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A Centralidade da Cruz de Cristo | #05
Bem-vindo ao nosso curso online “Fundamentos do Evangelho”! Este é o quinto estudo da nossa série.
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Esta série busca responder às grandes questões da vida e explorar as maravilhas da existência humana, desde a complexidade do corpo humano até as realidades eternas.
Quem sou eu? Por que estou aqui? Para onde vou? Qual é a base da moralidade? Qual é a realidade última? Estas perguntas são o ponto de partida para buscar a verdade sobre nós mesmos e sobre o universo que nos rodeia.
Neste curso, você será conduzido por uma série de estudos e discussões que vão desafiar, inspirar e preparar você para viver com um propósito maior. Trataremos de temas como a estrutura fascinante do DNA humano, o funcionamento complexo do nosso cérebro e o papel vital do nosso sangue.
Este curso foi pensado para todos os que buscam respostas, sejam novos na fé, sejam os que desejam aprofundar o seu entendimento. Junte-se a nós nesta trilha de estudos para descobrir a majestade de Deus e a maravilha da Sua criação.
No estudo anterior, falamos da singularidade de Jesus, incluindo um pouco sobre a sua morte. Agora vamos continuar, detalhando como foi a sua crucificação e o que a causou.
A singularidade de seu propósito
Para quem conhecia Jesus e ouvia as suas palavras, o motivo de sua vinda ao mundo era claro. Quem entendesse o significado da Páscoa veria a conexão com Jesus. Isso ficou evidente quando João Batista o apresentou:
Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. […] E eu não o conhecia; mas para que fosse manifesto a Israel, por isso vim eu batizando com água. E João testemunhou, dizendo: Eu vi o Espírito como pomba descer do céu, e repousou sobre ele. E eu não o conhecia, mas aquele que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer ao Espírito, e repousar sobre ele, esse é o que batiza com Espírito Santo.
(João 1:29,31-33, Bíblia Livre)
Muitas pessoas conheciam as festas do Antigo Testamento e o seu significado, e essas festas apontavam para a missão de Jesus. João Batista dizia que Jesus era especial porque veio cumprir o que essas festas representavam. Lembremos da primeira Páscoa, quando Deus libertou Israel do Egito (Êxodo 12). Se a porta da casa estivesse marcada com o sangue do cordeiro, o destruidor não entrava, e a família era poupada pelo sacrifício do cordeiro. Este é o testemunho de João: Jesus é o Cordeiro que Deus providenciou para perdoar e salvar. A morte de Jesus nos protege do julgamento que merecemos.
Lemos nos Evangelhos que Jesus avisou os seus discípulos, mais de uma vez, que iria a Jerusalém, que sofreria, seria crucificado e ressuscitaria no terceiro dia. E foi exatamente isso que aconteceu. No caminho para Jerusalém, Ele chamou os doze discípulos e explicou:
E quando Jesus estava para subir a Jerusalém, tomou consigo os doze discípulos à parte, e no caminho lhes disse: Eis que estamos subindo a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos chefes dos sacerdotes e aos escribas, e o condenarão à morte. E o entregarão aos gentios, para que dele escarneçam, e o açoitem, e crucifiquem; mas ao terceiro dia será ressuscitado.
(Mateus 20:17-19, Bíblia Livre)
Seu desafio à religião que era focada em si mesma
O período que antecedeu a crucificação de Jesus foi decisivo e marcou o ponto alto de suas duras críticas aos líderes religiosos da época. A chegada a Jerusalém foi um marco na sua caminhada até a cruz, e Mateus 21 descreve os acontecimentos com detalhes. Jesus entrou em Jerusalém montado num jumentinho e foi recebido como Rei, exatamente como o profeta Zacarias tinha previsto (Zacarias 9:9).
Ao chegar ao templo, Jesus indignou-se com a hipocrisia dos líderes religiosos, que permitiam práticas indevidas dos comerciantes. Vendiam animais e pombas para o sacrifício a preços abusivos e, provavelmente, recebiam propina dos vendedores do templo. Jesus não contemporizou:
Jesus entrou no Templo; então expulsou todos os que estavam vendendo e comprando no Templo, e virou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. E disse-lhes: Está escrito: “Minha casa será chamada casa de oração”; mas vós a tornais em covil de ladrões!
