AssineApoie
MembrosOs fascículos de cada episódio do canal Crer Para Compreender

TeologiaFundamentos da fé2 de 9

Como Deus é? | #02

Diego Gonçalvesatualizado 19 min de leitura3.834 palavras

Leitura automática pelo seu navegador; pode haver erros de pronúncia.

Áudio em preparo — assine para ser avisado

Neste texto

INTRODUÇÃO: Bem-vindo ao nosso curso online “Fundamentos do Evangelho”! Este é o segundo estudo da nossa série.

  • Para ler ou assistir aos demais estudos desta série, clique aqui.

Miniatura do vídeo: COMO DEUS É? - Estudo 02 - da Série: Fundamentos do EvangelhoAssistir no YouTube

Esta série busca responder às grandes questões da vida e explorar as maravilhas da existência humana, desde a complexidade do corpo até as realidades eternas.

Quem sou eu? Por que estou aqui? Para onde vou? Qual é a base da moralidade? Qual é a realidade última? Estas não são apenas perguntas, mas o começo de um caminho para descobrir a verdade sobre nós mesmos e sobre o universo que nos rodeia.

Neste curso, você será conduzido por uma série de estudos e discussões que irão desafiar, inspirar e equipar para viver a vida com um propósito maior. Vamos tratar de temas como a estrutura fascinante do DNA humano, o funcionamento complexo do nosso cérebro e o papel vital do nosso sangue.

Este curso foi pensado para todos os que buscam respostas, sejam novos na fé ou desejem aprofundar o seu entendimento. Junte-se a nós para descobrir a majestade de Deus e a maravilha da Sua criação.

Prepare-se para ser surpreendido e desafiado.

Detalhe do afresco de Michelangelo no teto da Capela Sistina: a mão de Deus estendida em direção à mão de Adão
Michelangelo, A criação de Adão (detalhe), c. 1511. Capela Sistina, Vaticano. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Onde está Deus?

Ao longo da história, muitas pessoas previram que Deus se tornaria cada vez mais irrelevante. Durante a Revolução Francesa, houve quem previsse que, no futuro, poucas pessoas “inteligentes” acreditariam em Deus. A revista Time, em sua edição de abril de 1966, perguntou na capa: “Deus está morto?”, dando voz à ideia de que a fé seria um grande salto no escuro.

Em muitas partes do mundo atual, existe um antagonismo significativo contra aqueles que acreditam em um Deus pessoal, especialmente no Deus cristão.

Existem esforços concentrados para erradicar o cristianismo, seja por perseguição direta, seja por persuasão intelectual. Esse movimento é exemplificado pelos chamados Novos Ateus, com porta-vozes espalhados pelo mundo. O tema constante deles é que a crença em Deus simplesmente desaparecerá.

No entanto, no mundo não ocidental de hoje há um despertar espiritual que reafirma a existência de Deus. Para surpresa de muitos, Deus está vivo e vai muito bem!

No livro “God Is Back” (2009), John Micklethwait e Adrian Wooldridge unem suas pesquisas para argumentar contra as alegações de uma secularização crescente.

Eles afirmam que um renascimento global da fé começou no final do século XX. O mais intrigante é que esse renascimento ocorre em lugares onde os religiosos têm sido mais perseguidos, como China, Vietnã, África, muitas partes do bloco oriental e também a América do Sul.

Isso apresenta um dilema para o ateísmo. Se você se recorda, vimos em nosso último estudo que a humanidade é inegavelmente religiosa. A necessidade de conexão com o reino espiritual está profundamente enraizada em nosso ser.

Por isso, não existe nação sem alguma forma de adoração. Quando não é a adoração de uma divindade, substituímos por coisas como o materialismo ou deuses alternativos.

Nesse sentido, o salmista diz:

“Os ídolos deles são prata e ouro, obras de mãos humanas. Têm boca, mas não falam; têm olhos, mas não veem; têm ouvidos, mas não ouvem; tem nariz, mas não cheiram; têm mãos, mas não apalpam; têm pés, mas não andam; nem falam com suas gargantas.”

