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Conversão de Major Whittle: o soldado que orou no hospital
A conversão de Major Whittle: De veterano da Guerra Civil a pregador devoto
Daniel Webster Whittle entrou para a história dos hinos cristãos como autor de alguns dos mais cantados no mundo, entre eles Chuvas de Bênçãos e Eu Sei em Quem Tenho Crido. Antes de virar evangelista e companheiro de ministério de D. L. Moody, porém, Whittle era um jovem oficial do exército, endurecido pelos horrores da Guerra Civil Americana.
Whittle nasceu em Massachusetts em 1840 e se alistou como tenente no Exército da União quando a guerra começou, em 1861. No dia em que partiu para o front, sua mãe, uma mulher piedosa, despediu-se chorando e colocou escondido um Novo Testamento de bolso dentro do alforje militar dele (a bolsa que o soldado leva a tiracolo). Pediu que o filho lesse quando estivesse em perigo.
O Testamento no Alforje
Whittle participou de combates sangrentos. Na batalha de Vicksburg, em 1863, um estilhaço de artilharia destruiu seu braço direito, que foi amputado às pressas, acima do cotovelo.
Levado para a enfermaria militar, passou semanas se recuperando no meio de centenas de homens mutilados e febris. Para fugir do tédio e da dor, começou a mexer nas poucas coisas que ainda tinha no alforje e encontrou o pequeno Novo Testamento que a mãe deixou.
Sem nada melhor para fazer, começou a ler desde o primeiro capítulo de Mateus. Pela primeira vez na vida, leu o Novo Testamento do começo ao fim. A clareza do Evangelho impressionou o oficial. Entendeu muito bem, com a cabeça, que Cristo morreu na cruz para resgatar os pecadores, mas o coração continuava frio e resistente. Faltava a obra do Espírito Santo, que convence do pecado e dá vida nova.
O Pedido de Socorro no Hospital
Numa madrugada escura no hospital de campanha, um enfermeiro sacudiu Whittle pelo ombro bom e o despertou com a voz assustada:
— Capitão, há um garoto morrendo na enfermaria ao lado. Ele está em agonia e implora desesperadamente por alguém que faça uma oração por ele! O senhor não pode vir?
Whittle recusou na mesma hora:
— Eu? Você está louco! Eu não sei orar. Sou um homem ímpio e tão pecador quanto qualquer soldado deste acampamento. Vá chamar um capelão!
O enfermeiro insistiu, aflito:
— Não há capelão aqui esta noite, capitão, e eu também não sei falar com Deus. O menino não vai passar desta madrugada e chora sem parar pedindo que alguém ore por sua alma. Por favor, venha!
A Oração ao Lado do Moribundo
Sem jeito diante do pedido, Whittle levantou-se e foi até a enfermaria. Encontrou um rapaz franzino, de apenas dezessete anos, pálido, suando frio, se debatendo na esteira. Ao ver o oficial de braço enfaixado aproximar-se, o jovem agarrou com força a mão esquerda dele e implorou:
— O senhor é oficial… Por favor, faça uma oração por mim! Eu fui um filho rebelde, abandonei os ensinamentos dos meus pais e vivi no pecado. Agora estou morrendo e tenho pavor de comparecer diante de Deus! Clame a Deus por mim!
Naquele instante, o Espírito de Deus quebrou o orgulho de Whittle. Ele percebeu o absurdo da cena: como poderia interceder por outro, se continuava em rebeldia contra o Criador?
Whittle se ajoelhou no chão ensanguentado, ao lado da cama do soldado. Em voz alta, embargada pelas lágrimas, começou confessando os próprios pecados diante de Deus e pediu perdão em nome do sangue que Jesus derramou na cruz. Naquele momento de quebrantamento, creu no Salvador e recebeu a certeza do perdão.
Em seguida, ainda de joelhos e segurando a mão do rapaz, orou com fervor pelo jovem agonizante e lembrou a promessa de que Cristo acolhe todo aquele que vai até Ele. O soldado se acalmou, o rosto relaxou numa expressão de paz e, minutos depois, morreu tranquilo.
Whittle levantou daquele chão como um novo homem. O militar que perdeu o braço direito na guerra encontrou a vida eterna num hospital de feridos e passou as quatro décadas seguintes proclamando a graça de Deus por toda a América.
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