(Mateus 21:12-13, Bíblia Livre)
Então aconteceu algo extraordinário: cegos e coxos foram até Jesus no templo, e Ele os curou. Mas, quando os líderes religiosos viram as maravilhas que Ele fazia e ouviram as crianças gritando no pátio do templo “Hosana ao Filho de Davi”, ficaram muito irritados.
“Você está ouvindo o que essas crianças estão dizendo?”, perguntaram a Jesus. A reação desses líderes diz muito. Eles se julgavam os donos do templo e de tudo ao redor, e não suportavam quem desafiasse a sua autoridade. No julgamento diante de Pilatos, vemos que, por inveja do amor do povo por Jesus, decidiram condená-lo e matá-lo.
A Última Ceia
Mesmo com Jesus dizendo repetidas vezes que seria crucificado e voltaria à vida, os discípulos não pareciam entender que Ele realmente morreria. Ouviam as palavras de Jesus já com uma ideia formada: quando o Messias chegasse, libertaria o povo de Roma, e Israel voltaria a ser uma grande nação. Por isso, quando Jesus falava da sua morte, aquilo não fazia sentido para eles. No pensamento deles, “Jesus, o Messias” não poderia morrer crucificado.
Na última ceia, Jesus e os discípulos se reuniram para o jantar da Páscoa, a festa que lembra a libertação de Israel do Egito. Pouco antes, em Betânia, uma mulher havia derramado um perfume caro sobre Jesus. Os discípulos reclamaram, mas Jesus explicou que ela o estava preparando para o sepultamento (Mateus 26:6-13), mais uma pista do que estava por vir.
Imaginemos os discípulos reunidos à mesa do jantar. Jesus dá uma notícia que gela a sala: “Um de vocês vai me trair”. Diante do choque e do silêncio, cada um começa a perguntar quem poderia ser o traidor. Jesus tem uma breve conversa com Judas. Em seguida, compartilha algo que a maioria só entenderia depois da ressurreição. Por meio da sua morte e ressurreição, Ele estabeleceria uma nova aliança. Nessa aliança, o perdão dos pecados está disponível a todos os que creem, de qualquer povo, e não depende de cumprir regras nem de méritos, mas somente do que Jesus estava prestes a fazer. Ele ligou isso ao pão e ao vinho: o pão representava o seu corpo, que seria partido, e o vinho, o “sangue da aliança, derramado por muitos para o perdão dos pecados”. Deixou claro que essa parte da refeição da Páscoa seria lembrada por todos os crentes.
Junto com a Páscoa, os judeus celebravam, em seguida, a festa dos pães sem fermento. Nessa celebração, livravam-se de todo o fermento das casas, que simbolizava o pecado a ser eliminado. Hoje isso já não é necessário, pois Jesus, o Cordeiro, foi sacrificado por todos nós de uma vez por todas, tratando diretamente das consequências dos nossos pecados (Hebreus 10:10-14).
A agonia do Getsêmani
O que se passou no jardim do Getsêmani é muito relevante, porque mostra Jesus diante da aflição de carregar os nossos pecados e de ser desamparado pelo Pai. Essa era a sua luta. Não se tratava apenas de dor e sofrimento físico, mas de ser feito “pecado por nós” (2 Coríntios 5:21), ele que nunca conhecera o pecado. Com grande pesar, orou e disse aos discípulos: “Minha alma está muito triste, até a morte”.
Lucas, que era médico, relata em seu Evangelho que Jesus estava em tamanha angústia que o seu suor se fez como gotas de sangue (Lucas 22:44), e um anjo veio fortalecê-lo. Pediu aos discípulos: “Fiquem aqui e vigiem comigo”, e orou:
Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; porém, não seja como eu quero, mas sim como tu queres.
(Mateus 26:39, Bíblia Livre)
O mais surpreendente foi a reação serena e a falta de preocupação profunda dos discípulos. Até aquele momento, eles realmente não tinham entendido o que estava prestes a acontecer, embora Jesus o tivesse dito com clareza. Como puderam estar tão distantes de Jesus a ponto de não perceber o que vinha? Mesmo quando Ele voltou, viu que dormiam e disse a Pedro: “Você não conseguiu ficar acordado nem por uma hora?”, os discípulos continuaram a dormir.
Por fim, Jesus lhes disse:
Depois veio aos discípulos, e disse-lhes: Agora dormi e descansai. Eis que chegou a hora em que o Filho do homem é entregue em mãos de pecadores. Levantai-vos, vamos! Eis que chegou o que me trai.