(Salmos 115:4-7, Bíblia Livre)

Ou seja, textos como este nos levam a pensar na premissa de que, se Deus implantou esse desejo de adoração dentro da humanidade, certamente Ele deseja que o conheçamos o suficiente para nos envolvermos com Ele em adoração.

Afinal, quem é Deus?

Muitas pessoas afirmam que não podem acreditar em um Deus que não conseguem compreender. Mas surge aqui um dilema para elas: se pudessem entender Deus completamente, Ele ainda seria Deus? Evidentemente não, pois isso O tornaria igual a elas!

Com nossas mentes limitadas, estamos tão distantes de Deus que é muita presunção supor que poderíamos entendê-Lo totalmente.

Deus é infinito e, por isso, não possui limitações de tempo e espaço como nós, seres humanos. Deus é único, e isso significa simplesmente que não há outro como Ele. Além disso, Deus é eterno. Ele mesmo disse:

“Eu sou o Alfa e o Ômega”, diz o Senhor Deus, que é, e que era, e que virá, o Todo-Poderoso.

(Apocalipse 1:8, Bíblia Livre)

Em Neemias 9:6, os levitas oram com estas palavras:

“Tu és o único, SENHOR! Tu fizeste o céu, o céu dos céus, e todo o seu exército; a terra e tudo quanto nela há; os mares e tudo quanto neles há; e tu vivificas a todos; os exércitos dos céus te adoram.”

(Neemias 9:6, Bíblia Livre)

Perceba a grandiosidade do nosso Deus.

No entanto, Deus se manifestou de várias maneiras e deseja que O conheçamos. Esse caminho começa ao reconhecer que Ele é o criador de todas as coisas, que somos a coroa da Sua criação e que fomos criados com propósitos específicos em mente.

Revelações de Deus

Hoje, aqui e agora, podemos identificar pelo menos três maneiras pelas quais Deus se revelou:

  1. A primeira revelação é que podemos entender alguma coisa da maravilha e do mistério de Deus por meio de Suas obras. No entanto, se isso fosse tudo o que tivéssemos para formar a nossa visão de Deus, nos questionaríamos e debateríamos sobre como nos encaixamos neste mundo majestoso que Ele criou.
  2. A segunda revelação é que Ele nos deu a Bíblia, que usa a linguagem humana finita para explicar as verdades eternas. Durante estes estudos, veremos que a Bíblia é um livro único, tanto em sua precisão histórica quanto em sua explicação sobre Deus e sua relevância para nós.
  3. A terceira revelação é que Deus também se revelou por meio de Jesus Cristo. Quando examinarmos o que torna Jesus único, perceberemos que Ele é, de fato, a revelação especial de Deus.

Eu gosto muito de ler os Salmos, especialmente os de adoração. Mesmo com a ajuda das palavras de Davi, homem segundo o coração de Deus (Atos 13:22), acho sempre difícil explicar Deus completamente. Quando Davi pensa em Deus e tenta entendê-Lo melhor, percebe que a sua compreensão é limitada pela finitude diante da grandeza da mente infinita de Deus.

Consideremos as palavras do Salmo 145:

“O SENHOR é grande e muito louvável; sua grandeza é incompreensível.”

(Salmos 145:3, Bíblia Livre)

Até aqui tudo bem. Realmente entendo isso! Ele continua:

“Geração após geração louvará tuas obras, e anunciarão tuas proezas. Eu falarei da honra gloriosa de tua majestade, e de teus feitos maravilhosos.”

(Salmos 145:4-5, Bíblia Livre)

Pense nesta afirmação por um instante! São palavras incríveis, mas parecem tão insuficientes para descrever Deus! Davi continua:

“E falarão do poder de teus assombrosos feitos; e eu contarei tua grandeza. Declararão a lembrança de tua grande bondade; e anunciarão tua justiça alegremente. Piedoso e misericordioso é o SENHOR; ele demora para se irar, e tem grande bondade. […] Para anunciarem aos filhos dos homens suas proezas, e a honra gloriosa de seu reino.”

(Salmos 145:6-8,12, Bíblia Livre)

Se você folhear outros Salmos, lerá algo desse tipo:

“Não há semelhante a ti entre os deuses, ó Senhor; e nem obras como as tuas.”

