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Conversão de Robert Chapman, o Patriarca de Barnstaple

A Conversão de Robert Cleaver Chapman: O Patriarca de Barnstaple

Diego Gonçalvesatualizado 4 min de leitura717 palavras

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Neste texto

Quando Charles Spurgeon queria citar um exemplo vivo de santidade e mansidão, apontava pra Robert Cleaver Chapman. Entre os cristãos britânicos ele era conhecido como o “Patriarca de Barnstaple” ou o “Apóstolo do Amor”. Chapman viveu quase um século inteiro, de 1803 a 1902, e marcou gerações com a generosidade dele e com o desapego total de honrarias humanas. Mas a base de toda essa mansidão foi a clareza com que ele entendeu, ainda jovem, a doutrina da graça.

A promessa na advocacia e a busca da alma

Chapman nasceu em 1803, numa família inglesa próspera, e teve uma boa formação. Jovem talentoso e culto, se mudou pra Londres pra estudar direito e logo começou a atuar como advogado. A carreira prometia status e estabilidade financeira na capital britânica.

Por trás do profissional promissor, porém, havia uma consciência inquieta. Chapman sabia que uma vida respeitável aos olhos da sociedade não resolvia o abismo moral entre a criatura e o Criador. Ele cumpria as obrigações religiosas com zelo, mas via que o esforço pessoal nunca chegava à paz que a alma dele procurava.

A virada veio quando levaram ele pra ouvir as pregações de James Harington Evans na John Street Chapel, em Londres. Ali, pela primeira vez, Chapman entendeu o Evangelho sem as armaduras da religiosidade tradicional: o homem não precisa construir uma ponte até Deus, porque Cristo já fez isso na cruz.

O lugar do pecador diante de Deus

Entender a graça mudou por completo o jeito de Chapman enxergar a salvação. Ele resumia essa descoberta com uma franqueza desarmante:

“Tudo o que se exige de um filho de Adão para passar da morte para a vida é que ele tome seu devido lugar na presença de Deus, reconheça o seu pecado e aceite o Salvador Jesus. A barreira para a salvação de qualquer pecador está nele mesmo, não em Deus. Deixe o pobre pecador considerar sua própria justiça como esterco e trapos, e ele receberá Cristo. Deus não vai — e não pode — excluí-lo do Seu coração. Não há necessidade de um pecador implorar misericórdia a Deus como se Ele relutasse em perdoar; o que há é a necessidade de o pecador confessar que não merece sequer um pedaço de pão ou um copo de água fria. No momento em que reconhece sua indignidade, ele não pode rejeitar o que Deus já ofereceu. A vida eterna é patrimônio de todo aquele que decide recebê-la.”

Pra Chapman, a barreira nunca foi Deus não querer salvar, mas o orgulho humano que se recusa a admitir a própria falência moral.

Uma vida de simplicidade em Barnstaple

Depois da conversão, a advocacia perdeu o atrativo. Chapman viu que não dava pra conciliar certos litígios comerciais com a consciência cristã e largou uma carreira lucrativa. Em 1832, se mudou pra pequena cidade de Barnstaple, em Devon, onde passou os setenta anos seguintes.

Ali viveu numa casa humilde, de portas abertas pra receber viajantes, ajudar famílias pobres e aconselhar pastores e líderes de várias denominações, entre eles George Müller e J. N. Darby. Quando divergências teológicas azedavam a amizade entre os líderes da época, Chapman era o mediador tranquilo que lembrava a todos que “a melhor maneira de defender a verdade é vivê-la com amor”.

Já idoso, Chapman escreveu a um amigo, com a gratidão tranquila de quem tinha caminhado com Deus por muitas décadas:

“Meu dia de nascimento natural é 4 de janeiro de 1803. Conheço Cristo pela Palavra e pelo Espírito do nosso Deus há mais de setenta anos, todos felizes, todos abençoados. Estou dando graças continuamente, e em minha constante revisão de toda a minha vida vejo cada vez mais motivos para agradecer a Deus e louvar Seus Santos Nomes, juntamente com uma razão mais profunda para a auto-humilhação.”

Ele morreu em junho de 1902 e deixou uma coleção de reflexões espirituais curtas, conhecidas como os “Ditos Escolhidos”. O segredo da longa e fecunda caminhada dele não estava em fórmulas místicas complicadas, mas na convicção que manteve até o último suspiro: a salvação é inteiramente fruto da misericórdia de Deus, e a vida cristã nada mais é do que a resposta diária de amor e gratidão a essa graça.