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Frederick Stanley Arnot: a conversão do menino das ameixas

A Conversão de Frederick Stanley Arnot: O Pioneiro da África Central

Diego Gonçalvesatualizado 3 min de leitura535 palavras

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Neste texto

Frederick Stanley Arnot nasceu em Glasgow, na Escócia, em 12 de setembro de 1858, mas cresceu em Hamilton, uma cidade vizinha. Aos seis anos, assistiu a uma palestra de David Livingstone, o famoso explorador e missionário. Aquele homem sério falando dos povos esquecidos do interior da África marcou o menino pra sempre. Desde esse dia, a África virou um ímã pra ele.

A família de Arnot era amiga dos filhos de Livingstone, e isso reforçou ainda mais a vocação dele, que veio cedo. Com a teimosia dos rapazes escoceses, Arnot decidiu que a meta da vida dele seria seguir os passos de Livingstone na selva africana.

O Roubo das Ameixas

Arnot cresceu num lar cristão exemplar, mas a conversão pessoal dele aconteceu de um jeito inesperado, aos dez anos. Numa tarde, ele e um colega de escola chamado Jimmie entraram escondidos no pomar de um vizinho pra pegar ameixas. O irmão mais velho de Jimmie viu a travessura e gritou do portão: “Ladrões!”.

A palavra ecoou na cabeça de Fred como um tiro de pistola. No dia seguinte, a caminho da escola, ele teve que passar na frente da prisão municipal de Hamilton morrendo de medo, achando que ia ser preso a qualquer momento. Pra piorar, viu um policial levando pra cadeia um menino descalço e esfarrapado, que tinha roubado um par de sapatos novos. Arnot sentiu uma vergonha enorme. Ele sabia que era muito mais culpado diante de Deus do que aquele garoto necessitado.

A Madrugada no Quarto

O próprio Arnot contou a aflição daquela noite:

“Eu temia passar mais uma noite naquele estado; não tinha coragem de confessar a ninguém o quanto me sentia perverso. Sabia que deveria contar a Deus, mas tremia de medo na hora das orações habituais. Esperei até que todos na casa estivessem dormindo profundamente e me levantei da cama no escuro. Minha intenção era pedir perdão a Deus, mas as palavras travavam na garganta e comecei a chorar copiosamente. Parecia-me que eu era ruim demais até para que Deus pudesse me perdoar.

Foi então que um raio de luz e esperança atravessou meus pensamentos: ‘Foi exatamente por isso que Jesus morreu na cruz por mim: porque sou tão mau!’. Entre as muitas passagens bíblicas que meus pais haviam me ensinado estava João 3:16. Repeti aquele versículo de joelhos, por volta das duas da manhã, e compreendi que aquele ‘todo aquele que nele crê’ me incluía. Acordei no dia seguinte com o coração leve: o fardo da culpa havia desaparecido por completo.”

Nas Pegadas de Livingstone

Arnot foi fiel à entrega que fez na infância. Partiu pra África em 1881, com 22 anos, viajando sozinho e sem o apoio financeiro de grandes sociedades missionárias. Ao longo de 33 anos de expedições pioneiras, andou a pé quase 50 mil quilômetros por regiões que ninguém tinha explorado na África Central. Chegou ao império isolado de Garenganze (hoje a região de Catanga, no Congo).

Ali montou postos missionários, combateu as rotas do tráfico de escravos e levou o Evangelho a tribos que nunca tinham ouvido o nome de Cristo. Trabalhou até morrer em Joanesburgo, em maio de 1914.