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TeologiaFundamentos da fé8 de 9

O Que Significa se Tornar um Cristão? | #08

Diego Gonçalvesatualizado 14 min de leitura2.733 palavras

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Bem-vindo ao nosso curso online “Fundamentos do Evangelho”! Este é o oitavo estudo da nossa série.

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Miniatura do vídeo: O QUE SIGNIFICA SE TORNAR CRISTÃO - Estudo 08 - Série: Fundamentos do EvangelhoAssistir no YouTube

Esta série busca responder às grandes questões da vida e explorar as maravilhas da existência humana, desde a complexidade do corpo humano até as realidades eternas.

Afresco de Adão e Eva sendo expulsos do Jardim do Éden, cobrindo o rosto e o corpo, sob um anjo com espada
Masaccio, A expulsão de Adão e Eva do Jardim do Éden, c. 1425. Capela Brancacci, Santa Maria del Carmine, Florença. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Quem sou eu? Por que estou aqui? Para onde vou? Qual é a base da moralidade? Qual é a realidade última? Estas perguntas pedem uma resposta honesta sobre nós mesmos e sobre o universo que nos rodeia.

Neste curso, você será conduzido por uma série de estudos e discussões que vão desafiá-lo, animá-lo e prepará-lo para viver com um propósito maior. Trataremos de temas como a estrutura fascinante do DNA humano, o funcionamento complexo do nosso cérebro e o papel vital do nosso sangue.

Este curso foi projetado para todos os que buscam respostas, sejam eles novos na fé ou aqueles que desejam crescer nela.

Criado com um propósito claro

As histórias de pessoas que se converteram ao cristianismo são tão interessantes quanto variadas. No meu caso, tudo começou com a conversão dos meus avós, que influenciou meus pais e, consequentemente, a mim. Embora tenha crescido em um lar cristão, foi apenas durante a minha adolescência que tive uma experiência verdadeira com Jesus. Conheci Isaque enquanto estudava no Senai. Ele era meu colega de classe e um jovem cristão muito piedoso. Quando ele falava sobre Jesus, parecia que o via como uma pessoa real, e a maneira como expressava sua fé parecia diferente da minha. Esse contato com ele foi essencial para o meu encontro posterior com Jesus.

Assim como eu, muitos já tiveram alguma interação com a igreja e só precisaram de uma palavra ou situação específica para iniciar sua conversão. No entanto, para a maioria dos crentes, essa caminhada envolveu a descoberta e compreensão de algumas verdades fundamentais. Assim, tiveram que se convencer sobre a existência de Deus e também explorar seu caráter e essência. Perceberam que Deus nos presenteou com sua palavra, a Bíblia, através da qual ele não só se revelou, mas também nos mostrou de diversas formas que fomos criados com um propósito bem definido: conhecê-lo e viver em comunhão com ele. Em meio à sua criação maravilhosa, Deus espera que sejamos aqueles que refletem a sua imagem e semelhança.

Portanto, em nosso penúltimo estudo desta série, quero tratar com vocês de o que significa tornar-se um cristão. Quais são as questões essenciais para estabelecer um relacionamento com Deus, que alcança a nossa vida inteira? Para responder a essas perguntas, precisamos voltar brevemente à história da criação em Gênesis 1-3.

Nossa visão de Deus é um princípio organizador

Nossas crenças sobre Deus moldam como enxergamos a vida e o seu propósito. Se temos uma visão distorcida de Deus, teremos uma visão distorcida de tudo o que se relaciona a Ele e aos Seus propósitos. A nossa compreensão sobre a natureza e o caráter de Deus, e sobre como Ele age no nosso mundo, direciona o nosso pensamento nas questões importantes da vida.

Isso também se aplica ao propósito Dele na criação. Quando Ele disse, no contexto da Trindade:

“Façamos ao ser humano à nossa imagem, conforme nossa semelhança.”

(Gênesis 1:26, Bíblia Livre)

Ele estava dizendo que criaria seres especiais para ter com Ele um relacionamento que não teria com o resto da criação.

É crucial entender o que significa ser criado à imagem e semelhança de Deus. Isso não implica que fisicamente nos parecemos com Deus, mas que possuímos características pessoais semelhantes às Dele. Temos a capacidade de raciocinar, escolher, ser criativos, amar, perdoar e interagir uns com os outros. Fomos criados para viver com Deus e, por isso, interagir com Ele. Jesus foi o grande exemplo de ser humano conforme Deus desejava.

