AssineApoie

HistóriaConversões: histórias de fé5 de 65

F. W. Baedeker: do ateísmo às prisões da Rússia czarista

A Conversão do Dr. F. W. Baedeker: De Ateu Alemão a Missionário Dedicado

Diego Gonçalvesatualizado 3 min de leitura674 palavras

Leitura automática pelo seu navegador; pode haver erros de pronúncia.

Áudio em preparo — assine para ser avisado

Neste texto

Nas últimas décadas do século XIX, as prisões mais sombrias da Rússia czarista e os campos de deportados na Sibéria recebiam visitas regulares de um senhor de idade, de fala mansa, barba branca e olhar compassivo. Ele levava uma autorização extraordinária, dada direto pelas autoridades do Império Russo. Era o Dr. Friedrich Wilhelm Baedeker, que distribuía Novos Testamentos e anunciava a esperança do perdão pra milhares de condenados algemados.

O mais surpreendente é que esse homem, que passou décadas levando consolo às prisões, começou a vida adulta como um cético convicto, que zombava abertamente de qualquer crença em Deus.

O professor cético em Weston-super-Mare

Baedeker nasceu na Alemanha e era parente dos fundadores dos famosos guias de viagem Baedeker. Ainda jovem, deixou a Alemanha e passou a dar aula de línguas e de ciências naturais. Naquela época, ele se definia sem rodeios como “um ateu alemão sem Deus”. Era culto, racionalista, e não via sentido nenhum nas práticas religiosas.

Só que a saúde começou a cobrar. Uma doença grave nos pulmões custou um dos pulmões a ele, e os médicos recomendaram uma mudança radical de clima. Ele viajou pra Austrália na esperança de melhorar, mas a solidão e a falta de amigos deixaram a experiência amarga. Sem ter recuperado as forças, foi pra Inglaterra e se fixou na cidade litorânea de Weston-super-Mare.

Ali ele se casou e passou a viver uma rotina tranquila e mundana, entregue aos pequenos prazeres da alta sociedade local. O conforto material escondia o vazio por dentro, mas Deus já tinha outro desfecho em mente.

O toque no ombro e a oração na sala interna

Em 1866, a cidade se agitou com a chegada de Lord Radstock, um aristocrata britânico que tinha virado pregador itinerante do Evangelho. As reuniões dele enchiam de gente, principalmente da classe alta, curiosa com o fervor das mensagens.

Baedeker ficou curioso com o alvoroço e, depois de muita insistência de um amigo, resolveu ir a um dos encontros. Saiu do primeiro culto cheio de desdém, dizendo que nada daquilo fazia sentido. Mas a inquietação ficou. Ele começou a voltar às escondidas a outras reuniões, sem conseguir afastar as perguntas que a pregação despertava na consciência dele.

Numa noite, quando o sermão terminou, ele sentiu que a barreira do orgulho estava prestes a cair. Levantou rápido e tentou alcançar a porta de saída pra ninguém falar com ele. Antes de chegar à rua, uma mão firme tocou de leve o ombro dele. Era o próprio Lord Radstock, que olhou nos olhos dele e disse com calma e autoridade:

“Meu amigo, Deus tem uma mensagem para você esta noite.”

A frase derrubou as últimas defesas do cético. Radstock levou ele até uma sala interna, reservada pra aconselhamento, e os dois se ajoelharam. Ali, na presença de Deus, as certezas do racionalismo vieram abaixo. O professor alemão reconheceu a própria falência moral, creu na expiação perfeita de Jesus Cristo na cruz e se levantou do chão perdoado e regenerado.

O apóstolo das prisões russas

A vida de Baedeker mudou tanto que o antigo ateu pôs todo o conhecimento de idiomas, a disposição e o dinheiro que tinha a serviço do Reino de Deus.

Aos poucos, o coração dele foi se voltando pro leste europeu e pra imensidão da Rússia imperial. Naquele tempo, quase ninguém conseguia entrar no sistema penal czarista, mas Baedeker obteve uma permissão imperial pra visitar todos os presídios e fortalezas da Rússia.

Viajou de carruagem, a cavalo e de barco por dezenas de milhares de quilômetros, atravessando as estepes congeladas da Sibéria, os desfiladeiros do Cáucaso e as margens do Mar Cáspio. Entrava nas piores celas, abraçava criminosos de todo tipo e entregava as Escrituras aos prisioneiros, falando da graça de Deus.

Baedeker morreu em 1906, aos 83 anos. A vida dele mostra que, quando o Evangelho conquista a mente de um homem, ele transforma um zombador frio num dos maiores mensageiros de esperança que a história já conheceu.