(Salmos 86:8, Bíblia Livre)

É interessante que, ao longo de toda a Bíblia, Deus, em determinadas situações, afasta essa cortina de infinitude e grandeza e se revela de forma graciosa, na medida em que podemos compreender.

Quanto mais experimentamos o Seu amor, a Sua misericórdia e a Sua graça, mais O conhecemos.

Principais características de Deus

Deus é o criador de todas as coisas: a grande causa primordial

Os cristãos acreditam que toda vida teve seu início em Deus e que Ele é eternamente transcendente. É indiscutível que aqueles escolhidos por Deus para escrever a Bíblia acreditavam firmemente que Ele é o criador e mantenedor de todas as coisas: “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gênesis 1:1, Bíblia Livre).

Isaías 40 é uma exposição maravilhosa. Nele vemos Deus em toda a Sua majestade, o Deus da criação, que diz ao mundo:

“Por acaso não sabeis? Por acaso não ouvis? Ou desde o princípio não vos disseram? Por acaso não tendes entendido desde os fundamentos da terra? Ele é o que está sentado sobre o globo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; ele é o que estende os céus como uma cortina, e os estica como uma tenda, para neles habitar. […] A quem, pois, me comparareis, que eu lhe seja semelhante?, diz o Santo. Levantai vossos olhos ao alto, e vede quem criou estas coisas, que faz sair numerado seu exército; e chama a todos eles pelos nomes, pela grandeza de suas forças, e por ser forte em poder, nenhuma delas faltará.”

(Isaías 40:21-22,25-26, Bíblia Livre)

Em Isaías 57:15, o mesmo criador majestoso declara que também deseja se envolver conosco:

“Porque assim diz o Alto e Sublime, que habita na eternidade, e cujo nome é santo: Na altura e no lugar santo habito; e também com o contrito e abatido espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e para vivificar o coração dos contritos.”

(Isaías 57:15, Bíblia Livre)

Ele é um Deus de propósito

Deus não só criou o mundo com um propósito, mas também nos criou para participarmos desse propósito com Ele. Na maravilhosa história da criação, temos um lugar especial: somos de fato a coroa da Sua criação, feitos à Sua imagem e semelhança. Isso não significa que fisicamente sejamos como Deus, mas que somos seres pensantes, como Ele.

Possuímos a capacidade de raciocinar e escolher, somos criativos como Ele e o nosso propósito é refletir a Sua imagem no nosso caráter. Mesmo com a nossa rebeldia e a recusa em nos submetermos a Ele como Deus, o propósito original de Deus ao nos criar não mudou. A nossa semelhança com Ele pode ser restaurada por meio de um relacionamento contínuo com Jesus.

Deus é uma pessoa

Ele não é uma entidade distante nem uma influência cósmica. Deus é uma pessoa que pensa, sente, planeja, cria e age constantemente em Seu mundo. A Sua personalidade se reflete em Jesus, como veremos ao explorar o que torna Jesus tão único.

Deus é sábio

Isso parece óbvio, mas algumas pessoas se acham tão inteligentes que rejeitam a Deus. Imagino que algo assim estivesse na mente de Paulo quando exclamou:

“Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão incompreensíveis são os seus juízos, e inimagináveis os seus caminhos!”

(Romanos 11:33, Bíblia Livre)

Pessoalmente, encontro confiança em saber que, à medida que a minha caminhada com Deus amadurece, fico mais consciente da Sua liderança e do Seu discernimento.

Em Efésios 3:10, Paulo contemplou a maravilha da sabedoria de Deus ao prover um caminho para a salvação da humanidade. Ele declarou que a intenção dessa graça era:

“para que a multiforme sabedoria de Deus seja agora manifestada pela igreja aos domínios e autoridades nos lugares celestes”

(Efésios 3:10, Bíblia Livre)

Isso confirma quão maravilhosamente sábio é Deus ao elaborar um evangelho único, que nos permite conhecê-Lo por meio de Seu Filho Jesus.

