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HistóriaConversões: histórias de fé64 de 83

Frederick Stanley Arnot: a conversão do menino das ameixas

A conversão de Frederick Stanley Arnot: O pioneiro da África Central

Diego Gonçalvesatualizado 3 min de leitura678 palavras

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Neste texto

Frederick Stanley Arnot nasceu em Glasgow, na Escócia, em 12 de setembro de 1858, mas cresceu em Hamilton, uma cidade vizinha. Aos seis anos, assistiu a uma palestra de David Livingstone, o famoso explorador e missionário. Aquele homem sério falando dos povos esquecidos do interior da África marcou o menino para sempre. Desde esse dia, a África passou a atraí-lo como um ímã.

A família de Arnot era amiga dos filhos de Livingstone, e isso reforçou a vocação que ele já tinha desde cedo. Com a teimosia dos rapazes escoceses, Arnot decidiu que a meta da sua vida seria seguir os passos de Livingstone no interior da África.

Mapa da África Central de 1893 com a rota de Arnot de Benguela, no Atlântico, até Garenganze (Catanga)
Mapa da África Central com a rota de Benguela a Garenganze, em Frederick Stanley Arnot, Bihé and Garenganze, Londres: J. E. Hawkins, 1893. Biblioteca Britânica. Domínio público, via Wikimedia Commons.

O roubo das ameixas

Arnot cresceu num lar cristão exemplar, mas a conversão pessoal dele aconteceu de um jeito inesperado, aos dez anos. Numa tarde, ele e um colega de escola chamado Jimmie entraram escondidos no pomar de um vizinho para pegar ameixas. O irmão mais velho de Jimmie viu a travessura e gritou do portão: “Ladrões!”.

A palavra ecoou na cabeça de Fred como um tiro de pistola. No dia seguinte, a caminho da escola, ele teve que passar na frente da prisão municipal de Hamilton com muito medo, achando que seria preso a qualquer momento. Para piorar, viu um policial levando para a cadeia um menino descalço e esfarrapado, que tinha roubado um par de sapatos novos. Arnot sentiu uma vergonha enorme. Ele sabia que era muito mais culpado diante de Deus do que aquele garoto necessitado.

A madrugada no quarto

O próprio Arnot contou, em relatos da sua vida, a aflição daquela noite. Temia passar mais uma noite naquele estado e não tinha coragem de confessar a ninguém o quanto se sentia perverso. Sabia que deveria contar tudo a Deus, mas tremia de medo na hora das orações habituais. Esperou até que todos na casa estivessem dormindo e se levantou da cama no escuro. Pretendia pedir perdão, mas as palavras travavam na garganta e ele começou a chorar. Parecia-lhe que era mau demais até para ser perdoado.

Foi então que um raio de luz e esperança atravessou os seus pensamentos: Jesus morreu na cruz por ele justamente porque ele era tão mau. Entre as passagens bíblicas que os pais lhe haviam ensinado estava João 3:16. Arnot repetiu o versículo de joelhos, por volta das duas da manhã, e compreendeu que o “todo aquele que nele crê” o incluía. Acordou no dia seguinte com o coração leve: o fardo da culpa havia desaparecido.

Nas pegadas de Livingstone

Arnot foi fiel à entrega que fez na infância. Partiu para a África em 1881, com 22 anos, viajando sozinho e sem o apoio financeiro de grandes sociedades missionárias. Ao longo de 33 anos de expedições pioneiras, andou a pé, segundo as estimativas habituais, quase 50 mil quilômetros por regiões que ninguém tinha explorado na África Central. Chegou ao império isolado de Garenganze (hoje a região de Catanga, no Congo).

Ali montou postos missionários, combateu as rotas do tráfico de escravos e levou o Evangelho a tribos que nunca tinham ouvido o nome de Cristo. Trabalhou até morrer em Joanesburgo, em maio de 1914.

A graça foi ao encontro do menino, e a fé apenas a recebeu: “Mas Deus prova o seu amor por nós através de Cristo haver morrido por nós, quando ainda éramos pecadores” (Romanos 5:8, Bíblia Livre).

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