistóriaConversões: histórias de fé43 de 65

Conversão de Major Whittle: o soldado que orou no hospital

A Conversão de Major Whittle: De Veterano da Guerra Civil a Pregador Devoto

Diego Gonçalvesatualizado 3 min de leitura662 palavras

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Neste texto

Daniel Webster Whittle entrou pra história dos hinos cristãos como autor de alguns dos mais cantados no mundo todo, entre eles Chuvas de Bênçãos e Eu Sei em Quem Tenho Crido. Só que, antes de virar evangelista e companheiro de ministério de D. L. Moody, Whittle era um jovem oficial do exército, endurecido pelos horrores da Guerra Civil Americana.

Whittle nasceu em Massachusetts em 1840 e se alistou como tenente no Exército da União quando a guerra estourou, em 1861. No dia em que partiu pro front, a mãe dele, uma mulher piedosa, se despediu chorando e colocou escondido um Novo Testamento de bolso dentro do alforje militar dele (a bolsa que o soldado leva a tiracolo). Pediu que ele lesse quando estivesse em perigo.

O Testamento no Alforje

Whittle participou de combates sangrentos. Na batalha de Vicksburg, em 1863, um estilhaço de artilharia destruiu o braço direito dele, que foi amputado às pressas, acima do cotovelo.

Levado pra enfermaria militar, passou semanas se recuperando no meio de centenas de homens mutilados e febris. Pra fugir do tédio e da dor, começou a mexer nas poucas coisas que ainda tinha no alforje e achou o pequeno Novo Testamento que a mãe deixou.

Sem nada melhor pra fazer, começou a ler desde o primeiro capítulo de Mateus. Pela primeira vez na vida, leu o Novo Testamento do começo ao fim. A clareza do Evangelho impressionou o oficial. Ele entendeu muito bem, com a cabeça, que Cristo morreu na cruz pra resgatar os pecadores, mas o coração continuava frio e resistente.

O Pedido de Socorro no Hospital

Numa madrugada escura no hospital de campanha, um enfermeiro sacudiu Whittle pelo ombro bom e acordou ele com a voz assustada:

— Capitão, tem um garoto morrendo na enfermaria ao lado. Ele está em agonia e implora desesperadamente por alguém que faça uma oração por ele! O senhor não pode vir?

Whittle recusou na mesma hora:

— Eu? Você está louco! Eu não sei orar. Sou um homem ímpio e tão pecador quanto qualquer soldado deste acampamento. Vá chamar um capelão!

O enfermeiro insistiu, aflito:

— Não há capelão aqui esta noite, capitão, e eu também não sei falar com Deus. O menino não vai passar desta madrugada e chora sem parar pedindo que alguém ore por sua alma. Por favor, venha!

A Oração ao Lado do Moribundo

Sem jeito diante do pedido, Whittle levantou e foi até a enfermaria. Encontrou um rapaz franzino, de apenas dezessete anos, pálido, suando frio, se debatendo na esteira. Quando viu o oficial de braço enfaixado se aproximar, o jovem agarrou com força a mão esquerda dele e implorou:

— O senhor é oficial… Por favor, faça uma oração por mim! Eu fui um filho rebelde, abandonei os ensinamentos dos meus pais e vivi no pecado. Agora estou morrendo e tenho pavor de comparecer diante de Deus! Clame a Deus por mim!

Naquele segundo, o Espírito de Deus quebrou o orgulho de Whittle. Ele viu a loucura daquela cena: como ia interceder por outro, se ele mesmo continuava em rebeldia contra o Criador?

Whittle se ajoelhou no chão ensanguentado, ao lado da cama do soldado. Em voz alta, embargada pelas lágrimas, começou confessando os próprios pecados diante de Deus e pediu perdão em nome do sangue que Jesus derramou na cruz. Naquele momento de quebrantamento, creu no Salvador e recebeu a certeza do perdão.

Em seguida, ainda de joelhos e segurando a mão do rapaz, orou com fervor pelo jovem agonizante e lembrou a promessa de que Cristo acolhe todo aquele que vai até Ele. O soldado se acalmou, o rosto relaxou numa expressão de paz e, minutos depois, morreu tranquilo.

Whittle levantou daquele chão como um novo homem. O militar que perdeu o braço direito na guerra encontrou a vida eterna num hospital de feridos e passou as quatro décadas seguintes proclamando a graça de Deus por toda a América.