Hebreus 1:3 diz:

“O Filho é o resplendor da sua glória, a expressa imagem da sua pessoa, e sustenta todas as coisas pela palavra de poder.”

(Hebreus 1:3, Bíblia Livre)

João, o evangelista, escreveu:

“A Deus nunca ninguém o viu; o unigênito Deus, que está no seio do Pai, ele o declarou.”

(João 1:18, Bíblia Livre)

Você consegue perceber o que está sendo expresso? Jesus deu plena expressão à humanidade, de modo que as pessoas viam nele as qualidades que também são parte do caráter de Deus. Ele nos mostrou a verdadeira humanidade que Deus criou para expressarmos.

Deus, ao criar os seres humanos à sua imagem e semelhança, comprometeu-se com eles no amor e no cuidado, proporcionando-lhes tudo no Jardim do Éden para ser desfrutado. Porém, havia uma restrição: existia uma árvore chamada “a árvore do conhecimento do bem e do mal”, e eles foram instruídos a não comer dos seus frutos. Deus afirmou:

“Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás dela; porque no dia que dela comeres, morrerás.”

(Gênesis 2:17, Bíblia Livre)

Ao longo da história, vemos a tentação sutil de desobedecer a essa instrução, e o resultado não foi a morte física imediata, mas a alienação de Deus, a perda da dimensão espiritual e, por fim, a morte física. Permita-me relatar a história e fazer mais comentários depois.

Imagine estar no Jardim do Éden! Se todas as coisas boas estivessem gratuitamente à nossa disposição, seria muito especial, não acha? Mas será que consideraríamos isso suficiente?

Esse era o cenário quando a serpente, que a Escritura identifica com Satanás, questionou diante de Eva a validade das instruções de Deus. Em essência, ele dizia: “Você não vai morrer, e Deus sabe disso. Ele sabe que, ao comer dessa fruta, ela abrirá um novo mundo de conhecimento e liberdade. Ele está tentando enganá-la; sabe que vocês serão como deuses, conhecendo o bem e o mal. Será bom para você tomar as rédeas da sua própria vida. Não o ouça; Ele quer limitá-los. Venha comigo!”

Na realidade, o que estava em jogo era o direito de Deus de comandar o seu próprio mundo; se tratava do papel Dele em nossas vidas em comparação ao papel de Satanás.

Lemos que Eva olhou para o fruto longamente. Quanto mais olhava, mais desejável ele se tornava, até que ela sucumbiu, pegou do fruto e também deu a Adão.

Vamos pegar a história em Gênesis 3:7-13:

“E foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus. Então coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais. E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim à brisa do dia; e o homem e sua mulher esconderam-se da presença do SENHOR Deus entre as árvores do jardim. E o SENHOR Deus chamou ao homem, e lhe disse: ‘Onde estás?’ E ele respondeu: ‘Ouvi tua voz no jardim, e tive medo, porque estava nu; e me escondi’. E disse-lhe: ‘Quem te ensinou que estavas nu? Comeste da árvore de que te mandei que não comesses?’ E o homem respondeu: ‘A mulher que me deste por companheira me deu da árvore, e eu comi’. Então o SENHOR Deus disse à mulher: ‘Por que fizeste isto?’ E a mulher disse: ‘A serpente me enganou, e comi’.”

(Gênesis 3:7-13, Bíblia Livre)

Esse é um exemplo clássico de transferência de culpa e de responsabilidade. A consequência direta foi que eles entraram em conflito com Deus. Mesmo com todos os privilégios recebidos, não se contentaram e se tornaram vulneráveis à tentação do mal.

A questão central é quem governa

Rejeitar a autoridade de Deus é negar tudo o que Ele representa como criador e sustentador. Trata-se de recusar a submissão ao Seu domínio no mundo, o que resulta na separação de Sua presença e na perda da capacidade de interagir com Ele. As Escrituras nos dizem que “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23). Isso implica uma dupla consequência: morte espiritual e, eventualmente, morte física, significando a perda de nossa conexão com Deus e a incapacidade de interagir e apreciar Sua presença.

Em vez de experimentarmos a vida em todas as suas três dimensões, acabamos perdendo a espiritual e vivemos apenas a física e emocional.

