
HistóriaConversões: histórias de fé23 de 65
Billy Bray: a conversão do minerador da Cornualha
A Conversão de Billy Bray: Um Minerador Pitoresco da Cornualha
Billy Bray nasceu em 1794 na pequena aldeia de Twelveheads, perto de Truro, no condado da Cornualha, sudoeste da Inglaterra. O pai morreu quando ele ainda era criança, e o menino ficou com o avô materno, um velho mineiro devoto que tinha sido um dos primeiros a abraçar o metodismo na região e que suportou com alegria as perseguições nos dias de John Wesley. Billy cresceu naquele lar cristão tranquilo até os dezessete anos.
Mas quando chegou à juventude, saiu da vila pra trabalhar nas minas de estanho de Devonshire. Longe da família e no meio de companheiros desordeiros, se entregou às farras, ao jogo e à bebedeira de todo dia.
Anos de Loucura e Agonia
O próprio Billy Bray lembrava com franqueza desse tempo de trevas:
“Tornei-me companheiro de bêbados e vivi muito perto do inferno. Lembro-me de uma noite em Tavistock, voltando trôpego para casa, quando encontramos um cavalo solto na estrada. Montamos os dois de uma vez no animal no meio da escuridão. Não andamos muito até que o bicho tropeçou numa pedra e caiu de costas sobre nós, quase nos matando na hora. Em outra briga de taverna, meu chapéu caiu na fogueira e virou cinzas. Roubei o chapéu de outro para não voltar de cabeça nua e escapei da cadeia por pouco.”
Pra poder beber à vontade, alugou um quarto em cima de uma taberna. Só que o riso fácil escondia um medo constante:
“Bebia noites inteiras com os outros libertinos, mas acordava com a cabeça latejando, o estômago em chamas e, pior do que tudo, um terror na alma que nenhuma língua consegue descrever. Eu tinha pânico de adormecer e acordar no inferno. Fazia promessas a Deus de que seria um homem direito, mas logo voltava a ser tão ruim ou pior do que antes.”
Billy se casou esperando criar juízo, mas continuou o mesmo. Muitas vezes a esposa tinha que sair de madrugada pelas tabernas da aldeia pra procurar ele e levar o marido arrastado pra casa.
A Inquietação da Madrugada
A virada começou numa conversa franca com a esposa. Ela também tinha conhecido o Evangelho na adolescência e se afastado de Deus. Numa noite de angústia dos dois, desabafou sobre a paz que sentia no tempo em que andava com Cristo.
Billy olhou pra ela e soltou:
— Então por que você não volta agora mesmo? Se você recomeçar, eu começo com você também!
Às três da madrugada, o mineiro saiu da cama, caiu de joelhos no chão frio do quarto e começou a orar. Nos dias seguintes, só pensava em buscar perdão. Mesmo a centenas de metros debaixo da terra, batendo picareta nas galerias escuras da mina de estanho, clamava sem parar: “Senhor, tem misericórdia de um pecador!”.
A Certeza da Libertação
Numa noite de novembro de 1823, Billy chegou do trabalho exausto e coberto de fuligem e nem tocou no prato de comida que estava na mesa. Foi direto pro quarto, trancou a porta, se ajoelhou e abriu o coração diante de Deus, com toda a sinceridade:
“Eu disse ao Senhor: ‘Tu prometeste na Tua Palavra: aquele que pede recebe, o que busca encontra, e a quem bate a porta será aberta. Eu tenho fé para acreditar nisso!’ Naquele mesmo instante, o Senhor me encheu de uma alegria tão imensa que não sei expressar com palavras. Gritei de alegria! Louvei a Deus com todo o meu coração pelo que Ele fez por um pobre coitado como eu. Eu podia dizer: ‘O Senhor perdoou todos os meus pecados!’ Tudo parecia novo ao meu redor: as pessoas, os pastos, o gado, as árvores. Eu me sentia como um homem vivendo num mundo inteiramente novo.”
Bray tinha 29 anos e passara doze no que chamava de “o país distante do filho pródigo”.
Daquela noite em diante, virou uma das figuras mais queridas e pitorescas do avivamento inglês: um evangelista leigo (ou seja, que não era pastor) de alegria contagiante, que construiu pequenas capelas metodistas com as próprias mãos e viajou por toda a Cornualha anunciando que Deus tira o homem do fundo do poço e firma os pés dele sobre a Rocha.
- Biografia
- Blog
- Conversões
- Personagens
- Metodismo
- Avivamento