
HistóriaConversões: histórias de fé16 de 81
Charles Wesley: a conversão em 21 de maio de 1738
A Conversão de Charles Wesley: o domingo de Pentecostes de 1738
Charles Wesley escreveu milhares de hinos e foi, ao lado do irmão John, um dos pais do metodismo. Só que, em maio de 1738, ele era um pastor anglicano de 30 anos, ordenado desde 1735, e continuava sem a paz que passava a vida pregando. Acabou na cama, doente, e foi ali que isso mudou.
Um pastor sem paz
Charles tinha ido pra Geórgia, nos Estados Unidos, com o irmão em 1735, e voltou em 1736, depois de ser mal recebido pelos colonos. De volta a Londres, ficou perto dos morávios (cristãos de uma tradição alemã de fé muito viva), principalmente de Peter Böhler. No fim de abril de 1738, Charles caiu de cama com dor no lado e febre. Ele escreveu que Böhler ficou ao lado da cama e orou pra que ele enxergasse o propósito daquela doença. Charles concluiu que devia examinar de novo a doutrina de fé que Böhler ensinava, e não parar de buscá-la até alcançar.
Em 11 de maio, ele foi morar com um artesão chamado John Bray, a quem descreveu como “um pobre mecânico ignorante, que não sabe nada senão Cristo”. Bray orava com ele e lia as Escrituras em voz alta. No dia 17, Charles leu pela primeira vez o comentário de Lutero à carta aos Gálatas, e anotou no diário que se espantava de ter achado nova uma doutrina, a da justificação pela fé, que a própria Igreja dele tinha como base.
Pentecostes de 1738
Na madrugada do dia 18, a pleurisia voltou. No sábado, dia 20, ele passou o dia abatido, esperando um sinal. No domingo, 21 de maio, dia de Pentecostes, o irmão e alguns amigos vieram cantar um hino ao Espírito Santo. Quando saíram, Charles orou, lembrando as promessas de Jesus de enviar o Consolador. Estava quase dormindo quando ouviu alguém entrar. Pela voz, achou que era uma conhecida, a sra. Musgrave. A voz disse:
“Em nome de Jesus de Nazaré, levanta-te, crê, e serás curado de todas as tuas enfermidades.”
(Em tradução livre do diário dele.)
As palavras bateram fundo. Charles mandou chamar a sra. Musgrave e ouviu que ela não tinha estado ali. Quem tinha falado era a sra. Turner, da casa, que disse que não conseguira se segurar. Bray, chamado ao quarto, abriu a Bíblia ao acaso e leu um Salmo sobre o homem a quem o Senhor não atribui pecado. Charles ainda sentiu resistência. Mas, escreveu, o Espírito de Deus “dissipou aos poucos a escuridão da minha incredulidade”. E anotou: “Agora me achei em paz com Deus e me alegrei na esperança de amar a Cristo.”
O hino e o irmão
Dois dias depois, em 23 de maio, Charles começou um hino sobre a própria conversão. Parou com medo de orgulho, mas Bray o animou a seguir, e ele terminou. O diário não diz qual hino era. Os estudiosos pensam em “Where shall my wondering soul begin” ou em “And can it be”, mas o ponto é discutido.
Na quarta, 24 de maio, John Wesley teve em Aldersgate a experiência que ele também contou. Charles anotou que, perto das dez da noite, o irmão foi trazido por um grupo de amigos e disse: “Eu creio.”
Charles viveu mais 50 anos, casou, pregou e escreveu hinos. Morreu em Londres em 1788. Dá pra pregar a fé durante anos e ainda estar à procura dela. Charles esteve, e a gente também pode estar.
Fontes consultadas: The Journal of the Rev. Charles Wesley, vol. 1 (ed. Thomas Jackson, 1849; entradas de abril a maio de 1738) [https://wesleyscholar.com/wp-content/uploads/2018/09/Journal-vol-1-1849.pdf]; “1738: John and Charles Wesley Experience Conversions”, Christian History Institute [https://christianhistoryinstitute.org/magazine/article/john-and-charles-converted]; “Charles Wesley”, Wikipedia [https://en.wikipedia.org/wiki/Charles_Wesley].
- História da Igreja
- Conversões
- Biografia
- Metodismo