A decisão de Adão e Eva de rejeitar Deus teve efeitos que foram além deles mesmos, afetando toda a humanidade. A imagem e semelhança de Deus em nós foi distorcida. Em Gênesis 3:14-15, Deus pronuncia juízo sobre a serpente, que representava o mal que planejou a tentação e a queda, e anuncia que a descendência da mulher lhe ferirá a cabeça:

“E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre tua descendência e a descendência dela; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.”

(Gênesis 3:15, Bíblia Livre)

O estrago foi feito e Adão e Eva não podiam se recuperar por si mesmos, e por isso Deus fez uma promessa especial de intervir em favor da humanidade.

Daquele dia em diante, todos nós nascemos com uma predisposição ao comportamento pecaminoso, o que nos torna sujeitos ao julgamento. No entanto, conforme Deus sempre planejou, Jesus veio ao mundo, mostrou o que a humanidade deveria ser, refletindo a imagem de Deus, e, por meio de sua morte e ressurreição, tornou possível a restauração de um novo relacionamento com Deus.

Paulo, em Romanos 5:12-21, explica o que Deus fez para possibilitar nossa mudança de status com Ele. Ele afirma que a rejeição de Adão a Deus resultou na morte espiritual para toda a humanidade, contaminando-nos todos com o pecado e suas consequências. Contudo, ele destaca quanto mais abundante é a generosa provisão da graça de Deus e o dom da justiça por meio de Jesus! Assim como o pecado e suas consequências afetaram toda a humanidade, por meio de Jesus, o perdão e o dom da justiça foram disponibilizados a todos.

Detalharemos isso no próximo estudo, mas permita-me resumir o que significa para todos que respondem a esse chamado. Recebemos perdão e aceitação completos porque a dívida do nosso pecado foi totalmente quitada por Cristo. Todos que recebem essa expressão generosa do amor, da misericórdia e da graça de Deus entram em uma relação nova com Ele por meio de Jesus.

Os primeiros passos da fé pessoal

A fé em Jesus começa quando reconhecemos a natureza do nosso pecado. Como já foi dito, antes de nos tornarmos cristãos, nossas vidas são regidas pelo pecado, a atitude de independência de Deus em que reivindicamos o direito de governar a nós mesmos.

De fato, o pecado não apenas rejeita o direito de Deus de governar o seu mundo como Deus, mas também rejeita a sua natureza e o seu caráter.

Nossa atitude em relação a Ele se reflete em nosso comportamento, mesmo que não seja deliberado ou consciente. Em Romanos 1, Paulo afirma que, apesar de todas as evidências da existência de Deus estarem presentes, a humanidade em geral se recusa a reconhecê-lo. Isso entristece o coração de Deus, que, em sua paciência, nos deixa resistir a Ele.

Em segundo lugar, precisamos reconhecer que Deus reafirma a sua autoridade por meio de Jesus. No nosso último estudo, analisamos a mensagem de Pedro à multidão de peregrinos de todo o mundo que vieram a Jerusalém para a festa de Pentecostes. Ele deixou claro que a morte e ressurreição de Jesus haviam sido prometidas por Deus e sempre estiveram em seu plano.

No dia de Pentecostes, Pedro disse:

“Homens israelitas, ouvi estas palavras: Jesus o nazareno, homem aprovado por Deus entre vós, com maravilhas, milagres e sinais, que Deus fez por meio dele no meio de vós, assim como vós mesmos também sabeis; este, sendo entregue pelo determinado conselho e conhecimento prévio de Deus, sendo tomado, pelas mãos de injustos o crucificastes e matastes; ao qual Deus ressuscitou, tendo soltado as dores da morte; porque não era possível ele ser retido por ela.”

(Atos 2:22-24, Bíblia Livre)

Em seguida, Pedro declara:

“Saiba então com certeza toda a casa de Israel, que Deus o fez Senhor e Cristo a este Jesus, que vós crucificastes.”

(Atos 2:36, Bíblia Livre)

Que resposta devemos dar?

