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HistóriaConversões: histórias de fé40 de 83

Conversão de Henry Havelock: do racionalismo à fé em Cristo

A conversão de Henry Havelock: o libertador de Lucknow

Diego Gonçalvesatualizado 3 min de leitura645 palavras

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Neste texto

O major-general Sir Henry Havelock foi um dos soldados mais respeitados do Império Britânico no século XIX. Ficou famoso pela disciplina firme dos homens dele e pela coragem na libertação de Lucknow, durante a Revolta dos Cipaios, em 1857. Antes de comandar tropas sob fogo cerrado na Índia, porém, Havelock travou a batalha mais dura da vida contra o ceticismo religioso e as próprias dúvidas sobre a fé cristã.

Nasceu em Bishopwearmouth em 1795 e entrou na carreira militar aos vinte anos. Tinha uma conduta moral exemplar e detestava a vulgaridade comum dos quartéis, mas por dentro não estava satisfeito. As leituras filosóficas o tinham empurrado para uma visão racionalista, que rejeitava a divindade de Jesus Cristo e reduzia o Evangelho a um simples código de ética.

Pintura do encontro de Havelock, Outram e Campbell em Lucknow, com soldados e oficiais britânicos e indianos
Thomas Jones Barker, A libertação de Lucknow, 1859. Domínio público, via Wikimedia Commons.

A Viagem no “General Kyd”

Em 1823, transferido para a Índia colonial, Havelock embarcou no navio militar General Kyd para uma longa travessia. Durante os meses de viagem, conheceu outro jovem oficial a bordo, o tenente James Gardner, um crente sincero que lia a Bíblia todo dia no convés.

Gardner notou a inquietação de Havelock e puxou conversa sobre o destino eterno da alma. O futuro general desabafou sobre a confusão dos pensamentos dele e o vazio das certezas intelectuais. Com paciência e carinho, Gardner desafiou o amigo a examinar as Escrituras em oração e mostrou, nas páginas dos Evangelhos, que o Salvador é Deus e que a morte dele na cruz foi o sacrifício em lugar dos pecadores.

No meio do oceano, a arrogância teórica de Havelock deu lugar ao arrependimento. Ele reconheceu a Cristo não só como um grande mestre moral, mas como Redentor pessoal e Deus soberano. A graça que o procurou por meio de um colega de bordo e das Escrituras fez dele um crente, e não um simples admirador de Jesus.

Os “Santos de Havelock”

Quando desembarcou na Ásia, Havelock assumiu a fé abertamente. Tornou-se hábito inegociável da rotina dele reunir os soldados da companhia para ler a Bíblia, orar e cantar todo dia. Numa época em que o exército britânico sofria com o alcoolismo e a indisciplina, a tropa dele se destacava pela sobriedade e pela eficiência.

O resultado, segundo a tradição, apareceu numa emergência na Birmânia. Houve um ataque de surpresa a um posto avançado, e o comandante-em-chefe britânico, Sir Archibald Campbell, descobriu que o regimento escalado para a defesa estava embriagado e sem condição de lutar. Indignado, Campbell deu uma ordem que virou história:

— Então mandem chamar imediatamente os homens de Havelock! Eles nunca estão bêbados e Havelock está sempre pronto!

Os chamados “santos de Havelock” pegaram as armas em minutos, marcharam com calma e repeliram o ataque inimigo com precisão.

O Desfecho em Lucknow

A prova final da fé dele veio em 1857. Havelock liderou uma marcha heroica, debaixo de calor sufocante e fogo constante, para romper as linhas inimigas e socorrer centenas de mulheres e crianças cercadas na residência britânica de Lucknow.

Vencida a batalha, o corpo enfraquecido dele não resistiu a um ataque grave de disenteria. Em novembro daquele mesmo ano, nos últimos dias de vida, disse ao general James Outram que, por quarenta anos, tinha procurado viver de modo a poder encarar a morte sem medo. Ao filho Harry, que estava ao lado dele, falou com serenidade: “Veja como um cristão pode morrer”.

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