Deus é santo

A santidade de Deus é afirmada consistentemente em toda a Bíblia e reflete o Seu caráter inerente. Não há nada Nele que não resplandeça pureza e majestade, evidentes em tudo o que Ele é e faz. Ele é digno de total devoção, sendo perfeito em bondade e retidão. O salmista declarou: “Reconhecei ao SENHOR a glória de seu nome; adorai ao SENHOR na honra da santidade” (Salmos 29:2, Bíblia Livre).

Portanto, ao começarmos a entender que Ele está absolutamente separado de tudo que possa contaminar a Sua santidade, surge o dilema: como um Deus santo pode se relacionar com um povo profano, cujo pecado o contaminou e o separou Dele?

Isso deve nos levar à consciência de que não somos nada como fomos criados para ser! Precisamos de uma intervenção para promover mudanças. Veremos, no decorrer destes estudos, o plano que Deus elaborou para resolver esse dilema.

Deus é amor

Embora o amor possa parecer quase incompatível com a santidade, ele é, na verdade, inerente à natureza de Deus. As Escrituras falam tanto do amor de Deus que parece quase impossível resumir! Talvez a autora do hino, Ana Paula Valadão, o explique melhor:

Pra nos mostrar que o criador, o único Deus Nos ama e deseja restaurar: Seu perdão vai além dos céus Nenhum monte é tão alto Nenhum vale tão profundo Como o amor do nosso Deus Grande, tão grande, alto, tão alto Fundo, profundo, é maior que o mundo Mas é pequeno, cabe lá dentro Do coração de quem se entrega ao salvador

Ana Paula Valadão

Miniatura do vídeo: O amor do nosso Deus | DVD Crianças Diante do Trono | Crianças Diante do TronoAssistir no YouTube

Levando isso para um nível mais pessoal, quanta afeição Deus tem por nós? Mesmo sem merecermos, Ele nos ama incondicionalmente e afirma que, embora estivéssemos em rebelião contra Ele, Deus nos amou.

J. I. Packer, em seu livro “O Conhecimento de Deus”, explica maravilhosamente o amor de Deus e o forte impacto desse amor na vida daqueles que respondem a Ele:

“O que importa supremamente não é o fato de que eu conheço a Deus, mas o fato maior que está por trás disso – que Ele me conhece; eu sou um dos seus filhos. Todo o meu conhecimento Dele depende de sua iniciativa sustentada em me conhecer. Eu o conheço porque Ele me conheceu e continua me conhecendo. Ele me conhece como um amigo, alguém que me ama; e não há nenhum momento em que seu olho esteja fora de mim, ou sua atenção distraída de mim, e nenhum momento, portanto, em que seu cuidado vacile. Isso é importante.”

(J. I. Packer, O Conhecimento de Deus)

Existe um conforto indescritível em saber que Deus está sempre cuidando de mim com amor e para o meu bem. É um enorme alívio saber que o Seu amor por mim é totalmente realista, baseado em um conhecimento prévio do pior sobre mim.

Assim, nenhuma descoberta agora pode decepcioná-Lo a meu respeito, da maneira como eu mesmo me decepciono tantas vezes, e diminuir a Sua determinação de me abençoar. Imagine como a igreja e o mundo seriam transformados se todos os cristãos realmente abraçassem esses conceitos!

Deus é justiça

Isso significa que o caráter e a natureza de Deus sempre O levam a fazer o que é correto. A justiça é a santidade em ação. Ele nunca age fora do contexto do Seu próprio caráter; em todas as Suas ações, é consistente com a Sua essência. Deus é sempre consistentemente “piedoso”. Ele não é medido pelo padrão de justiça; Ele é o padrão.

Paulo enfatizou que o perdão de Deus à humanidade pecadora é consistente com a Sua justiça. Na verdade, ele disse que o sacrifício e a ressurreição de Jesus foram uma demonstração da justiça de Deus! Por implicação, ele estava dizendo que a morte de Jesus foi como se nós mesmos tivéssemos sido crucificados; por meio dela, o preço do pecado da humanidade foi pago, sem necessidade de qualquer outra condenação para aqueles que recebem essa provisão pela fé.