A afirmação de Pedro de que a morte e ressurreição de Jesus estava não apenas prevista, mas também planejada por Deus, ressoou como verdade para aqueles que a ouviam. Sua declaração inequívoca de que Jesus era o Messias impactou profundamente seus ouvintes. Lemos que “foram afligidos como que perfurados de coração, e disseram a Pedro, e aos outros apóstolos: Que faremos, homens irmãos?”. A resposta de Pedro, embora pareça simples à primeira vista, teve grande alcance: “Arrependei-vos, e batize-se cada um de vós no nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados” (Atos 2:37-38, Bíblia Livre).

Quem ouvia entendia que arrepender-se significava, literalmente, mudar de direção (no grego, metanoia, “mudança de mente”). Em Atos 3:19, Pedro reiterou:

“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que vossos pecados sejam apagados, quando vierem os tempos do refrigério da presença do Senhor.”

(Atos 3:19, Bíblia Livre)

O arrependimento é uma mudança radical de mentalidade e de atitude, que resulta em mudança de ação.

As pessoas que ouviam Pedro buscavam conhecer a Deus. Estavam envolvidas em práticas religiosas, mas ainda não estavam em paz com Ele. Quem é meramente “religioso” pode adotar o que acha que Deus quer, a fim de se tornar aceitável a Ele, mas não lidou com a questão da submissão à Sua autoridade.

A “religião” nos permite permanecer no controle, esforçando-nos para cumprir a Lei a fim de nos tornarmos aceitáveis a Deus. Em contraste, o chamado do evangelho é um convite para nos submetermos a Deus e recebermos, pela fé, a Sua provisão em Jesus. Não nos salvamos por esforço próprio: a salvação é graça de Deus do começo ao fim. É um chamado para entregar a nossa vida ao Cristo ressuscitado.

O chamado de Pedro para o batismo é intrigante. Isso não seria novidade para os presentes, pois quando eles se converteram à fé judaica, já teriam sido batizados, simbolizando uma mudança de direção em sua fé, deixando uma vida para iniciar outra.

Romanos 6 trata de ser sepultado com Cristo e ressuscitado com Ele.

Gálatas 2:20 apresenta a perspectiva de Deus:

“Já estou crucificado com Cristo. Estou vivendo não mais eu, mas Cristo vive em mim; e vivo a minha vida na carne por meio da fé no Filho de Deus, que me amou, e entregou a si mesmo por mim.”

(Gálatas 2:20, Bíblia Livre)

O conceito bíblico de batismo é uma expressão visível de nossa renúncia à antiga vida de rejeição à autoridade de Deus. Descer na água durante o batismo simboliza o sepultamento, e sair da água representa a ressurreição para uma nova vida.

Neste ponto da nossa série de estudos, talvez você tenha se identificado, afirmando o que já crê como seguidor de Jesus.

Alguns talvez tenham descoberto coisas novas sobre Deus e o amor Dele por nós.

E para outros, esses estudos podem ter trazido novidades que desafiam o que conheciam.

Sempre que nos deparamos com a visão bíblica sobre a vida e seu propósito, escolhemos um caminho, ainda que de maneira pouco evidente. Alguns decidem manter as coisas como estão; outros se sentem movidos a se entregar conscientemente a Jesus como Senhor e Salvador. Qual tem sido a sua escolha?

Junte-se a nós no próximo estudo e descubra o que Deus preparou para aqueles que aceitam o Seu convite para se aproximarem Dele.

Série Fundamentos da fé

  1. Por que cremos em Deus?
  2. Como Deus é?
  3. A Bíblia é Confiável?
  4. O que torna Jesus único?
  5. A Centralidade da Cruz de Cristo
  6. Por que cremos na ressurreição?
  7. Jesus realmente morreu?
  8. O Que Significa se Tornar um Cristão? (você está aqui)
  9. Entendendo o que tudo isso significa

Próximo estudo: Entendendo o que tudo isso significa.

Publicado em 14 de março de 2024 · Atualizado em 23 de outubro de 2026

Nesta série

Fundamentos da fé

8 de 9 · 89%

Ver a série completa (9 textos)

Todos os textos
  1. Por que cremos em Deus? | #01
  2. Como Deus é? | #02
  3. A Bíblia é Confiável? | #03
  4. O que torna Jesus único? | #04
  5. A Centralidade da Cruz de Cristo | #05
  6. Por que cremos na ressurreição? | #06
  7. Jesus realmente morreu? | #07
  8. O Que Significa se Tornar um Cristão? | #08
  9. Entendendo o que tudo isso significa | #09

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