(Mateus 26:45-46, Bíblia Livre)
A farsa do julgamento
Jesus nunca teve a chance de um julgamento justo. Os líderes religiosos da época não quiseram reconhecer nem as afirmações diretas de Jesus nem a sua concordância com as profecias do Antigo Testamento. O fato de Jesus ser admirado e até reverenciado por muitos já era suficiente para ameaçá-los.
Depois que Jesus foi preso, levaram-no à casa do sumo sacerdote e começaram a interrogá-lo. Tudo aquilo não passava de uma farsa, pois já tinham decidido matá-lo. Precisavam apenas de algo para usar contra Ele e, se não encontrassem, inventariam. Depois de maltratá-lo, levaram Jesus a Pilatos, o governador romano, a quem cabia a sentença de morte. Quando Pilatos o interrogou, declarou que não encontrava culpa nele. Mas a multidão estava furiosa e decidida a matá-lo. Em certo ponto do julgamento, a esposa de Pilatos mandou avisá-lo que não se envolvesse com aquele homem justo, o que deixou Pilatos ainda mais inclinado a libertar Jesus.
Diante disso, Pilatos propôs à multidão uma troca: Jesus por Barrabás, um prisioneiro notório, condenado por insurreição. Os líderes religiosos, porém, incitaram a multidão a escolher Barrabás. Sabiam que poderiam pressionar Pilatos, um político sensível à opinião popular. Pilatos pediu água, lavou as mãos diante da multidão e disse: “Estou inocente do sangue dele”. Todo o povo respondeu: “O sangue dele venha sobre nós, e sobre os nossos filhos”. Então ele entregou Jesus para ser crucificado (Mateus 27:24-26).
Para mim, é impressionante ver até onde a crueldade humana pode chegar, mas todos nós estamos corrompidos pelo pecado e somos capazes de qualquer maldade. Os soldados romanos pareciam completamente alheios ao que acabavam de presenciar: um “homem justo” condenado e sentenciado. Ainda aumentaram o sofrimento de Jesus, pondo-lhe na cabeça uma coroa de espinhos e batendo nela com força. Chicotearam-no, bateram nele e zombaram dele, até o ponto descrito pelo profeta:
Como muitos se espantaram de ti, de que a aparência dele estava tão desfigurada, mais do que qualquer outro; que seu aspecto já não parecia com os filhos dos homens.
(Isaías 52:14, Bíblia Livre)
Depois disso, levaram-no para ser crucificado. Essa profecia foi escrita cerca de 700 anos antes da morte de Jesus, assim como muitas outras passagens relacionadas a esse acontecimento.
A singularidade de sua morte
Embora as crucificações fossem comuns naquela época, a de Jesus foi diferente. Alguns podem pensar que os soldados tinham pleno controle do que acontecia, mas esquecem que Jesus disse que a sua crucificação era o motivo pelo qual veio ao mundo. No Getsêmani, Jesus já havia deixado claro que, se quisesse, poderia pedir ao Pai mais de doze legiões de anjos (Mateus 26:53). Mas, se fizesse isso, as Escrituras, que diziam que as coisas tinham de acontecer daquela maneira, não se cumpririam. Em João 10:17-18, Jesus disse que ninguém lhe tiraria a vida: Ele a entregava por vontade própria, e tinha poder para entregá-la e para retomá-la. Jesus seguiu o plano de livre vontade, tendo outras opções.
Por essa razão, creio que Jesus não resistiu enquanto era pregado na cruz. Os soldados repartiam as suas roupas (como previsto no Salmo 22:18), e os líderes religiosos o insultavam. Queriam que Ele mostrasse ser quem dizia ser, descendo da cruz. Mas Jesus ficou e orou: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23:34).
Ainda teve tempo de falar com o criminoso crucificado ao seu lado. Em algum momento, o homem viu algo em Jesus que tocou o seu coração, e então disse:
E nós realmente estamos sendo punidos justamente, porque estamos recebendo de volta merecidamente por aquilo que praticamos; mas este nada fez de errado. E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando chegares em teu Reino. E Jesus lhe disse: Em verdade te digo, hoje estarás comigo no paraíso.
(Lucas 23:41-43, Bíblia Livre)
Que promessa! O homem não tinha obra alguma para apresentar. Recebeu o paraíso pela graça, mediante a fé em Cristo.