Deus é justo

Em todas as Suas interações com a humanidade, Deus demonstra justiça, refletida em Seu amor e misericórdia. Surpreendentemente, todas as qualidades que tentamos explicar convergem na provisão de Deus para nós por meio de Jesus. Isso é expresso com beleza em 2 Coríntios 5:21:

“Pois ele fez com que aquele que não conheceu pecado se tornasse pecado por nós; para que nós nele fôssemos feitos justiça de Deus.”

(2 Coríntios 5:21, Bíblia Livre)

Como isso pode ser justo? Porque Deus, contra quem pecamos, forneceu a solução em Seu Filho Jesus, que assumiu a penalidade por nossos pecados e injustiças ao sacrificar a Sua vida na cruz. Deus fez isso para ser justo e justificar aqueles que têm fé em Jesus.

Deus é misericordioso

Millard Erickson escreveu: “A misericórdia de Deus é a sua terna e amorosa compaixão por seu povo… Se a graça vê os seres humanos como pecadores, culpados e condenados, a misericórdia os percebe como miseráveis e necessitados”.

O evangelho revela a Sua misericórdia para conosco, convidando-nos a ter um relacionamento com Deus, pois Ele deseja que O conheçamos e experimentemos o Seu grande amor.

Existe uma história sobre o Dr. Billy Graham, que foi multado por excesso de velocidade. Ao comparecer perante a Justiça, Graham declarou-se culpado e assumiu total responsabilidade. O magistrado o multou em US$ 100.

Para surpresa de todos no tribunal, o juiz abriu a própria carteira e pagou a multa, dizendo a Graham que a penalidade havia sido totalmente quitada! Essa é uma forma de entender como Deus nos tratou, estendendo misericórdia e perdão. Na cruz, a penalidade para o pecado era a morte, e Jesus a pagou integralmente. Efésios 2:4-5 diz:

“Mas Deus, que é rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos deu vida juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),”

(Efésios 2:4-5, Bíblia Livre)

Deus é gracioso

Um determinado pastor contou a seguinte história:

Uma das minhas primeiras igrejas estava localizada em um subúrbio litorâneo, repleto de pessoas necessitadas enfrentando noites mal dormidas. Devido aos nossos esforços para nos relacionar com elas, alguns se sentiram à vontade para frequentar a igreja.

Em uma manhã, fui surpreendido por uma forte batida na porta da igreja. Era um idoso conhecido por ser alcoólatra, que alegou estar com fome. Levei-o até a cozinha e compartilhei meu almoço com ele. Enquanto comíamos, ele contou a sua história.

Através de uma série de tragédias, ele havia perdido tudo. Anteriormente seguro e levando uma vida produtiva, desenvolveu uma compulsão por dinheiro e se envolveu em atividades criminosas com alguns amigos.

Apesar de acumular riquezas por um tempo, também fez inimigos. Um deles sabotou os freios de seu carro, na esperança de causar-lhe danos ou até mesmo a morte. Infelizmente, sua esposa foi a próxima a dirigir o carro, acompanhada de seus dois filhos, e todos eles perderam a vida.

Pouco depois, ele foi preso e seus bens foram confiscados. Após um período na prisão e lutando para lidar com a culpa e o remorso, tornou-se alcoólatra.

Em várias ocasiões, compartilhei com ele que Deus o amava e queria ser seu ajudador e consolador. Como em momentos anteriores, ele chorou ao expressar sua dor e autoaversão: “Eu nunca poderia ser bom o suficiente para Deus”, suplicou. “Devo ser o pior homem vivo. Sou muito perverso”.

Aproximei-me, segurei sua mão e disse: “Sabe, Bill, você é uma das pessoas mais qualificadas que conheço para receber a salvação! Jesus veio para salvar os pecadores!” Foi como se eu o tivesse atingido. Olhando para cima através das lágrimas, com uma expressão assustada, ele perguntou: “Mas não é preciso ser bom?”

Respondi: “Bill, ninguém tem bondade suficiente para apresentar a Deus. Tudo que você precisa trazer é o seu pecado. Apresente a Deus quem você é e deixe que Ele o envolva com Seu amor e misericórdia. Ele quer estender a Sua graça a você”. Naquele dia, iniciou-se uma mudança incrível no “velho Bill”, e ele se tornou um grande testemunho para muitos outros que passam por dificuldades!

