
HistóriaConversões: histórias de fé47 de 83
Conversão de Robert Chapman, o Patriarca de Barnstaple
A Conversão de Robert Cleaver Chapman: O Patriarca de Barnstaple
Quando Charles Spurgeon queria citar um exemplo vivo de santidade e mansidão, apontava para Robert Cleaver Chapman. Entre os cristãos britânicos ele era conhecido como o “Patriarca de Barnstaple” ou o “Apóstolo do Amor”. Chapman viveu quase um século inteiro, de 1803 a 1902, e marcou gerações com a sua generosidade e com o desapego total de honrarias humanas. A base dessa mansidão foi a clareza com que ele entendeu, ainda jovem, a doutrina da graça: a salvação vem de Deus e é recebida pela fé, somente em Cristo.
A promessa na advocacia e a busca da alma
Chapman nasceu em 1803 (as biografias costumam dar o dia 4 de dezembro), numa família inglesa próspera, e teve uma boa formação. Jovem talentoso e culto, mudou-se para Londres para estudar direito e logo começou a atuar como advogado. A carreira prometia status e estabilidade financeira na capital britânica.
Por trás do profissional promissor, porém, havia uma consciência inquieta. Chapman sabia que uma vida respeitável aos olhos da sociedade não resolvia o abismo moral entre a criatura e o Criador. Ele cumpria as obrigações religiosas com zelo, mas via que o esforço pessoal nunca chegava à paz que a sua alma procurava.
A virada veio quando o levaram para ouvir as pregações de James Harington Evans na John Street Chapel, em Londres. Ali, pela primeira vez, Chapman entendeu o Evangelho sem as armaduras da religiosidade tradicional: o homem não precisa construir uma ponte até Deus, porque Cristo já fez isso na cruz.
O lugar do pecador diante de Deus
Entender a graça mudou por completo o modo como Chapman enxergava a salvação. Ele resumia essa descoberta com franqueza:
Conta-se, a partir de seus escritos, que ele ensinava que o filho de Adão só precisa tomar o seu devido lugar diante de Deus, reconhecer o pecado e aceitar o Salvador Jesus. A barreira para a salvação estava no pecador, e não em Deus: bastava que ele considerasse a própria justiça como esterco e trapos (Filipenses 3:8; Isaías 64:6) e recebesse Cristo. Deus não excluía ninguém do Seu coração, e o pecador não precisava implorar misericórdia como se Ele relutasse em perdoar. Precisava apenas confessar que não merecia sequer um copo de água fria. A vida eterna, nessa leitura, é dom de Deus (Romanos 6:23) que se recebe pela fé, e a própria fé é fruto da graça que vem antes e capacita o pecador a responder (Efésios 2:8-9).
Para Chapman, a barreira nunca foi Deus não querer salvar, mas o orgulho humano que se recusa a admitir a própria falência moral.
Uma vida de simplicidade em Barnstaple
Depois da conversão, a advocacia perdeu o atrativo. Chapman viu que não dava para conciliar certos litígios comerciais com a consciência cristã e largou uma carreira lucrativa. Em 1832, mudou-se para a pequena cidade de Barnstaple, em Devon, onde passou os setenta anos seguintes.
Ali viveu numa casa humilde, de portas abertas para receber viajantes, ajudar famílias pobres e aconselhar pastores e líderes de várias denominações, entre eles George Müller e J. N. Darby. Quando divergências teológicas azedavam a amizade entre os líderes da época, Chapman era o mediador tranquilo, conhecido por lembrar que a melhor maneira de defender a verdade é vivê-la com amor.
Já idoso, Chapman escreveu a um amigo, com a gratidão tranquila de quem tinha caminhado com Deus por muitas décadas. Contou que conhecia Cristo, pela Palavra e pelo Espírito de Deus, havia mais de setenta anos, todos felizes e abençoados, que dava graças continuamente e que, ao rever a vida inteira, achava cada vez mais motivos para agradecer a Deus e uma razão mais profunda para a auto-humilhação. A fonte da carta não está indicada, e o texto a resume em discurso indireto.
Ele morreu em junho de 1902 e deixou uma coleção de reflexões espirituais curtas, conhecidas como os “Ditos Escolhidos”. O segredo da sua longa e fecunda caminhada não estava em fórmulas místicas complicadas, mas na convicção que manteve até o último suspiro: a salvação é inteiramente fruto da misericórdia de Deus, e a vida cristã nada mais é do que a resposta diária de amor e gratidão a essa graça.
- Biografia
- Blog
- Conversões
- Personagens
- Graça
- Humildade