Nesse ponto, tudo parecia perdido. Os líderes religiosos tinham conseguido o que queriam, e o abuso sofrido por Jesus devia ter sido devastador para os seus seguidores. Mas, ao meio-dia, toda a criação parecia reagir. As trevas cobriram a terra enquanto o pecado do mundo era colocado sobre Jesus, que clamou com grande dor. O Pai e o Filho nunca se separaram, durante toda a eternidade. Naquele momento, porém, quando Jesus, o Santo, carregou os pecados da humanidade, experimentou o abandono do juízo: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27:46). Ele suportou, em nosso lugar, a pena que o pecado merecia (Isaías 53:5; 1 Pedro 2:24). Depois disse: “Está consumado”, e isso significa que tudo o que veio fazer estava cumprido. Então baixou a cabeça e entregou o espírito. Quem mais poderia fazer isso? Só alguém que tem controle sobre a vida e a morte.
Quando o centurião e os soldados que vigiavam Jesus viram tudo aquilo e os sinais que o acompanharam, ficaram aterrorizados e disseram: “Verdadeiramente este era o Filho de Deus!” (Mateus 27:54). E naquele instante a cortina do templo se rasgou em duas partes, de cima para baixo, mais um sinal de que Deus estava por trás de tudo. Por que isso é tão importante?
Até a morte de Jesus, o povo vivia sob as regras da Antiga Aliança, que incluía a observância da Lei e a celebração de várias festas. Neste estudo, precisamos entender duas coisas dessas exigências.
Primeiro, os Dez Mandamentos, parte central da Lei, não foram dados para que conquistássemos a aceitação de Deus, mas para mostrar que a humanidade pecadora nunca conseguiria viver de acordo com as regras de Deus. Como Paulo escreveu:
Assim, ninguém será justificado diante dele pelas obras da Lei, porque o que vem pela Lei é o conhecimento do pecado.
(Romanos 3:20, Bíblia Livre)
A existência da Lei mostrou a nossa incapacidade de alcançar a justiça por conta própria.
A segunda coisa é que existia, dentro do templo, um lugar santo que abrigava a arca da aliança, símbolo da presença de Deus no meio do seu povo. Uma cortina pesada escondia esse lugar e mantinha o povo do lado de fora. Só o sumo sacerdote, representando o povo, entrava ali no Dia da Expiação, para aspergir o sangue do sacrifício sobre a arca da aliança (Levítico 16). A cortina do templo se rasgando foi importante não só porque aconteceu, mas pela maneira como aconteceu. Deus rasgou a cortina ao meio, de cima para baixo. Ele abriu um caminho para que nós, por meio do sacrifício final do seu Filho, pudéssemos entrar em sua presença, e assim rasgou a cortina que nos separava dele.
Diz Hebreus 10:19-21,23:
Portanto, irmãos, já que temos a confiança de entrar no Santuário pelo sangue de Jesus, pelo caminho novo e vivo que ele consagrou para nós através do véu, isto é, pela sua carne; e já que temos um grande Sacerdote sobre a casa de Deus, […] mantenhamos firme a esperança que declaramos ter, sem abalo algum, pois aquele que prometeu é fiel.
(Hebreus 10:19-21,23, Bíblia Livre)
Para concluir o nosso estudo, é sempre importante que nos permitamos reviver, de tempos em tempos, os detalhes extraordinários deste acontecimento, que é o ápice das promessas de Deus. Ele mostra quanto Deus se empenha em se fazer conhecido por nós, trabalhando sem cessar para nos conduzir ao entendimento d’Ele e nos ligar a Ele numa relação santa, terna e cheia de amor. Somos salvos pela graça, mediante a fé, somente em Cristo, e a cruz é o lugar onde essa graça custou tudo ao Pai e ao Filho.
Este é o nosso quinto estudo da série Fundamentos do Evangelho. Como você está se sentindo com esses estudos? Compartilhe a sua opinião aqui nos comentários!
Que Deus te abençoe! Até a próxima!
Série Fundamentos da fé
- Por que cremos em Deus?
- Como Deus é?
- A Bíblia é Confiável?
- O que torna Jesus único?
- A Centralidade da Cruz de Cristo (você está aqui)
- Por que cremos na ressurreição?
- Jesus realmente morreu?
- O Que Significa se Tornar um Cristão?
- Entendendo o que tudo isso significa
Próximo estudo: Por que cremos na ressurreição?.
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