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HistóriaConversões: histórias de fé14 de 65

William Wilberforce: a conversão do abolicionista inglês

A Conversão do Emancipador dos Escravos: William Wilberforce

Diego Gonçalvesatualizado 3 min de leitura657 palavras

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Neste texto

A história britânica lembra William Wilberforce como o homem que passou cerca de vinte anos em embates no Parlamento até derrubar o comércio transatlântico de escravos no Império Britânico. Ele era um jovem brilhante, um orador magnífico e amigo íntimo do primeiro-ministro William Pitt. Tinha tudo pra ser só mais um político ambicioso da alta sociedade londrina. O que tirou a vida dele da rota do poder fácil foi uma profunda crise espiritual em 1785.

A viagem continental e o livro inesperado

Com vinte e poucos anos, Wilberforce era a alma das festas, dos clubes de jogo e dos salões da aristocracia inglesa. Andava com a elite e via a religião como uma conveniência social: formal aos domingos e esquecida o resto da semana.

No final de 1784, ele saiu pra uma longa viagem de carruagem pela Europa, com Isaac Milner, professor e matemático de Cambridge. Pelo caminho, na França e na Suíça, a conversa chegou a certos cristãos evangélicos da Inglaterra. Wilberforce fez um comentário irônico:

“Acho que esse tipo de gente vai longe demais.”

Milner era homem de ciência, mas levava a fé a sério, e respondeu na hora:

“Não vão longe demais coisa nenhuma. Eles apenas vivem aquilo em que dizem crer.”

A resposta deixou Wilberforce desconcertado. Pouco tempo depois, mexendo na bagagem da carruagem, ele achou um exemplar do clássico Ascensão e Progresso da Religião na Alma, de Philip Doddridge, que um amigo tinha deixado ali. Ficou curioso com o título e perguntou a Milner se o livro valia a pena. O professor respondeu: “É um dos melhores livros do mundo”. Os dois decidiram ler juntos durante a viagem.

O confronto com o Novo Testamento

A leitura abalou a segurança de Wilberforce. A mente dele reconheceu a lógica firme do texto, mas o coração entrou em pânico.

Meses depois, na volta pra Inglaterra, Milner e ele seguiram juntos até Londres, lendo e debatendo o Novo Testamento em grego pelo caminho. Na infância, morando na casa de tios piedosos, Wilberforce tinha aprendido o básico da fé. Só que sufocou tudo isso nos anos de faculdade e de vida pública. Agora as verdades bíblicas voltavam com um peso que ele não aguentava:

“Que loucura, que insanidade viver num estado em que qualquer chamado repentino da morte me condenaria à ruína eterna!”

O remorso pelos anos gastos com futilidade, vaidade parlamentar e conivência com o pecado jogou Wilberforce numa crise de abatimento que durou meses. Anos mais tarde, ele escreveu que nada do que tinha lido em biografias de outros homens superava a angústia que sentiu naquela época: tinha pecado contra o Deus gracioso que o sustentou e contra o Salvador que morreu na cruz.

Aconselhamento com Newton e a grande decisão

Desesperado por orientação, Wilberforce fez uma coisa que podia ter arruinado a reputação política dele se fosse descoberta: procurou em segredo o velho pregador John Newton, ex-traficante de escravos e na época pároco em Londres.

Wilberforce temia que abraçar a fé em Cristo exigisse largar de uma vez a Câmara dos Comuns e se afastar do mundo. Newton foi sábio. Convenceu o jovem deputado de que Deus tinha colocado ele no Parlamento justamente pra fazer diferença pública a partir de princípios cristãos.

Aos poucos, a beleza das promessas do Evangelho foi dissipando a culpa. Wilberforce entendeu a justificação pela fé: a paz com Deus não dependia do mérito político dele, mas da justiça de Cristo.

Em novembro de 1785, voltou a Westminster como um homem novo, e os amigos e os adversários perceberam. O parlamentar que antes só pensava no próprio brilho anotou no diário particular, em 1787, o compromisso solene que guiou o resto dos dias dele: “Deus Todo-Poderoso colocou diante de mim dois grandes objetivos: a supressão do comércio de escravos e a reforma dos costumes”. O resto é história.