AssineApoie
MembrosOs fascículos de cada episódio do canal Crer Para Compreender

HistóriaConversões: histórias de fé21 de 83

F. W. Baedeker: do ateísmo às prisões da Rússia czarista

A conversão do Dr. F. W. Baedeker: De ateu alemão a missionário dedicado

Diego Gonçalvesatualizado 4 min de leitura766 palavras

Leitura automática pelo seu navegador; pode haver erros de pronúncia.

Áudio em preparo — assine para ser avisado

Neste texto

Nas últimas décadas do século XIX, as prisões mais sombrias da Rússia czarista e os campos de deportados na Sibéria recebiam visitas regulares de um senhor de idade, de fala mansa, barba branca e olhar compassivo. Ele levava uma autorização extraordinária, dada direto pelas autoridades do Império Russo. Era o Dr. Friedrich Wilhelm Baedeker, que distribuía Novos Testamentos e anunciava a esperança do perdão a milhares de condenados algemados.

O mais surpreendente é que esse homem, que passou décadas levando consolo às prisões, começou a vida adulta como um cético convicto, que zombava abertamente de qualquer crença em Deus.

Retrato em preto e branco de Friedrich Wilhelm Baedeker já idoso, de barba branca longa, sentado com um livro no colo
Retrato de F. W. Baedeker, em R. S. Latimer, Dr. Baedeker and his Apostolic Work in Russia, Morgan and Scott, Londres, 1907. Domínio público, via Wikimedia Commons.

O professor cético em Weston-super-Mare

Baedeker nasceu na Alemanha e era parente dos fundadores dos famosos guias de viagem Baedeker. Ainda jovem, deixou a Alemanha e passou a dar aula de línguas e de ciências naturais. Naquela época, ele se definia sem rodeios como “um ateu alemão sem Deus”. Era culto, racionalista e não via sentido nenhum nas práticas religiosas.

A saúde, porém, começou a falhar. Uma doença grave nos pulmões o deixou com um só, e os médicos recomendaram uma mudança radical de clima. Ele viajou para a Austrália na esperança de melhorar, mas a solidão e a falta de amigos deixaram a experiência amarga. Sem ter recuperado as forças, foi para a Inglaterra e se fixou na cidade litorânea de Weston-super-Mare.

Ali ele se casou e passou a viver uma rotina tranquila e mundana, entregue aos pequenos prazeres da alta sociedade local. O conforto material escondia o vazio por dentro, mas Deus já tinha outro desfecho em mente.

O toque no ombro e a oração na sala interna

Em 1866, a cidade se agitou com a chegada de Lord Radstock, um aristocrata britânico que tinha virado pregador itinerante do Evangelho. As reuniões dele enchiam de gente, principalmente da classe alta, curiosa com o fervor das mensagens.

Baedeker, curioso com o alvoroço e depois de muita insistência de um amigo, resolveu ir a um dos encontros. Saiu do primeiro culto cheio de desdém, dizendo que nada daquilo fazia sentido. Mas a inquietação ficou. Passou a voltar às escondidas a outras reuniões, sem conseguir afastar as perguntas que a pregação despertava na consciência.

Numa noite, quando o sermão terminou, sentiu que a barreira do orgulho estava prestes a cair. Levantou-se depressa e tentou alcançar a porta de saída para que ninguém falasse com ele. Antes de chegar à rua, uma mão firme tocou de leve o seu ombro. Era o próprio Lord Radstock, que olhou nos olhos dele e disse com calma e autoridade:

“Meu amigo, Deus tem uma mensagem para você esta noite.”

A frase derrubou as últimas defesas do cético. Radstock o levou até uma sala interna, reservada para aconselhamento, e os dois se ajoelharam. Ali, na presença de Deus, as certezas do racionalismo vieram abaixo. O professor alemão reconheceu a própria falência moral, creu na expiação perfeita de Jesus Cristo na cruz e se levantou do chão perdoado e regenerado, pela graça e mediante a fé.

O apóstolo das prisões russas

A vida de Baedeker mudou tanto que o antigo ateu pôs todo o conhecimento de idiomas, a disposição e o dinheiro que tinha a serviço do Reino de Deus.

Aos poucos, o coração dele foi se voltando para o leste europeu e para a imensidão da Rússia imperial. Naquele tempo, quase ninguém conseguia entrar no sistema penal czarista, mas Baedeker obteve uma permissão imperial para visitar todos os presídios e fortalezas da Rússia.

Viajou de carruagem, a cavalo e de barco por dezenas de milhares de quilômetros, atravessando as estepes congeladas da Sibéria, os desfiladeiros do Cáucaso e as margens do Mar Cáspio. Entrava nas piores celas, abraçava criminosos de todo tipo e entregava as Escrituras aos prisioneiros, falando da graça de Deus.

Baedeker morreu em 1906, aos 83 anos. A vida dele mostra que, quando o Evangelho alcança um homem, a graça de Deus pode transformar um zombador frio num mensageiro da esperança de Cristo para milhares de presos.

140pal/min