A bela palavra “graça” sugere que o favor de Deus é concedido a quem não o merece e não pode fazer nada para alcançá-lo. Aplicada a nós, graça significa que Deus nos oferece Seu amor, misericórdia e perdão gratuitamente, como expresso em Efésios 1.

Esse conceito é repetido quase ao ponto da redundância, talvez para enfatizar a magnificência do compromisso de Deus com a humanidade:

“Bendito seja o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo. […] para louvor da glória de sua graça, a qual nos concedeu gratuitamente no Amado. Nele temos a libertação pelo seu sangue, o perdão dos pecados, conforme as riquezas da sua graça,”

(Efésios 1:3,6-7, Bíblia Livre)

Que palavra magnífica é “graça”, derramada sobre nós. Ela transmite a ideia de superabundância, de esbanjar além do que precisamos. João disse: “Vede quão grande amor o Pai tem nos dado, que fôssemos chamados filhos de Deus. E nós somos” (1 João 3:1, Bíblia Livre).

Não consigo pensar em nenhum outro “deus” ou sistema religioso que demonstre tal compromisso com a humanidade. O maravilhoso evangelho, fundamentado na morte e na ressurreição de Jesus, afirma que o preço já foi inteiramente pago. Deus agora nos convida a vir e receber o que Ele disponibilizou.

Infelizmente, o tempo não permite uma exposição mais detalhada da maravilha de tudo o que Deus é. No entanto, estes dois primeiros estudos forneceram uma base para você descobrir muito mais sobre Ele. Creio ser muito pertinente encerrar o estudo de hoje com as palavras do rei Davi em 1 Crônicas 29:11-13:

“Tua é, ó o SENHOR, a magnificência, e o poder, e a glória, a vitória, e a honra; porque todas as coisas que estão nos céus e na terra são tuas. Teu, ó o SENHOR, é o reino, e a altura sobre todos os que estão por cabeça. As riquezas e a glória estão diante de ti, e tu senhoreias a todos: e em tua mão está a potência e a fortaleza, e em tua mão a grandeza e força de todas as coisas. Agora, pois, Deus nosso, nós te confessamos, e louvamos teu glorioso nome.”

(1 Crônicas 29:11-13, Bíblia Livre)

Deus te abençoe. Até a próxima!

Série Fundamentos da fé

  1. Por que cremos em Deus?
  2. Como Deus é? (você está aqui)
  3. A Bíblia é Confiável?
  4. O que torna Jesus único?
  5. A Centralidade da Cruz de Cristo
  6. Por que cremos na ressurreição?
  7. Jesus realmente morreu?
  8. O Que Significa se Tornar um Cristão?
  9. Entendendo o que tudo isso significa

Próximo estudo: A Bíblia é Confiável?.

REFERÊNCIAS:

  • Bíblia Livre (citações bíblicas)
  • Billy Graham – Uma Autobiografia
  • J. I. Packer – O Conhecimento de Deus
  • Millard Erickson, Teologia Sistemática

Publicado em 1 de fevereiro de 2024 · Atualizado em 24 de outubro de 2026

Nesta série

Fundamentos da fé

2 de 9 · 22%

Ver a série completa (9 textos)

Todos os textos
  1. Por que cremos em Deus? | #01
  2. Como Deus é? | #02
  3. A Bíblia é Confiável? | #03
  4. O que torna Jesus único? | #04
  5. A Centralidade da Cruz de Cristo | #05
  6. Por que cremos na ressurreição? | #06
  7. Jesus realmente morreu? | #07
  8. O Que Significa se Tornar um Cristão? | #08
  9. Entendendo o que tudo isso significa | #09

Comentários

Carregando os comentários…

Deixe seu comentário ou pergunta

Todo comentário passa por mim antes de aparecer. Links não são aceitos. Seu e-mail fica só comigo, para eu responder se precisar (política de privacidade).

Para ler mais sobre Salmos

Links de afiliado (Amazon e Shopee): você paga o mesmo e o site recebe uma pequena comissão.

Para continuar lendo

140pal/min